Gestação e o início da vinculação

Ao descobrir a gravidez, vários sentimentos vêm à tona… Decidir aceitar ou não a gravidez, a forma com que se vivencia a mesma, como se constrói o contato afetivo com o feto, interfere diretamente na vinculação.

A vinculação não acontece de forma automática e imediata, ela tem que ser construída, preferencialmente desde a barriga da mãe, auxiliando nas interações e vinculações. Trata-se de um processo de comunicação tão complexo quanto sutil o que torna possível essa troca íntima e profunda.

A alegria, medo ou rejeição ao perceber que se tornara mãe, a preocupação com a saúde do bebê, sobre o que fez antes de descobrir a gravidez, a aceitação da família, aceitação do pai tendo um relacionamento estável ou não, medo de alguma deficiência que possa aparecer, medo do tipo do parto, o desconforto com a barriga crescendo, náuseas, dores, a possibilidade de um aborto, as mudanças hormonais e físicas… São tantas coisas, tantas mudanças e tantos pensamentos que quando lê-se “positivo”, tudo ou grande parte, terá que mudar…

Quando aceita-se o fato de estar grávida, de ser mãe e toma-se a consciência de cuidar do feto, logo começa-se a imaginar o bebê, iniciando o apego primordial. Ao descobrir o sexo do bebê, logo inicia-se a busca de uma identidade, mesmo antes dele nascer.

Escolher o nome, roupas, montar o quarto, pensar na personalidade, temperamento, se mexe muito, se é mais quieto, conversar, tocar, respirar, sentir como reage a cada sentimento que você mesma tem… Tudo contribui para a relação materno-fetal.

Ao conversar, contar como foi o dia, pedir para ficar mais quietinho, pedir pra mexer ou chutar, cantar, rezar, ouvir música, acariciar a barriga, sonhar com o bebê nos braços, sentir os movimentos, relacioná-los aos sentimentos vividos em determinados momentos, ver a ultrassonografia, ouvir os batimentos cardíacos, entre tantas outras, são forma de estar mais próxima ao bebê, de vincular-se com o feto e pertencer-se mais mãe.

A maneira como a mãe decide vivenciar a fase da gravidez e como constrói o contato afetivo com o feto influenciará sua própria vida e a vida do filho em desenvolvimento. É importante para o bebê de vivenciar uma relação satisfatória e prazerosa de amor e vinculação com a mãe, sendo uma das bases do desenvolvimento da personalidade e saúde mental do feto, ou seja, o amor materno é a expressão afetiva direta da relação positiva com o filho.

O pai, a família, todos tem uma influência direta no processo de interação e vinculação com o bebe, porém é com a mãe que esta troca é mais efetiva e significativa para ambos. É comum dizer que a mãe se dá conta de que será mãe desde o primeiro movimento do bebê em sua barriga, já o pai tem essa percepção no nascimento do bebe, quando o vê e pode tocá-lo.

Assim, são inúmeras as manifestações psicológicas da mãe durante a gravidez, reações que refletem situações conflitantes ante a gravidez, o parto e a maternidade em geral, construindo a vinculação desde o momento que percebe-se a gravidez e decide ser ou não mãe.

Yasmin Paciulo Capato

Yasmin Paciulo Capato é Psicóloga (CRP: 06 / 136448) clínica e atende as especialidade de Psicoterapia, Orientação Vocacional e Psicodiagnóstico na Clínica Vitalli.

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