São nossas mães, nossas companheiras e nossas filhas

Miguel Haddad*

sao-nossas-maes-nossas-companheiras-e-nossas-filhas

No Brasil a mulher somente conquistou o direito ao voto em 1937. Antes, nas constituições de 1824 e 1891, sequer era considerada cidadã̃. Milênios de machismo arraigado faziam as pessoas considerarem natural a situação de inferioridade da mulher na sociedade.

No início do século 20, o então incipiente movimento pelos direitos das mulheres sequer era levado a sério, e as suas pioneiras eram ridicularizadas. Foi preciso que a feminista inglesa Emily Davison se imolasse, deixando-se atropelar por cavalos na tradicional corrida de Epson, em 1913, para que a sociedade do seu tempo começasse a se dar conta da seriedade e importância das reivindicações femininas.

Muita coisa mudou, desde então. Mas estamos longe, muito longe de termos superado de fato o preconceito contra as mulheres. Setores mais conservadores e atrasados da sociedade persistem na sua imobilidade, alheios às terríveis consequências dessa atitude retrógrada.

Na América Latina o chamado femicídio – no Brasil segundo o Mapa da Violência foram quase 5 mil em 2015 – é uma ameaça cotidiana e, assim como outras formas de violência contra as mulheres, é praticado muitas vezes no âmbito doméstico, por pessoas com relação de parentesco com a vítima, sintoma claro dessa persistência.

Para protestar contra essa barbárie inaceitável, na semana passada, após uma jovem de 16 anos ter sido estuprada e morta em Buenos Aires, milhares de pessoas, homens e mulheres foram às ruas em uma dezena de países da América do Sul e da América Central.

Não menos danosa é a manifestação de machismo oculto, cotidiano, cujas consequências são o silêncio em torno da violência doméstica, a desigualdade salarial, a baixa representação feminina na política, entre tantas outras.

Todos nós, homens e mulheres, temos de estar atentos e deixar claro que a luta pelos direitos das mulheres é uma luta de todos. Sem o entendimento claro dos malefícios desse preconceito, assim como de tantos outros, como o preconceito racial, que faz o nosso País ainda mais desigual e injusto com os brasileiros negros, não conseguiremos avançar e nos tornarmos a nação que todos desejamos, próspera, democrática e confiante em seu futuro.

Estamos lutando para mudar o Brasil e nos livrar da crise econômica. Mas a agenda da mudança tem de ser mais ampla, e incluir todos os setores da vida nacional.

*Deputado federal pelo PSDB

 

Autor

Kennedy Oliveira

É formado em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pelas Faculdades COC (atualmente Estácio). É pós-graduado em Comunicação: linguagens midiáticas, pelo Centro Universitário Barão de Mauá.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *