Toddynho seduzente

Era uma vez uma caixinha de achocolatado.

Não, não é um conto de fadas. É uma historinha curta, real, ocorrida numa segunda-feira.

Acordo atrasada e, já pronta para o trabalho, só tenho tempo de tomar uma xícara de cappuccino, escovar os dentes e pegar um lanchinho pronto: uns biscoitinhos e meu Toddynho.

Não! Minha crônica também não é marketing pra empresa Pepsico. Até porque não considero seus produtos saudáveis.

Enfim… Toddynho era a composição do meu lanche daquela segunda. Era! Entenderam? Era! Arrumei indesejavelmente um sócio para minha caixinha de achocolatado, que eu havia colocado embaixo do congelador da geladeira do trabalho. Eu o depositei ali para que estivesse trincando de gelado no momento de beber, na hora meu intervalo, no calorão da primavera.

Ao soar o sino, saio da sala de aula, vou tomar meu lanche. Bebo água, respiro, abro a geladeira. Olho. Respiro. Olho de novo e respiro. Procuro, procuro… Paro. Respiro fundo e… Surpresa!!!

– Cadê você, Toddynho? Cadê você, meu filho? – entoava em voz alta.

– Eu o deixei aqui – falava para meus colegas de trabalho.

Não, ele não estava mais lá onde eu havia deixado. O danado não me deu a chance de uma despedida. Foi para outro estômago sem prévia autorização. Safado! Traíra! Custa pouco mais de 2 reais e deixou-se ser surrupiado. No meio de tanta comida boa e saudável naquelas gôndolas do mercado, eu o escolhi. E naquela segunda-feira ele se deixou seduzir facilmente por outro estômago. Por que não esperou um pouquinho? Em pouco mais duas horas nos reencontraríamos. Fiquei decepcionada, inconformada e com um sentimento enorme de vergonha alheia.

Sentei-me para degustar meus biscoitinhos secos e pus-me a refletir racionalmente agora, em voz alta:

– Caramba! Vivo em um país onde as pessoas reclamam da corrupção, reclamam que o país está em crise, mas larapiam comida alheia. Que incongruência, não? Quanta hipocrisia! Quanta falta de respeito!

Meu Toddynho não foi o primeiro e não será o último a passar pelas mãos lisas e leves de um gatuno para se aconchegar em seu estômago egoísta. Geladeira compartilhada no ambiente de trabalho sempre tem dessas coisas. Mas, hoje, prefiro acreditar que, naquele dia, meu achocolatado pediu resgate por estar sentindo frio demais embaixo daquele congelador. Ele era muito seduzente para morrer de pneumonia.

Então, se você aí o salvou de uma enfermidade, um beijo! Ah… Obrigada!

Autor

Lucimara Souza

Formada em Letras, Pedagogia e especialista em Comunicação: linguagens midiáticas, atualmente professora. Aprecia a escrita permeada pela criatividade, humor e certa dose de sarcasmo.

Um comentário em “Toddynho seduzente

  • 20 de outubro de 2017 em 15:15
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    Muito bom, kkk geladeira compartilhada sempre tem um achocolato e outras coisitas mais preferindo passear em outros points kkkk

    Resposta

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