Comunicar via tecnologia: um desafio às empresas

Tenho comentado sobre pessoas e tecnologia ao longo dos meus textos na Intertv Web. De fato, é uma realidade quase que imperceptível já que a tecnologia está infiltrada em nossas vidas, como órgão vital. O Brasil é um país com altos índices de acesso a Internet e passamos muitas horas conectados a computadores, TV ou smartphones. Acostumou-se com o intermédio das TIC e com a mudança de produção e recepção de conteúdos. Por isso, hoje trago uma reflexão diferente, sobre empresas e tecnologia.

Da mesma forma que nós, simples cidadãos, trabalhamos com a tecnologia diariamente, as empresas também precisam se ater a esse fato e sobre a necessidade de incorporar em seu cotidiano, a real aplicação da tecnologia para uma fluida comunicação com públicos de interesse, uma vez que ela [a tecnologia] está enraizada nos públicos internos e externos.

Na Comunicação Empresarial, por exemplo, as organizações entendem que existem canais de comunicação para dialogar com seus públicos. Certamente já é de praxe que as organizações coloquem em seu leque de atividades a comunicação mediada pela tecnologia. Em sites, por exemplo, canais com públicos externos, na comunicação interna, a intranet. São comuns para falar com os públicos.

Ocorre que a prática ainda está longe da teoria. Sim, neste caso a teoria da comunicação empresarial ainda está anos à frente do que se pratica hoje em termos de canais de comunicação. As salas de imprensa, por exemplo, espaços onde deveria ocorrer a exposição de temas para possíveis matérias na imprensa, são depósitos de releases, quando existem. Um canal como este pode gerar um bom fluxo de comunicação com a mídia, se bem aproveitado. O relacionamento com a imprensa ocorre muito além da sala de imprensa virtual, certamente. Entretanto, canais como este quando são subutilizados perdem valor comunicativo. Um ponto a menos para a comunicação das empresas.

Outro fato que destaco é a intranet. Canal de circulação para comunicação com o público interno das organizações. Este canal, muito rico em termos de possibilidade, comunicativa em muitos casos acaba também sendo um depósito de informações que nem sempre são úteis ao colaborador e também não estimula o diálogo. A intranet não pode ser uma chuva de informações aos colaboradores, tem que informar e possibilitar o retorno do receptor.

Comunicar simplesmente ou usar a tecnologia para isso, independe de ferramentas, está muito mais ligada à cultura de comunicação das organizações do que a departamentos ou ferramentas inovadoras. Portanto, antes de aventurar em muitos canais sem poder fazê-lo fluir de fato, as organizações precisam se munir de uma cultura comunicacional que faça parte dos processos decisórios de gestão para que os canais aconteçam de forma certeira e recompensadora para ambos – públicos e empresa.

Caroline Petian

É jornalista e doutora em Comunicação e Cibercultura.

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