Homossexualidade

Como tantos outros assuntos, vimos que a sexualidade humana é um grande tabu, surge um grande desconforto em ter que conversar ou refletir sobre este tema, e confunde-se formas de expressão e escolha como apologias. Mesmo após 27 anos de a Organização Mundial da Saúde (OMS) ter desconsiderado a homossexualidade como doença, ela ainda é um tabu em nossa sociedade, tanto para a pessoa que se descobre homossexual, como principalmente para aqueles que vivem com pessoas desta orientação sexual e alguns que acreditam que podem julgar e opinar na orientação de cada um.

Hoje não utilizamos mais as expressões opção ou escolha sexual, pois sabe-se que não é a pessoa quem escolhe. Há um desejo e uma necessidade de satisfazer este desejo, ele apenas acontece, e sua satisfação se dá depois da interação com homem ou mulher, seja qual for seu sexo biológico. Não há interferências do meio, familiar ou social, a orientação sexual é puramente pessoal e você simplesmente, sim simplesmente, é homossexual, heterossexual ou bissexual.

A homossexualidade é um processo natural, ela simplesmente acontece como qualquer outra coisa na natureza, e todos as espécies a praticam. A ideia equivocada de que há algo errado é que cria preconceito social e traz a ideia errônea de que não deveria acontecer. É importante entender que antes de lidar com a aceitação ou rejeição familiar e social, precisa-se primeiro descobrir-se e auto aceitar, que pode ser um caminho natural e claro ou um caminho difícil e turvo.

Geralmente ao descobrir-se homossexual tem-se um choque, pois não é o que a nossa sociedade coloca como “o esperado”. Algumas pessoas aceitam sua sexualidade um pouco mais rápido que outras, tratam com naturalidade e aos poucos compreendem sua orientação e percebem que ela dá o sentido às escolhas sexuais e satisfação dos desejos. Outras pessoas tratam sua orientação com rejeição, tentando mudá-la, podendo percorrer um caminho doloroso.

Inicialmente tem-se uma conscientização de identidade na qual se começa a perceber que há sentimentos diferentes da maioria, depois há a comparação de identidade que compara-se as crenças sociais em convergência ou divergência aos próprios e explora-se os sentimentos. Em seguida a tolerância da identidade de perceber-se homossexual e o que fazer com esta descoberta, e logo após a aceitação da identidade percebendo os sentimentos e desejos e buscando lugares e pessoas que tragam a sensação de pertencimento e aceitação de sua orientação. Muitas vezes é na aceitação que homossexuais rebelam-se contra si mesmo, e buscam tratamento para algo que não se é uma escolha, desta forma não tem como ser alterada.

Ao procurar a terapia em relação a orientação sexual, o psicólogo tem o papel de esclarecer o que é a orientação sexual e a homossexualidade (não é doença, opção, ideia, resultado de alguma acontecimento, ou coisas do tipo), mas sim algo que vem de si próprio. Trabalha-se o autoconhecimento, a auto aceitação e o enfrentamento familiar e social diante a orientação.

Faremos um parênteses neste momento. Lembra-se da confusão sobre a Resolução do CFP nº 001/99 e o posicionamento sobre a tal “Cura Gay”? O Juiz do caso quis mostrar que deve-se ter uma liberdade de estudos e posicionamentos diante questões homossexuais cabendo ao profissional posicionar-se diante isto, porém provado que não há uma doença, que não é uma escolha, e que não há causas que possam mudar a orientação de cada indivíduo, o único tratamento possível oferecido é o respeito à livre orientação sexual dos indivíduos e o apoio à elaboração de formas de enfrentamento no lidar com as realidades sociais de maneira integrada, sendo dever do profissional de Psicologia fornecer subsídios que levem à felicidade e o bem-estar das pessoas considerando sua orientação sexual. Lembre-se se não é doença e não é uma escolha, não há o que ser tratado, mas sim compreendido e aceito.

Compreendendo e aceitando os sentimentos e desejos, há o orgulho da identidade. Revolta contra pais, sociedade, religião ou qualquer coisa que julga erroneamente a homossexualidade ficam presentes nesta etapa, busca-se explorar a sexualidade descoberta e aderir ao estilo homossexual, mostrando que gays e/ou lésbicas são como quaisquer outras pessoas. E por fim a síntese da identidade, passasse a se ver além da orientação, aceita-se por completo, como pais, filhos, trabalhadores, cidadãos, como pessoas completas.

Orientação sexual não determina valor ou caráter, a orientação sexual é uma qualidade que vai interferir e significar a vida de quem a possui. Todas as pessoas são diferentes, em consequência as escolhas, orientação e posicionamento diante de muitas coisas e assuntos, mostrando apenas que o diferente é normal e o que realmente importa é a forma como se vê e aceita-se. O que importa é ser feliz, realizado e respeitar o outro.

Yasmin Paciulo Capato

Yasmin Paciulo Capato é Psicóloga (CRP: 06 / 136448) clínica e atende as especialidade de Psicoterapia, Orientação Vocacional e Psicodiagnóstico na Clínica Vitalli.

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