Os 4 D’s – Depressão, desesperança, desamparo e desespero

Depressão, desesperança, desamparo e desespero, estes são os 4 D’s que são constantes na vida de uma pessoa depressiva e que pensa em cometer suicídio. Como se não bastasse a própria depressão, ainda tem-se mais 3 sentimentos devastadores e perturbadores que são presentes durante o processo depressivo que levam as ideias e pensamentos suicidas, o planejamento e a execução.

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Inicia-se com a imaginação ou contemplação da ideia suicida, depois em um plano em como realizar o suicido em si, sejam eles realísticos ou imaginários, chegando até a ação destrutiva da vida completa. Contudo, não podemos esquecer que o resultado de um ato suicida depende de uma multiplicidade de variáveis que nem sempre envolve planejamento para haver a execução.

Geralmente, quando encontra-se em risco de suicídio, além dos 4 D’s de sentimentos, encontra-se 3 características: Ambivalência, impulsividade e rigidez/constrição.

A ambivalência está relacionada ao desejo de eliminar a dor, mas em contra partida o desejo de viver. Muitas vezes os problemas de suas vidas parecem intermináveis e sem solução, levando ao pensamento de morte, porém ainda há uma pequena esperança no viver e na realização de metas antes traçadas, causando essa dualidade interna. Trabalhar esse desejo de vida, será um dos fatores que possibilitará a prevenção ao suicídio. Apoio emocional, importância de tratamento adequado e enfatizar o desejo de viver serão importantíssimos aliados contra o ato suicida.

A impulsividade relaciona-se ao ato imediato, sem reflexão de pôr fim ao sofrimento que dominou todo o corpo naquele momento. Geralmente esta impulsividade vem relacionada à uma crise muito forte e a fatores negativos que aconteceram ao longo do dia. Como qualquer outro impulso, o impulso de cometer suicídio pode ser transitório e durar alguns minutos ou horas. Nessas horas é necessário acalmar a crise e diminuir sua intensidade, e manter a pessoa em supervisão integral até o impulso acabar.

A constrição é a forma com que o estado cognitivo da pessoa fica, a consciência passa a funcionar de forma dicotômica, ou é tudo ou é nada. O suicídio é visto como a única maneira de solução e eliminação da dor, ficam presas a apenas uma forma de pensamento, sendo necessário mostrar outras formas de solução, buscando conscientizar as pessoas sobre outras possibilidades e superação.

A maioria das intenções suicidas é comunicada por quem pretende comete-la. Frequentemente são dados sinais de que “as coisas não estão bem”, mudam-se os comportamentos sociais, perde-se desejo e prazer, geralmente fazem comentários sobre “querer morrer”, “sentimento de não valer pra nada” e “não ter mais sentido em nada”. São através dessas falas, comportamentos e os 4 D’S que notamos o risco de suicídio e investigamos cuidadosamente as reais possibilidades de vir a acontecer.

Quando um profissional da saúde questiona um paciente sobre suicídio, de forma adequada, clara e disposto a conversar sobre e dar ou indicar apoio necessário para enfrentamento da questão e superação, ele não aumentará o risco de cometer o ato. A vinculação irá fortalecer-se e se houver um risco real, este poderá ser reduzido com uma conversa aberta e clara, encaminhando para tratamento adequado.

Qualquer ameaça de suicídio deve ser levada a sério, não pense que é manipulação ou frescura, chegar a esse tipo de recurso indica que a pessoa está em um grande sofrimento psíquico e precisa de ajuda.

Quem quer se matar, não se mata mesmo. É necessário evitar os suicídios que podem ser evitados. Quem “quer se matar”, avisa sim. Dois terços das pessoas que cometeram atos suicidas indicavam frases de alertas e apresentavam os 4 D’s. Isso é muito pessoal e vai da forma que cada pessoa enfrenta seus problemas e interage com os demais.

O suicídio não é um ato de covardia ou de coragem, o que dirige a ação auto-inflingida é uma dor psíquica insuportável e não uma atitude de covardia ou coragem.

Quando um pessoa disser que ela está cansada da vida, ou que não há mais sentido para ela viver, dar lições de moral, contar sobre casos “piores” (cada um sabe o que é o seu pior) ou simplesmente rejeitá-las ou ignorá-las não ajudará.

É necessário dispor-se de tempo, atenção e ter uma disponibilidade interna, além do sentimento de humanidade. Ouvir ativamente, oferecer apoio, mostrar que ainda há esperanças, e que um tratamento adequado trará mudanças positivas são os principais passos.

O objetivo é minimizar os sentimentos dos D’s (Depressão, desesperança, desamparo e desespero). É necessário preencher a lacuna criada pela desconfiança, pelo desespero e pela perda de esperança e dar à pessoa a esperança de que as coisas podem mudar para melhor.

Ouvir com cordialidade, falar em seu tempo, tratar com respeito, ser humano e empático com as emoções. Uma abordagem calma, aberta, de aceitação e de não-julgamento são fundamentais para facilitar a comunicação e poder ajudar a pessoa que está precisando.

Não tenha medo, peça ajuda ou ajude, os profissionais da saúde mental estão aqui para amparar e auxiliar durante todo processo, visando minimização e/ou extinção de sintomas, recuperação da autoestima e do gozo pela vida, bem como melhora da qualidade de vida e vislumbre de novos planos e perspectivas. Se cuide, cuide de quem precisa, ofereça e procure ajuda. A vida é um presente, e podemos usufruí-la de várias formas. Converse, viva.

Yasmin Paciulo Capato

Yasmin Paciulo Capato é Psicóloga (CRP: 06 / 136448) clínica e atende as especialidade de Psicoterapia, Orientação Vocacional e Psicodiagnóstico na Clínica Vitalli.

Um comentário em “Os 4 D’s – Depressão, desesperança, desamparo e desespero

  • 20 de setembro de 2018 em 13:50
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    Queria o indereço da clínica

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