Relação da obesidade infantil com a doença renal crônica

A obesidade infantil tornou-se um problema de saúde pública mundial que oferece riscos para o desenvolvimento de doenças como diabetes e hipertensão arterial, que são fatores desencadeantes de doenças renais na vida adulta. Os problemas renais exigem cuidados especiais com a alimentação e em casos mais graves pode ser necessário hemodiálise e transplante do órgão, comprometendo a qualidade de vida da pessoa.

Estudos recentes apontam a relação da obesidade infantil com possíveis problemas renais que surgem na vida adulta. No Censo do ano de 2017 divulgado pela Sociedade Brasileira de Nefrologia, existem em média 126 mil pacientes em diálise no país e aproximadamente 6 mil pacientes que realizaram transplante renal. O índice de mortalidade entre esses pacientes é alto devido a complicações cardiovasculares que acontecem devido aos rins não funcionarem adequadamente.

Segundo as últimas estimativas divulgadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS), aponta que 124 milhões de crianças e adolescentes com idade entre 5 e 19 anos, estão acima do peso. A chance dessas crianças e adolescentes tornarem-se adultos com sobrepeso ou obesidade é grande caso nenhuma medida seja estabelecida. Esses números estão crescendo consideravelmente e estima-se que até o ano de 2022 o mundo terá mais crianças acima do peso do que desnutridas.

O ideal é no momento, encontrar estratégias para reduzir esse problema de saúde pública que onera o sistema e cria pessoas doentes sob o ponto de vista físico e emocional. O fator genético contribui para futuras gerações de obesos (pais com obesidade podem transmitir os genes aos filhos), mas o sedentarismo e a alimentação inadequada são os fatores mais fortes que promovem os problemas de excesso de peso. A grande oferta de alimentos ricos em gordura e açúcares e o excesso de sal, principalmente nos alimentos processados associados à tendência à inatividade física induzida por excesso de uso de computadores, celulares e tablets, contribuem para o ganho de peso progressivo. As comidas mais calóricas – hambúrgueres, refrigerantes, salgados fritos e doces, dentre outros, estão sempre à disposição, podendo ser compradas rapidamente, por valores acessíveis e em qualquer lugar. As famílias precisam chamar para si a responsabilidade de supervisionar a alimentação e de estimular a prática de exercícios e esportes, ser conscientizadas para limitar o tempo diário em TVs, celulares e tablets e mudar a rotina, criando valores em relação ao que é colocado à mesa, estabelecendo uma relação mais saudável com a comida e com o corpo.

Autor

Renata Dessordi

Renata Dessordi é nutricionista formada pela Universidade de Ribeirão Preto, especialista em Nutrição Clínica e Esportiva. Mestra em Alimentos e Nutrição pela Unesp. Doutoranda em Alimentos e Nutrição pela USP/Unesp. Auriculoterapeuta Francesa.

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