A dieta Low Carb

A dieta Low Carb tem polarizado as opiniões dos profissionais da área da saúde, desde a publicação da dieta do Dr. Atkins em 1972.

Alguns acreditam que essas dietas tratam efetivamente o diabetes mellitus tipo 2 (DM2), a obesidade e a síndrome metabólica. Outros consideram que elas são simplesmente uma moda em conflito com as atuais diretrizes dietéticas globalmente aceitas que defendem dietas com alto teor de carboidratos e baixo teor de gordura para reduzir o risco de doenças cardiovasculares.

A partir dessa concepção e da disseminação que esta dieta vem adquirindo nos dias atuais, torna-se necessário entender melhor seus mecanismo de ação no organismo para controle das doenças crônicas e redução de peso.

Dietas reduzidas em carboidratos são aquelas que têm ingestão de carboidratos abaixo das recomendações dos Guias de Referência de Ingestão (DRIs) (de 45-65% da ingestão total de energia). No entanto, as dietas Low Carb são usualmente definidas como aquelas que restringem a ingestão de carboidratos a 130 g/dia ou menos.

Muitas dietas restritas em carboidratos podem induzir Cetose em algumas pessoas. Embora as respostas individuais variem, a Cetose geralmente ocorre em pessoas que restringem sua ingestão de carboidratos abaixo de 20-50 g/dia com algum grau de restrição de proteína.

Uma vez que o teor de carboidratos da dieta é significativamente reduzido, a proporção relativa de energia derivada de proteína e da gordura aumentam. Na prática, as dietas de Low Carb produzem uma diminuição da fome, mesmo que o consumo calórico total do indivíduo diminua de forma significativa, pois há aumento na ingestão de gorduras que promove maior saciedade.

Portanto, embora a o consumo de gordura aumente isso não leva ao aumento de peso, sendo que deve ser considerado que na dieta Low Carb é incentivado consumo de gorduras boas, como ácidos graxos monoinsaturados.

As dietas Low Carb são definidas pelo alimento que não é ingerido, no caso os carboidratos, embora podemos encontrar variações dependendo do tipo específico de dieta low (Atkins, Banting, Paleolítica, South Beach, etc). Em cada um desses exemplos, o foco consiste em não comer alimentos processados, preferindo vegetais de folhas, castanhas, ovos, peixes, carnes não processadas, produtos lácteos, óleos vegetais naturais (azeite de oliva extra-virgem) e frutas como abacate e coco.

Estudos indicam que todos os tipo de dietas Low Carb (Atkins, Banting, Paleolítica, South Beach) são efetivas na redução de peso corporal em curto prazo, porém observa-se uma recuperação no peso perdido à medida que a aderência à dieta diminui. As pesquisas também indicam que os pacientes que seguiram esses planos dietéticos reduzidos em carboidratos em longo prazo não apresentaram danos à sua saúde.

Na prática, as respostas benéficas a qualquer dieta são inteiramente dependentes do grau de adesão dos pacientes, por isso uma dieta Low Carb só é apropriada para aqueles pacientes motivados a segui-la. Nestes casos, o profissional da saúde pode esperar mudanças positivas em uma série de fatores, como risco cardiovasculares, controle glicêmico e composição corporal.

Simultaneamente, devem ser monitorado as respostas individuais de LDL colesterol e encorajar boas escolhas alimentares, evitando alimentos ultra processados. Assim, a dieta Low Carb pode ser uma opção de perda de peso para alguns pacientes, porém sempre deve ser levado em consideração o histórico clínico do mesmo e se haverá uma boa adesão a esse padrão alimentar.

Autor

Renata Dessordi

Renata Dessordi é nutricionista formada pela Universidade de Ribeirão Preto, especialista em Nutrição Clínica e Esportiva. Mestra em Alimentos e Nutrição pela Unesp. Doutoranda em Alimentos e Nutrição pela USP/Unesp. Auriculoterapeuta Francesa.

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