Um futuro interrompido

Assunto polêmico, um tabu, o suicídio ainda hoje é um tema que deixam muitos de cabelos em pé, mas porquê?!

Medo de incentivar, receio de não conseguir falar sobre a morte e o morrer, falta de consciência sobre o tema, medo de ser interpretado erroneamente, falta de confiança… Não se sabe ao certo, mas é necessário falar sobre para desmistificarmos o assunto e lutarmos contra esta séria decisão que leva uma pessoa a tirar a própria vida em busca de uma solução.

O suicídio é muito mais frequente e comum do que pensamos, muitos pensamentos suicidas não são relatados, muitas mortes não são consideradas como suicídio dependendo da forma como aconteceu, alguns tentam mas são socorridos a tempo, e outros vão parar no hospital e não contam o que realmente aconteceu.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) o suicídio é responsável por uma morte a cada 40 segundos no mundo todo, contabilizando mais de um milhão de casos por ano e em média 32 brasileiros morrem vítimas do suicídio e deste um milhão de casos que chegam a óbito, cerca de dez a vinte milhões tentaram o suicídio.

É necessário quebrar tabus, derrubar barreiras, perder o medo de falar e compartilhar mais sobre o tema buscando tenta diminuir os casos e informar a população sobre o que é, o que faz e como ajudar e tratar.

O suicídio é um gesto de auto destruição que busca um alívio ou extinção da dor e sofrimento que quem o comete vem sentindo. Pessoas de todas idades e classes sociais cometem o ato que tem graves implicações sociais e impacta diretamente cerca de 6 a 10 pessoas se relacionavam com a pessoa que o cometeu.

Todos temos nossos impulsos de vida e morte, e pensar em suicídio é algo natural, no qual se tem uma possibilidade de escolha, porém tomar a decisão de tirar a própria vida e ter impulso para cometer tal ato são mais comuns nas pessoas que estão fragilizadas, exaustas e esgotadas emocionalmente.

Não é fácil tomar a decisão de se matar. No momento em que as ideias suicidas começam a rondar a pessoa, ela envolve vários sentimentos e ideias conflituosos, há uma ambivalência dentro dela, a de querer viver, de superar as questões que estão incomodando tanto e ter a vida que antes era conhecida, e a de extinguir o sofrimento imediatamente, sem forças para lutar mais.

Quem tenta suicídio, grita por ajuda. Cada crise tem duração maior ou menor depende da pessoa ou o caso. Geralmente quem comete suicídio está passando por algum transtorno mental, como a depressão (simples ou bipolar como já tratada em artigos anteriores), dependência química de álcool e drogas e a abstinência, esquizofrenia e transtornos de personalidade. Independente do transtorno e gravidade, todos precisam de ajuda.

Mesmo pensando em tirar a própria vida a pessoa ainda sente vontade de viver por pior que seja o sofrimento que está passando. O desespero e a crise para acabar com o sofrimento vêm de forma inesperada e tomam conta da pessoa. Aceitar que está nesta situação é muito doloroso, principalmente pedir ajuda, então se ela está pedindo ajuda, precisa falar sobre o que está passando e mostra-se ainda disposta a lutar pela própria vida é um passo imenso diante tanto sofrimento. Lembre-se, quem tenta o suicídio, pede ajuda!

Encontrar alguém pra compartilhar a luta pela vida, ter alguém para desabafar, pedir ajuda quando preciso e que busca compreender os sentimentos e sofrimento que está passando, fortalece as intenções de viver e se cuidar visando a eliminação das crises que levam a pessoa a tentar o suicídio.

Segundo a OMS, cerca de 90% dos casos de suicídios poderiam ser evitados e prevenidos com condições mínimas de oferta de ajuda voluntaria e profissional além de apoio e tratamento adequado para os transtornos em que o suicídio acomete. Isso resultaria em cerca de novecentas mil pessoa salvas.

Quando a pessoa que está pensando em suicídio e encontra-se em crise, que é quando tenta cometê-lo, esta pode receber ajuda preventiva ou oferta de socorro e reverter a situação. Não importa de onde vêm o apoio ou o local, é necessário ajudar e buscar prevenir que o suicídio aconteça.

Uma questão complexa, que envolve questões demográficas, populacionais e problemas sociais, o suicídio é visto como um assunto proibido e uma agressão a várias crenças religiosas. Em uma sociedade onde a competição, agressão e insensibilidade estão cada dia mais presentes, transtornos emocionais são ainda mais presentes.

O suicida é visto por muitos como fraco e fracassado, mas mal se sabe que para cometer o ato de tirar a própria vida a pessoa tem que estar em um sofrimento terrível e é mais corajosa que muitos, mesmo que está coragem não seja boa e/ou saudável.

Raras são as pessoas que conseguem elaborar e refletir acerca da morte e do processo de morrer, então pedir ajuda por querer executar-se e conseguir ajudar alguém quer eliminar o sofrimento esta forma, são desafios muito grandes. Desta forma ler e falar sobre o assunto é como podemos nos preparar para poder ajudar o outro e tentar compreender o que acontece quando busca-se essa saída.

Falar é a melhor solução, buscar ajuda é necessário e você não é pior ou mais fraco por isso, pelo contrário, só de perceber que precisa de ajuda, e optou por lutar pela vida, você já é vitorioso.

Além de necessidade de elaboração de políticas públicas efetivas para a prevenção do suicídio, desmitificação do tema através de debates, palestrar e conversas, é necessário a coordenação e colaboração entre os múltiplos setores da sociedade (saúde, educação, trabalho, agricultura, negócios, justiça, lei, defesa, política e mídia) além do sentimento humanitário que está entrando em extinção em nossa sociedade.

Yasmin Paciulo Capato

Yasmin Paciulo Capato é Psicóloga (CRP: 06 / 136448) clínica e atende as especialidade de Psicoterapia, Orientação Vocacional e Psicodiagnóstico na Clínica Vitalli.

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