Tecnologia e namofobia

Quantas vezes você já verificou seu celular hoje? Você o leva para todo e qualquer lugar que vai? Se você ouve um barulho de notificação, você vê quando tiver tempo ou para imediatamente para verificar o que foi? Quando o celular fica sem sinal ou sem internet, já fica preocupado?

Com nossa vida tecnológica, cada vez mais ficamos dependente de um pequeno aparelho, para muitos é a ferramenta principal para o trabalho, mas se não você não consegue se “desligar” do aparelho, fica angustiado quando o esquece em casa, a bateria está acabando, não consegue se controlar para ver notificações ou precisa de internet a todo momento, cuidado, isto pode significar Namofobia.

A expressão Namofobia foi criada na Inglaterra em 2008, palavra abreviada de “No Mobile phone phobia” e “no-mo ou no-móbile”, caracterizando a fobia de ficar sem celular, causando uma forte angústia causada pela incapacidade de comunicação por meio de aparelhos celulares, computadores ou internet.

Viver sem celular está praticamente “impossível ou proibido”. Ele é a forma de comunicação mais utilizada, tendo funções que antes era exclusivas de computadores. Hoje você consegue acessar e-mails, fazer documentos e várias outras coisas através do aparelho celular. Você conhece alguém que não possui um celular? Ou quantas pessoas você conhece que ainda não aderiram ao famoso APP “Whats Zap”? Hoje é mais fácil ligar ou mandar um “Zap” ou fazer um pedido por um APP?

A dependência de pode ser apenas da internet, do aparelho celular ou de todas as ferramentas interligadas a tecnologia, tais como os MP3 Players, aparelhos de jogos de mesa/portáteis, computadores, notebooks… tudo que haja uma interação virtual com algo ou alguém.

A empresa chamada SecurEnvoy realizou uma pesquisa e mostrou que 66% dos ingleses sofrem de nomofobia e têm medo de perder o telefone celular. Já a revista “Time” e a “Qualcomm” constataram que em diversos países, mais de 79% das 5 mil pessoas entrevistadas, sentem-se mal sem o aparelho, e que no Brasil mais de 58% dos entrevistados afirmaram que usam o celular a cada 30 minutos e 35% a cada 10 minutos.

Outra pesquisa em doutorado, realizado no Brasil sobre o tema, mostrou que  34% dos entrevistados, que não apresentavam quaisquer problemas psicológicos, afirmaram ter alto grau de ansiedade sem o telefone por perto, e 54% disseram ter “pavor” de passar mal na rua sem o celular. Geralmente a alta frequência do uso está relacionado a pessoas entre os 18 e 24 anos.

O ser humano vive em busca se significações, sentido e contato para sua vida, é esta busca que o torna humano, é como demostramos nossa humanidade. A falta de sentido na vida, causa uma busca desesperada por formas e meios que nos tragam tal um significado, e considerando a nossa sociedade atual, qual a melhor forma de comunicar-se, interagir e significar nossas vidas?

Virtualmente encontramos a gratificação e a satisfação de qualquer necessidade que apresentemos. Pela tecnologia e pela internet fazemos amizades, podemos desabafar, reclamar, receber e dar conselhos, interagir, passar tempo, ter lazer, relacionamentos amorosos e tantas coisas a mais que ante só era possível por uma ligação ou o antigo contato “frente e frente”.

Tal fenômeno de “comportamento compulsivo possibilitado pela internet” ou “compulsão de mídia digital”  representação de sentimentos e pensamentos causados pelo excesso de inter-relação entre homem e a tecnologia, trazendo a perda do contato com o outro, empobrecendo o “ser” e a supervalorização o “ter”.

O namofobico apresenta taquicardias, suores frios, sensação de vazio e falta de parte de si. Ele para tudo o que está fazendo, por mais importante que seja, para ver a notificação ou atender uma ligação. Fica angustiado sem receber nada no celular, anda com o aparelho na mão e o leva a qualquer lugar, seja em trabalhos, aulas, idas ao mercado, caminhada, festas, quarto, banheiro e até mesmo na hora do sexo. Prefere-se ficar em casa utilizando a tecnologias e os aparelhos eletrônicos do que sair, interagir com pessoas e amigos, ou quando está com eles, fica o tempo todo focado no celular, tablete ou qualquer outro eletroeletrônico.

Apesar de recente, e ainda estar sendo estudada, a namofobia é identificada sempre que uma pessoa fica irritada, passa mal ou fica extremamente angustiada diante da impossibilidade de se comunicar ou se conectar a um aparelho tecnológico utilizado para comunicação. Existem pessoas, que mesmo não dependendo da tecnologia incessantemente para o trabalho, portam vários aparelhos ao mesmo tempo para não ficarem sem bateria e outras possuem diversos chips evitando ficar sem área.

O mau uso da tecnologia, juntamente com a desvalorização das relações pessoais e interacionais presencias e as alterações emocionais na vida atual, podem gerar a perda de controle sobre o uso dos eletrônicos, aumentando a intensidade e a disponibilidade das ferramentas tecnológicas. Identificação do transtorno, terapia adequada e formas alternativas de interações relacionais, bem com significação da vivencia são as formas de tratamentos adequadas para a Namofobia, que a cada dia tende a crescer com a vida tecnologia e a dependência.

Autor

Yasmin Paciulo Capato

Yasmin Paciulo Capato é Psicóloga (CRP: 06 / 136448) clínica e atende as especialidade de Psicoterapia, Orientação Vocacional e Psicodiagnóstico na Clínica Vitalli.

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