O palhaço está deixando o picadeiro

Circo é um mundo. Um mundo de fantasias, de sonhos e cores. Um universo de alegria, risos, entusiasmo. Circo é infância, inocência. Circo é cultura, diversão, entretenimento, imaginação.

As cores vivas chamam-nos à atenção a cada espetáculo. Circo é vida.

Brasília, nossa capital, também é um circo. E como todo bom circo tem palhaço, o brasileiro, desacreditado do que via até então, colocou um deles lá, em 2011. Um voto de protesto, um voto muito mais por amor ao circo do que ao Congresso.

O palhaço, por profissão, de nome Francisco Everardo, cearense e de estilo peculiar, apelidado de Tiririca, foi eleito deputado federal. Após o primeiro mandato, ainda foi reeleito, mesmo considerando a vida de circo mais organizada que a da Câmara. Foram milhões de votos pela segunda vez. Campanha mais verdadeira nunca vi: “Vote no Tiririca, pior do que tá não fica!”.

Brasília é um circo cheio de animais – sem domadores. Um circo de gente que debocha – da nossa cara. Um circo de cores obscuras – cinza, marrom e preto que dão a impressão de seriedade. Um circo repleto de mágicos – que multiplicam o próprio dinheiro.

Brasília é o circo que não rouba sorrisos, não tem pureza, não tem sonhos.

Ao longo de alguns anos, o palhaço Tiririca, como qualquer brasileiro, viu que pior do que tá, fica, sim, dia após dia. E, por ter frustrado o sonho de deixar o povo de seu país mais feliz, subiu à tribuna pela primeira e última vez no dia 6 de dezembro de 2017 pra anunciar que está deixando a vida pública a partir de 2018.

Isso mesmo. O único palhaço de verdade de lá está deixando o picadeiro pra se unir aos outros milhões de palhaços que estão aqui fora – como você e eu.

Tenho certeza de que sua imagem, Tiririca, fazendo show, sem a sua ponte dentária móvel, com suas roupas coloridas e seu bom humor, fará muito mais sucesso do lado de cá.

circo brasil - aqui o palhaço é você

O povo abestado que votou em você, junto da mídia, que considerou esta atitude parte do processo destrutivo da nação, deve estar bem surpreso com sua atitude.

Só queremos acreditar que não seja apenas mais um joguinho político.

Você foi, sim, pra nós, igual a muitos deles por um tempo. Poderia ter saído antes de lá.  Essa atitude não te faz um herói, não.

Contudo, ainda preferimos acreditar, como uma criança encantada com o espetáculo, que sua esperança de fazer a diferença valia mais do que qualquer status e os mais de 23 mil livres que você ganhava, e, percebendo-se um palhaço incapaz de, sozinho, proporcionar alegria, arrumou sua mala e deu adeus, envergonhado e triste pra caramba, como nós, brasileiros, estamos há muito tempo.

 

Autor

Lucimara Souza

Formada em Letras, Pedagogia e especialista em Comunicação: linguagens midiáticas, atualmente professora. Aprecia a escrita permeada pela criatividade, humor e certa dose de sarcasmo.

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