Santo do Pau Oco

Você conhece algum santo do pau oco?

Não?!

Ah, então preste atenção do seu lado. Ele deve estar aí, bem colado em você. É sempre bom companheiro – quando convém. O sujeito dissimulado, posa de bom ser humano, busca estar bem com todos, é político e está sempre fazendo o social.

Na real… Ele está sempre metendo a língua na sua vida ou desejando que você alcance o inferno.

O mundo está cheio de santo do pau oco, em diferentes versões, homem ou mulher, do mais jovem ao mais maduro.

Essa gente é contaminada por uma espécie de vírus da hipocrisia. Alguns, do tipo religioso, vivem se vangloriando por causa de sua crença, passam os dias tentando levar o nome de Deus a quem julgam precisar de conversão, no entanto, se esquecem de que esse mesmo Deus ficaria bem mais contente se a religião fosse praticada na convivência em sociedade, e não apenas na igreja, no templo ou no sei lá o quê.

A passagem da sagrada escritura diz: “…e todo aquele que ouve estas minhas palavras e não as pratica será comparado a um homem insensato que edificou a sua casa sobre a areia”. Se um dia esses “santos” leram, lamentavelmente não interpretaram ao pé da letra. Será que é por isso que casas e casas continuam sendo prostradas por ventos e tempestades?

É possível!

Eu cresci ouvindo e aprendendo que o Divino julga nosso coração, nossos propósitos. Não é preciso exibir nada publicamente para parecer ou tentar ser melhor do que os outros. Pra quê fazer cena? A vida e a fé não são pecinhas de teatro em cartaz. Pelo menos não desse jeito.

Com o santo do pau oco não é bem assim. Ele sente necessidade de provar que é bom a todo momento e a todo custo. Então, dá nó em fumaça para pagar de boa alma. Melodramatiza se preciso for. Para ele, ninguém presta na integralidade. Mas detalhe: isso ele fala pelas costas.

Defeitos não lhe pertence. Errar não erra. É a personificação da perfeição. Nem artista quer tanto estar em evidência.

A fala mansa, o sorriso amarelo e o discurso moralizante o condenam.

Quer saber?!

Eu prefiro ser normal, limitada – quase sempre irascível – e errar pra caramba. Em meu estado de paz com Deus, peço a Ele que me torne cada vez mais autêntica na minha fé, nas minhas palavras e atitudes. Tenho medo de magoar os outros, e um mal na minha vida é falar o que penso ou deixar transparecer aquilo de que não gosto. Venho arduamente tentando me policiar. Se isso é defeito ou qualidade não importa. Prefiro acreditar que com esse meu jeito, não sou santa, tampouco do pau oco.

Se sou uma boa pessoa, bacana, tenho princípios e valores, o outro vai enxergar naturalmente, não preciso vestir um adereço que mascare meu coração, pois, quando menos se esperar, esse disfarce vai cair e a decepção vai ser grande.

Autor

Lucimara Souza

Formada em Letras, Pedagogia e especialista em Comunicação: linguagens midiáticas, atualmente professora. Aprecia a escrita permeada pela criatividade, humor e certa dose de sarcasmo.

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