Ômega 3 e 6: qual é a diferença?

A classificação dos ácidos graxos dependem da constituição da sua cadeia de carbono saturada, sendo assim podem ser monoinsaturados ou poli-insaturados. Dentro dessa última classificação encontram-se os ácidos graxos ômega-3 e ômega-6. Esses ácidos graxos possuem uma cadeia longa – com mais de dezoito átomos de carbono, tendo insaturações numeradas a partir do grupo metil terminal. Desse modo, o ácido linoleico (AL) possui a primeira instauração no carbono 6, e o ácido alfa linolênico (ALA), no carbono 3, dando origem às respectivas nomenclaturas que conhecemos.

A presença desses ácidos graxos na alimentação humana vem de aproximadamente 10.000 anos. Nessa época a proporção de consumo de ambos era 2:1, sendo uma quantidade de ômega 6 e 3 adequadas para o bom funcionamento do organismo. Com o passar dos anos a alimentação foi sofrendo diversas modificações, o que possibilitou um desarranjo nessa proporção de consumo do ômega 6 e do ômega 3. Estima-se que pelo maior consumo dos óleos vegetais (soja, girassol) essa proporção pode chegar a 25:1.

O ácido linoleico ou ômega 6 quando chega ao nosso organismo pode ser utilizado como fonte de energia, pode ser esterificado e formar outros lipídeos (triglicerídeos e fosfolipídios) e também é componente estrutural da membrana celular. Além disso, esse ácido graxo é responsável pela formação do ácido araquidônico que, por sua vez, leva a formação de metabolitos envolvidos na resposta inflamatória. Dessa forma, a falta de equilíbrio nas quantidades ingeridas desse ácido graxo, pode ocasionar uma resposta inflamatória em nosso organismo, sendo que esse é um fator determinante para o aparecimento de doenças crônicas como câncer, diabetes, osteoporose, doença coronariana e desordens mentais.

Em contrapartida, o ômega 3, em especial os ácidos eicosapentaenoico (EPA) e docosaexaenoico (DHA), possuem ação oposta no organismo levando a redução na produção de fatores pró inflamatórios. Os efeitos hipolipidêmicos, antitrombótico, anti-inflamatório do ômega 3 têm sido estudados em modelos animais, em culturas de tecidos e em células.

Estudos indicam que uma proporção adequada no consumo de ômega 3 e 6 pode ser determinante para a redução do risco no aparecimento de doenças coronarianas e outras doenças crônicas ocasionadas pelo aumento dos fatores inflamatórios.

A FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura) coloca que ainda são limitadas as evidências para que se proponha uma razão de ingestão entre ômega 3 e 6, recomendando apenas que a sua ingestão esteja dentro dos valores diários. A Ingestão Diária de Referência (DRI, 2005) para homens adultos de ômegas 3 e 6 são, respectivamente, 1,6 e 1,7g por dia. Uma colher de sopa de óleo de canola ou duas colheres de sopa de óleo de mostarda já são suficientes para atingir a recomendação de ômega 3 diária. Já para o ômega 6, 1 ½ colher de sopa de óleo de amendoim ou de abacate atingem o valor necessário para essa gordura.

Portanto, manter o equilíbrio na ingestão de ambos permite o bom funcionamento do organismo e é capaz de prevenir o aparecimento de algumas doenças crônicas conforme citado acima.

Renata Dessordi

Renata Dessordi é nutricionista formada pela Universidade de Ribeirão Preto, especialista em Nutrição Clínica e Esportiva. Mestra em Alimentos e Nutrição pela Unesp. Doutoranda em Alimentos e Nutrição pela USP/Unesp. Auriculoterapeuta Francesa.

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