Preciso de um like aqui

Oi! Dá um like no meu texto hoje? Por favor!

Calma! Pode continuar a leitura. É só uma brincadeira.

Não sou carente de likes, até porque não tenho a barriga cheia de gominhos, não tenho corpão da Marquezine, não tiro fotos de biquíni, não indico por onde ando, ninguém precisa saber se meu carro é 0km e também não sinto vontade de clicar minha comida ou meu braço tomando soro para postar nas redes sociais.

Há quem faça questão de exibir ao mundo grande parte de sua rotina em fotos ou vídeos, e seu bem-estar está diretamente ligado ao número de curtidas que recebe nesse material. É como se a vida fosse movida a isso. Sem generalizar, óbvio. Tem muita gente sensata nas redes.

Esses dias vi uma mensagem postada por uma garota em uma das redes sociais, em que lamentava o número mínimo de curtidas em suas fotos “lindas” e criticava o número considerável de likes na página de determinada pessoa que postava até a cor do próprio cocô. Um desabafo – pobre – de inconformidade por receber, provavelmente, menos curtidas do que essa outra pessoa.

A brincadeirinha de mau gosto ganhou as curtidas de que ela tanto necessitava e comentários de pessoas que consideraram engraçado aquele momento de revolta.

Achei assustador e comecei a procurar textos que dissertassem sobre essa carência desenfreada de curtidas no ambiente virtual. Encontrei inúmeros. Percebi que há, inclusive, muitos estudos sobre o assunto no ramo da Psicologia.

Assiste-se a milhões de pessoas nessas redes tentando, o tempo todo, mostrar e provar pra todos o quanto estão bem e felizes. Querem ser notadas e comentadas. Clamam por reconhecimento, e a dita felicidade parece uma obrigação.

Mas ninguém é feliz o tempo todo. A vida real tem seus dissabores e por isso é aprendizado. E felicidade não pode ser controlada por número de seguidores, de curtidas e afins. A vida não é tão perfeita quanto aquilo que se posta, muito menos os corpos e as contas bancárias.

Além disso, ninguém precisa esfregar na cara do outro que é melhor, que é mais rico, que tem o abdômen mais definido, que tem mais amigos. Esse é o desprezível movimento “sua inveja é meu combustível”. Que mania besta essa de ostentar, de achar que pode provocar inveja só porque posta foto de carro novo (carnê está lá na estante), de uma comida diferente ou de uma viagem que pagou em 24 vezes! Felicidade ilusória isso.

Somos únicos, temos nossas singularidades, nossas qualidades, nossos defeitos, nossas alegrias e nossos problemas e, mais do que mostrar a vida inteira nas redes sociais, temos que provar é pra nós mesmos nossa evolução humana.

Vamos tratar de buscar maturidade emocional, espiritual e afetiva, gente. “Bora” correr atrás do equilíbrio interior, dar uma controlada no conteúdo dos posts. Assim é que você vai ser feliz de verdade e não sentirá mais a necessidade de mostrar ao universo aquilo que você não é.

Autor

Lucimara Souza

Formada em Letras, Pedagogia e especialista em Comunicação: linguagens midiáticas, atualmente professora. Aprecia a escrita permeada pela criatividade, humor e certa dose de sarcasmo.

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: