Distância histórica

Miguel Haddad*

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Em 28 de junho de 1914 o arquiduque Francisco Fernando, herdeiro do Império Austro-Húngaro, e sua esposa, a duquesa Sofia de Hohenberg, foram mortos em um atentado, quando seguiam em cortejo pelas ruas de Sarajevo, capital da Bósnia. Esse ato terrorista desencadeou a 1ª Guerra Mundial.

Quando ocorreu, ninguém atribuiu ao evento a importância que veio a ter, como marco inicial da cadeia de acontecimentos que levaram a humanidade a um dos seus maiores confrontos. Essa relação de causalidade só pôde ser estabelecida com o passar do tempo, que permitiu aos historiadores, em razão da chamada “distância histórica”, perceber o seu real significado.

Esse conceito é fundamental para termos uma ideia da dificuldade dos contemporâneos em entender, nessa dimensão, os acontecimentos do dia-a-dia. Talvez por isso ainda não tenhamos uma visão clara do real significado do impeachment da ex-presidente Dilma. O que é certo é que a partir daí assistimos a uma sucessão de mudanças, guiadas pelo protagonismo da opinião pública, manifestada através das redes sociais e, como ocorreu antes do seu afastamento, em manifestações de rua que contaram com a participação de milhões de brasileiros.

Na sequência do impeachment conseguimos aprovar a histórica emenda 241, que estabelece um limite para os gastos governamentais, evitando com isso a reincidência do populismo que infelicitou por várias vezes nosso País, estamos assistindo a aprovação de medidas para limitar o número de partidos e, a partir da iniciativa popular, de um novo marco legal para coibir a corrupção. Vejo, na Câmara, crescer, a cada dia, o número de parlamentares que, como eu, votarão favoravelmente à aprovação das 10 medidas e se posicionam contra a anistia do chamado caixa dois.

Mas – daí a razão deste artigo -, além dessa lei, um marco na moralização da política brasileira, e das demais aprovadas ou em aprovação, o que é ainda mais importante é entender que esses fatos fazem parte de uma série que prosseguirá, pois não há como desabilitar, como muitos gostariam, a tomada de consciência da população brasileira, a força motriz das mudanças que estão a ocorrer.

Estamos numa travessia, rumo a um País melhor, que somente será entendida em toda a sua extensão com o passar do tempo. Mas o caminho está traçado: é a união das vozes, nas redes, nas ruas e no Parlamento, dos homens e mulheres que lutam pelas mudanças que fará o Brasil avançar.

* deputado federal do PSDB

 

Kennedy Oliveira

É formado em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pelas Faculdades COC (atualmente Estácio). É pós-graduado em Comunicação: linguagens midiáticas, pelo Centro Universitário Barão de Mauá.

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