Travestilidade

Existem várias formas de expressão de gênero e viver a sexualidade em si. Quando não se assume o sexo biológico (corpo físico) busca-se o prazer em se vestir como o sexo oposto, e nomeamos isto como travestilidade.

Quando falamos em travesti, logo pensamos em homens que se vestem como mulheres, porém o travesti pode ser homem ou mulher que não tem uma identificação com seu sexo biológico. Não se sentem 100% pertencentes nem ao grupo feminino, nem ao grupo masculino, indo além, mudando vestimenta, acessórios e maquiagem que corresponda a sua identidade de gênero.

A palavra travesti provém do italiano e originariamente, há muitos séculos, se referia à pessoa que vestia roupas do sexo contrário, entretanto, a travestilidade vai além de uma simples mudança de imagem.

Uma pessoa biologicamente masculina que, através da utilização de artifícios, molda seu corpo com características ideologicamente associadas ao feminino, ou uma pessoa biologicamente feminina, que molda seu corpo com características ideologicamente associadas ao masculino.

Há travestis homossexuais, bissexuais ou heterossexuais, sua orientação sexual nada tem a ver com sua identidade de gênero, por isso que a travestilidade não pode ser explicada com uma simples definição, e possui várias maneiras de ser entendida.

Homens e mulheres travestis não renunciam ao seu sexo biológico, eles são os dois, homens e mulheres em um mesmo corpo. Os travestis rompem com os padrões heteronormativos e com a masculinidade ou feminilidades, criando um novo modo de ser e agir, próprio do travesti feminino ou masculino.

Alguns estudos apontam que o ato de se travestir está relacionado a um fetiche. Busca-se parecer fisicamente com o sexo oposto através de meios estéticos e de técnicas corporais que distanciam dos padrões do sexo biológico, demostrando comportamentos do sexo oposto. Porém, há diferenciação entre o transvestir-se e o transformismo.

No transformismo a pessoa se disfarça daquilo que não é, de maneira a apresentar um espetáculo baseado na sua mudança de imagem. Seu objetivo é o de mudar sua aparência em busca do espetáculo, da apresentação, e até no ganho financeiro em si, sem se identificar com o gênero ao qual está representando. Já os travestis são uma construção simbólica daquilo que eles se identificam (identidade de gênero), sem deixar de lado o que são (sexo biológico).

O corpo não é, portanto um objeto. A sua unidade é sempre implícita e confusa. Ele é sempre outra coisa que não ele próprio. É no corpo e pelo corpo que tudo vive” (Merleau-Ponty, 2006, p. 208).

Podemos então compreender que o travesti não pretende representar um papel social em si, mas sim a busca do sentir-se diferente em relação à sua imagem ou identidade sexual. Independente de qual seja sua abordagem no mundo trans, a manifestação da sexualidade é a forma de expressarem sua personalidade e a  identidade de gênero que lhe trazem sentido a vida.

 

Yasmin Paciulo Capato

Yasmin Paciulo Capato é Psicóloga (CRP: 06 / 136448) clínica e atende as especialidade de Psicoterapia, Orientação Vocacional e Psicodiagnóstico na Clínica Vitalli.

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