Grooming

Grooming, termo advindo do inglês, refere-se a “nova” maneira de aliciar crianças e adolescentes através da internet buscando benefícios sexuais. É quando um adulto busca tornar-se amigo de uma criança e/ou adolescente, através da internet, a fim de tentar persuadir a criança a expor seu corpo e até a ter relação sexual.

O grooming tem seu início virtualmente, mas pode transcender este espaço e chegar ao mundo real, transformando crianças e adolescentes em vítimas de tráfico, prostituição, pornografia infantil e qualquer tipo de abuso.

Geralmente o aliciador utiliza os meios online, redes sociais, chats, e-mail, apps de conversas e jogos com interatividade com outro player, fingindo ser alguém da mesma idade, ou próxima, ganhando confiança e fazendo amizade, com o objetivo de pedir imagens e/ou vídeos, e até contato físico para satisfazer-se sexualmente.

Segundo estimativas da Organização das Nações Unidas (ONU), cerca de 1,2 milhões de crianças e adolescentes são vítimas de tráfico em todo o mundo, sendo o terceiro delito mais lucrativo depois do tráfico de drogas e o de armas.

O Fundo das Nações Unidades para a Infância (UNICEF) explica que o aliciamento de menores para fins sexuais pode demorar minutos, horas, dias ou meses, dependendo do objetivo e necessidade do aliciador, bem como a reações dos menores e envolvimento.

sexting grooming

Os aliciadores se envolvem com as vítimas, tornando-se seus amigos, passando-lhes confiança, auxiliando em problemas, conhecendo os gostos, sonhos e desejos dos menores. Utilizando de técnicas sedutoras e conseguem informações pessoais, familiares e sociais. Eles fazem de tudo para se aproximarem de suas vítimas e conquistarem seus objetivos.

Segundo pesquisas realizadas pela ONU, um aliciador chega a ter até 200 conversas com menores de uma vez. Dispondo todo seu tempo e recursos para aliciar as crianças e/ou adolescentes. Uma vez ganhada a confiança, ele começa a chantagear e extorquir suas vítimas com o objetivo de conseguir imagens e vídeos para satisfação pessoal e/ou conseguir encontros.

Mas como saber se o menor está sendo vítima do grooming? Dialogo, informação, abertura e supervisão são meios para evitar um possível abuso.

Buscar saber sobre o tema e conversar são os passos iniciais. É essencial ajudar a divulgar começando pela própria família. Uma conversa aberta, considerando a idade do menor e sua compreensão, orientação com toda a família e até a escola auxiliam na conscientização e prevenção do envolvimento de menores com pessoas que ele não conheça.

grooming

Proibir não é o caminho. Você conhece aquele ditado “Proibido é mais gostoso”, não conhece?! Então. A tecnologia está cada vez mais presente, e com ela a internet é o “par-perfeito” que está por todos os lugares, hoje a geração já nasce “conectada”. As crianças e adolescentes tem acesso em qualquer lugar e de várias formas.

Ficar atento a alguns sinais, também podem ajudar na prevenção do grooming. Se o menor está cada vez mais reservado, se ele muda de janela quando um responsável chega, se evita conversas ou não deixa um responsável ter acesso aos seus meios de comunicação é necessário uma conversa aberta.

Acessar conteúdos pornográficos, ter conversas ilícitas com outros, trocar informações, mandar “nudes”, estar atrás de drogas, e quaisquer outras coisas que dentro da família são consideradas proibidas, podem ser o motivo da mudança de comportamento, mas também estar sendo vítima de grooming.

Quando a criança e/ou adolescente possuem amigos online ou amigos adultos, é necessário identificar de qual círculo sociais estes fazem parte, os conteúdos das conversas, o nível de envolvimento e se há possibilidades de encontros.

Quando o menor sair de casa é importante saber onde ele estará, com quem e por quanto tempo. Por mais que pareça chato, uma preocupação excessiva ou até mesmo “neura”, esta é uma forma de prevenir que algo ruim aconteça.

Mudanças de comportamento também podem significar que algo está errado. Isolamento, tristeza, medo, inquietação ou qualquer outra alteração comportamental, sente e converse sobre o que pode estar acontecendo, demostrando abertura, compreensão e vontade de ajudar.

Uma das formas de sedução pelos grooming são os envios de presentes. Ficar atento se o menor não aparece com itens sem saber a origem também ajudam na prevenção.

Há a necessidade de avaliação por parte dos pais e/ou responsáveis se o menor tem maturidade para ter acesso aos meios de internet e se o mesmo consegue perceber riscos e/ou questões que possam ser prejudiciais a eles.

O melhor caminho é ganhar a confiança e ter supervisão sobre os conteúdos, conversas e relacionamento dos menores com acompanhamento e supervisão. É importante que eles saibam sobre os riscos e que podem contar sobre qualquer situação sem serem punidos e que terão apoio.

Ajudar no amadurecimento e responsabilidade, atribuindo tarefas, demonstrando confiança e abertura para qualquer assunto. Orientar sobre a nudez, explicar o porquê não se deve enviar fotos e vídeos com o próprio corpo a mostra, uso da webcam, passar informações pessoais, e outros desses assuntos já começam a estabelecer uma relação de confiança e compreensão.

Caso a criança e/ou o adolescente venha conversar sobre algum tipo de abuso, conversa , ameaça ou qualquer assunto relacionado ao cunho sexual, ouça atentamente, mostre-se aberto e não o culpe ou brigue com ele.

Confirme o que está sendo dito, em caso positivo, cortar contato imediato, salvar conversas e contato e denunciar para a polícia cibernética* ou para as autoridades competentes de sua cidade.

Após tomar as providencias adequadas, converse com o menor e explique o porquê o grooming pode ter ocorrido, auxiliando para que não aconteça novamente, e mostrando também as possíveis consequências que poderiam ter ocorrido de ele não tivesse contado e vocês tivessem tomado as devidas providencias.

O grooming é crime que pode render até mais de 10 anos de prisão para o adulto que aliciar, instigar ou constranger o menor em troca de benefícios sexuais. A corrupção de menores pode-se referir há dois tipos de penais, Código Penal Brasileiro e Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Cuide, zele, denuncie!

*site da Policia Cibernética

Autor

Yasmin Paciulo Capato

Yasmin Paciulo Capato é Psicóloga (CRP: 06 / 136448) clínica e atende as especialidade de Psicoterapia, Orientação Vocacional e Psicodiagnóstico na Clínica Vitalli.

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