Os “enta” chegaram

E ai a “meia idade” chegou. É a hora em que entramos nos “enta” e dificilmente viveremos para “sair” dele… Uma vez nos quarENTA, temos uma longa jornada ainda a percorrer. Independente do tempo, uma coisa é certa, os “enta” estarão conosco por este longo caminho ainda.

Nomeamos “meia idade” a faixa etária entre 40 a 65 anos. Entretanto as coisas tem mudado e alguns pesquisadores já discutem a faixa entre os 35 a 58 anos. Com a longevidade aumentando, outros dizem que a tal da “meia idade” inicia-se apenas após os 55 anos, mas ainda não há um consenso.

Muitos sentem que a juventude não o acompanha mais e idade “está chegando”, lembra-se de tudo o que fez como algo distante e vê o “limite” da vida chegando. Toma-se consciência da passagem da própria juventude e da iminência da velhice, possivelmente você está adentrado a meia idade.

Geralmente é nesta idade que realiza-se um movimento interno no qual a pessoa resume e reavalia a própria vida. É realizado uma auto avaliação, em que se reflete sobre das conquistas, sonhos, ideais e o que é ou não realidade, e se está satisfeito ou insatisfeito com o caminho percorrido até aqui.

Calarussso complementa ainda que “a transição [na meia idade] consiste numa avaliação intrapsíquica de todos os aspectos da vida, precipitada pelo reconhecimento crescente de que ela é finita. Essa transição passa pela reavaliação de diversos aspectos da vida, pela necessidade de tomar decisões para a manutenção de estruturas como o casamento, a família, as amizades e a carreira, que foram construídas ao longo dos anos.”

A sensação de desvalia, incapacidade ou baixa autoestima devido as frustrações decorrentes dos objetivos não atingidos durante a vida, podem gerar uma crise emocional, e de repente você encontra-se passando pela famosa “Crise da meia idade”, ou a “Crise dos Enta’s”.   

É na meia idade que ocorre o climatério (perda e/ou diminuição da capacidade reprodutiva) e uma perda gradativa no funcionamento físico e mental. Em relações familiares, em muitos casos é necessário lidar com os filhos que estão crescendo e/ou saindo de casa e com os pais que já estão idosos e precisam de um cuidado especial, e em alguns casos cabe lidar também com os netos. A proximidade da aposentadoria também acontece e muitas vezes nessa etapa os relacionamentos são colocados em “cheque”.

Consideramos que na “primeira etapa da vida” canaliza-se as forças e energias para o mundo externo, trabalhando, definindo a carreira, profissão, conquistando e relacionando, criando condições para nossa sobrevivência de forma segura. Na “segunda etapa da vida”, voltamos nossa energia psíquica para o mundo interno, revisando nossas crenças, atitudes, valores e identidade, reavaliando nossa vida como um todo, as escolhas feitas até o momento, e o que queremos a partir daqui.

A identidade de si mesmo, e dos outros, começa a fica clara. A noção de si mesmo, contrapõe-se as noções dos outros, reconhecendo a relevância dos acúmulos das experiências vividas, tornando-se mais seletivo e tomando parte nas mais diversas situações. Começa-se a analisar e ver o que faz importância, e o que queremos ou não para o futuro.

Basicamente essa tal crise seria a condição cognitiva e emocional para a busca de conciliação entre a vida já vivida e a que se deseja viver e a atitude de cada um diante esta vivencia muda de acordo com sua maturidade.

Essa crise/mudança/transformação ocorre cada uma ao seu tempo, e a intensidade muda de pessoa para pessoa. Não é porque você fez quarenta que irá resignificar toda sua vida, porém não é porque ainda não está nessa idade que não pode se auto significar.

Em nossa cultura é comum, frequente e visível, passar por este processo de reflexão e reavaliação da própria vida, talvez pela velhice nos assustar, pelos padrões de beleza estarem em alta, ou qualquer outro motivo, porém em outras culturas esta mesma faixa etária pode ser vista de forma diferente e não ter-se a tal crise.

É importante notar a intensidade que essa necessidade de reavaliação e transformação acontece e o quão sabe-se lidar com ela. As vezes a mudança ocorre de forma tão natural que mal percebe-se que algo aconteceu, mas as vezes é tão impactante e dolorosa que é necessário ajuda. Fique de olho, e lembre-se, todos passaremos por isso, envelhecer faz parte da vida, e significa que já vivemos muitas coisas para chegar nesta fase.

Yasmin Paciulo Capato

Yasmin Paciulo Capato é Psicóloga (CRP: 06 / 136448) clínica e atende as especialidade de Psicoterapia, Orientação Vocacional e Psicodiagnóstico na Clínica Vitalli.

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