Alimentação na doença de Parkinson

A doença de Parkinson caracteriza-se pela degeneração do sistema nervoso central que afeta, principalmente, o sistema motor. Os principais sinais da doença são tremor, rigidez, acinesia ou bradicinesia e alterações posturais, os quais possuem influência direta no estado nutricional do parkinsoniano.

A alimentação é dificultada pela fase da doença, dose do medicamento utilizado no tratamento ou etapa do tratamento. Geralmente ocorrem perda de peso, redução do apetite e dificuldade de mastigação e deglutição. O medicamento utilizado no tratamento, a Levodopa, pode provocar anorexia, náusea e vômitos e sua absorção é alterada pela alimentação.

A nutrição no tratamento dessa doença tem a função de auxiliar e promover uma alimentação adequada, evitando carências nutricionais. À medida que a doença evolui, o paciente se torna cada vez mais lento e enrijecido, afetando a capacidade de se alimentar e até mesmo de utilizar os talheres.

Devido a sintomatologia presente, perda de peso involuntário, dificuldades de mastigação e até mesmo a desnutrição, são necessários cuidados nutricionais específicos e a dieta do paciente deve ser sempre elaborada individualmente, visando à manutenção do peso, ingestão de proteínas adequadas (devido à interação farmacológica entre os medicamentos dopaminérgicos e à quantidade excessiva de proteínas), prevenção do controle de constipação (devido à musculatura fraca dos intestinos) e adaptação do paciente que possuir problemas com as mãos e posturais. A alimentação é fator essencial para a promoção, manutenção ou recuperação da saúde. A qualidade e a quantidade dos alimentos ingeridos devem ser avaliadas, pois, a combinação dos dois fatores pode trazer benefícios específicos para o paciente. 

As orientações nutricionais gerais são: 

– Cuidar da hidratação: medir de oito a dez copos de água em uma jarra e oferecer aos poucos durante o dia;

– Manter uma dieta equilibrada que ofereça calorias necessárias e nutrientes adequados, sob orientação de um profissional nutricionista porque a manutenção do peso adequado previne complicações e facilita as atividades do cuidador;

– Administrar a medicação (L-dopa), uma hora após a oferta de alimentos como carnes, leite e derivados, ovos etc., porque a proteína contida neles diminui o efeito da medicação;

– Consumir alimentos mais específicos para a doença de Parkinson, por conterem antioxidantes, aminoácidos, vitaminas e minerais que protegem estruturas neurológicas: abacaxi, kiwi, mamão papaia, morango, maçã, uva, alface, brócolis, castanhas, feijão, gérmen de trigo, leite, nozes, quinoa, sardinha, ovos e soja entre outros; 

– Não consumir carne vermelha e suplementar a dieta com vitamina B2 (prescrita pelo médico), promove a melhora da capacidade motora;

– Para a constipação intestinal, manter a hidratação e consumir alimentos laxantes como: mamão, ameixa, uva, abacaxi, laranja, pera, figo, kiwi, aveia, farelo de trigo, linhaça, chia;

– Usar temperos à base de ervas aromáticas frescas ou desidratadas para acentuar o sabor dos alimentos e estimular o apetite;

– Evitar o consumo de alimentos processados, com alto teor de açúcar e embutidos. 

Renata Dessordi

Renata Dessordi é nutricionista formada pela Universidade de Ribeirão Preto, especialista em Nutrição Clínica e Esportiva. Mestra em Alimentos e Nutrição pela Unesp. Doutoranda em Alimentos e Nutrição pela USP/Unesp. Auriculoterapeuta Francesa.

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