‘O bom fotógrafo faz belas fotos até com um celular, desde que ele saiba como captar a imagem e extrair tudo que o equipamento pode oferecer’

Nesse ano o fotógrafo Rubens Okamoto completa 25 anos de profissão, e conversou com a nossa equipe sobre sua carreira profissional, particularidades, histórias e muito mais.

Olá, seguidores da nossa Intertv Web! Nesse domingo (14/06) quem entrevisto na “Coluna Bate-Papo” é um artista das imagens, ele completa 25 anos de profissão, nesse ano, e conta a história através da fotografia. O nosso entrevistado é o fotógrafo Rubens Heigasi Okamoto, 40 anos, e que tem uma vasta experiência profissional.

Podemos dizer que sua trajetória teve início na adolescência na cidade de Brodowski (SP). Ele sempre se interessou por imagens e gostava de registrar tudo. Participava de um grupo de jovens e sempre haviam reuniões e confraternizações, e nesses encontros fazia fotos de tudo que acontecia.

“Com o passar do tempo começaram a me pedir cópias dessas fotos, foi quando passei a vender as fotos e sentir que aquilo poderia ser a minha profissão. Comecei fazendo aniversários, casamentos e eventos, ainda em Brodowski”, revela Rubens Okamoto.

Em 1996 ele se mudou para Ribeirão Preto (SP) e se aprofundou na fotografia. Fez parte da primeira turma de fotografia do Senac, onde depois foi aluno e assistente-monitor do curso, passando a frequentar e acompanhar todas as outras turmas. Entre os anos de 1999 e 2001 trabalhou na tradicional loja de fotografia do senhor Tony Miyasaka, começando pelo atendimento de balcão e depois a cuidar das reproduções e fotos de produtos.

Rubens Okamoto é um dos grandes fotógrafos do Brasil, inclusive com diversos prêmios
Foto: Arquivo Pessoal

“Também tive uma breve passagem pela revista Revide, onde acompanhei a polêmica e tumultuada privatização da Ceterp e a explosão do Carnabeirão, com Ivete Sangalo ainda no comando da Banda Eva. Depois passei pelo revista Evidência, Jornal do Condomínio, jornal Verdade e revista Expressão. Sempre conciliando a minha carreira com os eventos sociais”, conta Okamoto.

De 2017 a 2019 fez parte da Coordenadoria de Comunicação Social da Prefeitura de Ribeirão Preto, onde atuou como fotógrafo e colaborou na organização dos eventos internos e externos.

Vamos tomar um drink bem gostoso com o nosso entrevistado, e saber um pouco mais sobre sua vida, carreira profissional, prêmios, histórias marcantes, produções e muito mais.

Okamoto está completando 25 anos de profissão em 2020
Foto: Arquivo Pessoal

Intertv Web – Olá, Rubens! Tudo bem? Você é um fotógrafo super premiado e que tem grandes referências nacional e internacional. Qual a sensação de ter um grande currículo e ser ídolo de muitos profissionais de sua área?

Rubens Heigasi Okamoto – Não me sinto um ídolo, mas é muito gratificante ter o carinho e respeito dos colegas de profissão. Esse reconhecimento me faz acreditar que sigo no caminho certo, pois sempre trabalhei muito focado na minha imagem, priorizando o profissionalismo e a credibilidade. Como comecei muito jovem e sempre trabalhei no meio de vários profissionais já renomados, precisava ter – e passar – uma boa imagem perante a sociedade em geral. Sei que tenho grande responsabilidade em ser exemplo para aquelas pessoas que me admiram e gostam do meu trabalho e jamais posso decepcioná-las.

Intertv Web – Como ser um grande fotógrafo?

Rubens Okamoto – Primeiro gostar de fotografia, em todos os sentidos. Em seguida estar disposto a aprender algo novo todos os dias e não se acomodar nunca. A fotografia não tem limites, não existe mesmice, rotina ou horários. Sempre digo que pra mim todo dia é terça-feira, pois não existe essa divisão de dia de semana e final de semana, todo dia é dia útil.

