Deve, nega e não paga

Desde criança assisto aos episódios do Chaves e, desde lá, o Seu Madruga deve o aluguel. Nunca pagou. Morro de pena do senhor Barriga, que além de ser recepcionado, toda vez, com uma dolorosa surpresa, há décadas cobra somente 14 meses de aluguel atrasado. Nunca despejou seu inquilino caloteiro junto de sua filha. Que coração bom! Sempre perdoa um mês, mais outro e mais outros.

Seu madruga não gosta de pegar no batente, mas tem a vantagem de ser engraçado. Ele é tolerável, apesar de tudo. O que não dá pra falar dos caloteiros da vida real.

Quanta gente caloteira se vê por aí!

Essas pessoas configuram um grupo não adepto à vergonha na cara. Sabem que não vão pagar e ainda assim compram. Além de ostentar.

Deus não esqueceu em mim o talento para lidar com comércio. Eu não teria paciência, tampouco educação. Acredito que sairia no braço com um ser dessa natureza. Não seria tão paciente e compreensível quanto o senhor Barriga.

Esse tipo de mau pagador se faz sempre de desentendido quando é cobrado. Inventa mil desculpas do tipo “não recebi”, “meu cartão está sem limite” ou “me dá mais uns dias?”, ou, simplesmente, afirma que não comprou, briga pra defender seu lado, muda de cidade ou ainda ameaça a processar o credor por danos morais.

Fico até sensibilizada com tamanho descaramento!

Quem vende quer receber. Quem compra tem dever de pagar. Simples assim.

Não é pecado dever, gente. Imprevistos acontecem com todo mundo. Pode ser desemprego, dinheiro destinado a alguma emergência ou talvez uma falha na administração financeira mesmo. Tudo isso pode acarretar na desorganização das contas.

Mas como é que uma pessoa é capaz de comprar calcinha e não pagar?

Eu não entendo isso. Se não vai pagar, pra quê comprar? É só usar a calcinha velha, poxa. Sem esquecer-se de não usar saia, óbvio.

O senhor Madruga não paga aluguel. Trabalhar não é sua atividade predileta. Está sempre duro, mas não faz conta. A roupa é a mesma desde sempre.

Agora você fica aí, comprando sapatos, roupas, joia, fazendo viagens, e devendo até as calcinhas. Dá um tempo! Some um pouco do comércio. Ninguém gosta de vender pra você. Sorte a sua você não ser usuário de drogas.

Ah, se eu tiver oportunidade de alertar alguém a não vender pra você, eu o farei.

Relaxa! Será um a menos para você dever.

 

Lucimara Souza

Formada em Letras, Pedagogia e especialista em Comunicação: linguagens midiáticas, atualmente professora. Aprecia a escrita permeada pela criatividade, humor e certa dose de sarcasmo.

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