“Para o Rio Grande do Sul se erguer, irá precisar de tempo, investimento e muita vontade do povo gaúcho”

O cravinhense, Leandro Ferreira, reside em Rio Grande (RS) desde 2022, e foi uma das pessoas atingidas pelas enchentes que assolam o Rio Grande do Sul.

O Estado do Rio Grande do Sul vem sofrendo a sua maior tragédia climática da história. Tudo começou no dia 29 de abril deste ano, quando as chuvas começaram a assolar o estado, fazendo com que mais de 400 municípios gaúchos fossem atingidos, bairros inteiros engolidos por uma chuva constante e que não parava de cair.

Segundo boletim emitido pela Defesa Civil do Rio Grande do Sul, no dia 23 de maio, são 161 mortos, 85 desaparecidos e em torno de 2 milhões e 100 mil pessoas afetadas com as chuvas.

Uma das pessoas que tem sofrido com as fortes chuvas nos municípios gaúchos, é o cravinhense Leandro Cesar Ferreira, 43 anos, que atualmente é diretor do Senai em Rio Grande, Pelotas e Bagé.

Leandro sempre morou em Cravinhos, e se mudou para o Rio Grande do Sul em 2019 residindo até 2022 em São Leopoldo (RS), pois trabalhava como gerente de operações e negócios na UNISINOS. Entre fevereiro e outubro de 2022 voltou a morar em Cravinhos, entretanto no mesmo ano uma nova oportunidade surgiu, para que fosse para Rio Grande (RS), cidade que se encontra até hoje, e que também foi afetada drasticamente pela chuva.

Avenida onde reside o cravinhense Leandro Ferreira em Rio Grande (RS)
Foto: Arquivo Pessoal

“O que aconteceu aqui foi uma verdadeira catástrofe. Tenho muitos colegas que moram na região metropolitana de Porto Alegre e que perderam absolutamente tudo. Assim como é noticiado, muita chuva e os lagos não suportaram tamanha quantidade de água”, comenta Leandro Ferreira.

A cidade de Rio Grande tem em torno de 191,9 mil habitantes, sendo que muitos bairros estão em área de risco, inclusive o que o cravinhense Leandro reside.

“Moro a 300 metros da Lagoa dos Patos e minha sorte é que resido em apartamento (4° andar), por enquanto não tive prejuízos, diferente de alguns colegas”, diz o cravinhense.

Ainda segundo o diretor do Senai, nos últimos dias ele tomou a decisão de ir para um hotel da cidade, em local seguro e fora da zona de risco.

Em Rio Grande, houve um “delay” de mais ou menos sete dias, ou seja, toda água que estava em Porto Alegre, demorou 7 dias para chegar até a Lagoa dos Patos (que fica em Rio Grande), e que é responsável por escoar essa água para o mar.

“O clima é assustador e cansativo, em Porto Alegre. Um sentimento de incerteza de como será a vida, daqui para frente”, diz Leandro Ferreira
Foto: Arquivo Pessoal

“A Defesa Civil teve tempo para solicitar a retirada de todos os moradores. Diferente de Porto Alegre, o vento por aqui, ajuda a escoar essa água para o mar, mas tudo depende muito do vento”, explica Leandro Pereira.

Segundo informação da Prefeitura de Rio Grande (RS), o “vento sul é má notícia, porque ele represa a água da Lagoa dos Patos e a empurra para dentro da cidade. Já o nordeste é positivo nas atuais circunstâncias, porque facilita o escoamento da água para o Oceano Atlântico”.

O cravinhense Leandro Pereira, disse que já tinha passagem comprada para a próxima semana, e voltaria para Cravinhos, onde passaria suas férias, entretanto com o aeroporto de Porto Alegre fechado e o desvio para a Base aérea de Canoas, as férias terão que ser adiadas.

“Minha família mora toda em Cravinhos e se preocupou muito quando começaram a ver as notícias pela televisão. Até voltaria nas próximas semanas para passar minhas férias com eles, mas tudo teve que ser adiado devido a calamidade que está o Rio Grande do Sul, e em especial o aeroporto de Porto Alegre”, conta.

Em Rio Grande, como em todo o estado existem muitos bairros sem energia, postos sem combustível e instabilidade da rede móvel de internet.

Doações e respaldo

O Brasil inteiro tem se mobilizado em ajuda ao Rio Grande do Sul, instituições, ONGs, artistas, políticos, entre outros tem organizado a entrega de doações como roupas, alimentos, água, produtos de higiene etc.

“A mobilização de todos os brasileiros é algo impressionante. Aqui em Rio Grande, temos centenas de pessoas em abrigos. O maior navio de guerra da América Latina, está ancorado aqui no porto de Rio Grande, ajudando aos que mais necessitam”, revela Leandro Pereira.

O Governo Federal tem prometido e liberado auxílio de emergência ao povo gaúcho que foi atingido pelas enchentes, inclusive o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, visitou abrigos e pediu que os Ministros e o Governo do Rio Grande do Sul se unam e possam trabalhar em conjunto para reerguer o Estado e ajudar a população atingida.

“O estado quebrou, e hoje não é possível calcular o valor desses prejuízos”
Foto: Arquivo Pessoal

“Existe um movimento muito grande sendo realizado, que envolve o poder público, isso é evidente. Entretanto, para o Rio Grande do Sul se erguer, irá precisar de tempo, investimento e muita vontade do povo gaúcho”, afirma Leandro.

Somente com o tempo será possível contabilizar os prejuízos, e como o povo gaúcho conseguirá reerguer o Estado com o 5º maior PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil, ficando atrás somente de São Paulo, Rio de Janeiro Minas Gerais e Paraná.

Kennedy Oliveira

É formado em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pelas Faculdades COC (atualmente Estácio). É pós-graduado em Comunicação: linguagens midiáticas, pelo Centro Universitário Barão de Mauá.

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