Tem que levar a profissão muito a sério. Ser pontual, agir sempre com honestidade, saber honrar seu nome e seus compromissos, além de ter a sensibilidade de captar as emoções, conhecer as técnicas para conseguir sempre o melhor resultado e querer melhorar sempre. O equipamento é importante, mas não é o principal. O bom fotógrafo faz belas fotos até com um celular, desde que ele saiba como captar a imagem e extrair tudo que o equipamento pode oferecer.

Intertv Web – Nesse ano de 2020 tínhamos muitos grandes shows e espetáculos agendados. Como foi a sua reação ao saber que tudo teria que ser cancelado?

Rubens Okamoto – Acho que tive a mesma reação de todos, principalmente os que trabalham com eventos: fiquei muito assustado e sem saber o que fazer, pois foi algo que ninguém jamais imaginava que um dia pudesse acontecer.

Intertv Web – Como foi o impacto de tudo isso em sua profissão?

Rubens Okamoto – Ter de um dia para o outro todos os eventos e trabalhos cancelados não foi nada fácil. Já estava contratado para diversos eventos, inclusive um em São Paulo para mais de 3.500 participantes. Foi algo que saiu completamente do nosso controle, mas temos que encarar essa situação, prezar pela nossa saúde, nos adaptar com relação aos trabalhos e tentar reverter essa situação o mais breve possível.

Intertv Web – Nesse ano você completa 25 anos de profissão. Encontrou muitas pessoas e fez outros tantos trabalhos. Mas teve aquele que realmente ficou mais marcado em sua carreira?

Rubens Okamoto – Nesses 25 anos vivi, conheci e aprendi muito com cada pessoa que encontrei pelo caminho – e também em cada trabalho que executei. Tive muitos momentos que marcaram a minha vida, mas um que me deixou muito emocionado e que até hoje não consigo explicar foi a minha segunda exposição no Novo Shopping, em comemoração aos 10 anos de profissão. A exposição contou com quase 100 imagens dos mais variados segmentos que atuo, com a parceria voluntária de vários amigos graças as quais consegui viabilizá-la, além de divulgação e coquetel de abertura a custo zero, graças a credibilidade que já havia conquistado no mercado. Contei com assessoria de imprensa, buffet, cerimonial, impressão e moldura das fotos, cobertura dos programas de TV, entrevistas ao vivo e matérias em jornais impressos. Foi muito gratificante receber o carinho e contar com a presença de mais de 150 convidados naquele dia.

Intertv Web – De todos os segmentos que um fotógrafo tem, qual mais você se identifica?

Rubens Okamoto – Acho que pelo tempo no mercado, acabo me identificando mais com os eventos corporativos, como congressos, palestras e confraternizações empresariais. Mas fico bem dividido também com os shows e os ensaios, pois sempre gostei de estar no meio artístico, acompanhar os bastidores do show business e ter o privilégio de conhecer e me tornar conhecido para alguns artistas. Nos ensaios sou capaz de poder criar e desenvolver mais livremente minhas ideias, pois fico mais livre e no comando total do trabalho, diferente dos eventos e shows, nos quais fico refém de apenas poder registrar aquilo que acontece, sem ter o domínio das ações.

Rubens Okamoto chegou em Ribeirão no ano de 1996 e foi aos poucos conquistando seu espaço no segmento fotográfico
Foto: Arquivo Pessoal

Intertv Web – Como foi ser homenageado no Prêmio Abril de Jornalismo?

Rubens Okamoto – Em 2006 fui convidado para cobrir o evento que premiava os melhores profissionais e publicações da editora. Era uma grande solenidade para 1.200 convidados, na imponente Sala São Paulo, e teria que fotografar todo o evento (coquetel e premiação) sozinho. E não poderia deixar de fotografar os principais nomes da empresa – diretoria, jurados e premiados. Porém, nunca havia estado na editora e, portanto, não conhecia ninguém. Me passaram uma lista de “carômetro” – listagem com foto, nome e cargo dos personagens que não poderia deixar de fora.

Era meu primeiro grande evento em São Paulo e não poderia deixar a desejar. Suei muito, mas consegui atingir todos os objetivos. Com o passar dos anos, vários profissionais relacionados ao evento foram se alterando (diretoria da empresa, organizadores, prestadores de serviços e até o local do evento), entretanto consegui permanecer fazendo a cobertura do evento nos últimos 11 anos. Quando completei 10 anos, recebi dos organizadores uma homenagem: o mesmo troféu que era entregue aos premiados do evento, a árvore símbolo da editora.

Intertv Web – Existe uma pessoa ou evento que deseja muito fotografar, mas ainda não conseguiu?

Rubens Okamoto – Teve uma pessoa que eu queria muito ter conseguido fotografar, mas infelizmente nos deixou antes, que foi o eterno piloto de Fórmula 1 Ayrton Senna. Cresci acompanhando sua trajetória de sucesso, foi um grande exemplo de determinação, garra e profissionalismo. É um símbolo que procuro me espelhar para tentar ser o mesmo no ramo da fotografia.

Agora, que ainda pode se realizar seria fazer uma matéria com o mito da TV brasileira, Silvio Santos.

Ao completar 10 anos fotografando o Prêmio Abril de Jornalismo foi condecorado com uma homenagem especial
Foto: Arquivo Pessoal

Intertv Web – Já recusou algum trabalho, porque achou que ia contra seus princípios?

Rubens Okamoto – Infelizmente já. Em 2011 recebi um telefonema de uma grande revista de circulação nacional me solicitando uma pauta para aquele mesmo dia. A princípio achei que fosse um golpe, pois achei muito estranho pela forma que fui abordado. Ela solicitava que eu ficasse de plantão para a cobertura de um velório e enterro. Pedi cinco minutos para ver se conseguia adequar minha agenda, porém, na verdade esses minutos foram para tentar levantar que pauta poderia ser essa.

Averiguei e levantei que seria o falecimento do pai do ator Reynaldo Gianecchini. Naquele momento o ator passava por tratamento de quimioterapia e seu pai havia acabado de falecer de câncer no sistema digestivo. Retornei a ligação e quis saber mais sobre a pauta, ela não quis me passar muitas informações, apenas que era um artista e que eu conseguisse fotos dessa pessoa, chorando e sendo consolado pelos parentes, amigos e de possíveis artistas que comparecessem ao velório e enterro.

A oferta pelo trabalho era tentadora, um valor bem acima do que cobraria por um evento pelo mesmo período. Porém, não me sentia confortável em estar ganhando, fotografando a dor e o sofrimento de outras pessoas. Sempre fui acostumado a registrar momentos alegres, nunca de dor. Tinha consciência de que lá estariam diversos jornais, revistas e TVs registrando aquele momento, porém, estariam lá com uma visão jornalística, registrando o fato pela notoriedade do ator, não seria com uma visão sensacionalista, usando a dor estampada na sua capa apenas para vender mais revistas. Sei que posso ter sido antiprofissional, mas naquele momento não me senti confortável. Acabei agindo pela emoção. Preferi perder o trabalho do que me sentir culpado e saber da possibilidade de ser constrangido ou barrado pela família por estar ali invadindo a intimidade e a dor da perda de seu ente querido.

Intertv Web – Suas considerações finais.

Rubens Okamoto – Gostaria de agradecer pelo convite para essa entrevista e expressar minha admiração pelo site Intertv Web. Também aproveitar para deixar meus canais onde os leitores poderão acessar e conhecer um pouco mais do meu trabalho.

Instagram pessoal: @rubensokamoto; empresarial: @okamotofotografia; ensaios: @okamoto_ensaios e @projeto_kaizen. O meu Facebook é o www.facebook.com/rubens.okamoto

Kennedy Oliveira

É formado em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pelas Faculdades COC (atualmente Estácio). É pós-graduado em Comunicação: linguagens midiáticas, pelo Centro Universitário Barão de Mauá.

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