Ginecomastia: o que é e como tratar?

Esta doença pode afetar homens de todas as idades, inclusive recém-nascidos por motivo do contato com o hormônio feminino (estrogênio) da mãe durante a gestação.

A ginecomastia é uma alteração que leva à hipertrofia (aumento) das mamas do homem. Este distúrbio geralmente é percebido em adolescentes, devido ao desequilíbrio hormonal da puberdade. Nesta ocasião, ocorre o aumento das mamas por um período de, no máximo, seis meses e após este tempo elas tendem a retornar ao tamanho normal.

A hipertrofia também tem grande incidência em homens com mais de 70 anos, nestes casos o crescimento é exagerado. Porém, esta doença pode afetar homens de todas as idades, inclusive recém-nascidos por motivo do contato com o hormônio feminino (estrogênio) da mãe durante a gestação.

A ginecomastia pode afetar apenas uma das mamas, chamada de unilateral, ou as duas, bilateral. Em casos do crescimento das duas mamas, este aumento é desigual.

Foto: Divulgação

O que pode causar a ginecomastia?

Esta doença está associada ao desequilíbrio na produção dos hormônios androgênio e estrogênio. A ocorrência desta enfermidade em adolescentes é considerada normal e benigna, pois é reversível na maior parte dos diagnósticos.

A ginecomastia está relacionada a duas principais causas: crescimento do tecido mamário ou quando há excesso de gordura acumulada sob os mamilos (pseudoginecomastia ou lipomastia).

A pseudoginecomastia é definida como o simples acúmulo de gordura nas mamas masculinas. Pode acometer não só homens obesos, mas também aqueles que estão com sobrepeso.

Quando ocorre o crescimento do tecido mamário, a principal causa é a presença de maior quantidade de estrogênio que da testosterona no organismo. Nem sempre é possível diagnosticar a razão deste crescimento.

A doença também pode se desenvolver por diversos motivos, tais como: cirrose hepática, inanição, insuficiência renal, hiperprolactinemia, hipogonadismo, hipotireoidismo, pelos efeitos colaterais da quimioterapia, dos medicamentos para tratar o câncer de próstata ou de tratamentos com radiação nos testículos, assim como a utilização de drogas como anabolizantes, álcool, heroína e outras drogas psicoativas.

O aumento de tamanho da mama também pode estar associado a tumores malignos, como o câncer de mama. Estes tumores aparecem geralmente em uma das mamas, como nódulos fixos e indolores provocando retração e sangramento dos mamilos. Os cânceres de testículo, pulmão, estômago, rim e suprarrenal também eliminam estrogênio e podem provocar o crescimento das glândulas mamárias.

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Tratamento e prevenção

O tratamento da ginecomastia será de acordo com a causa. Por isso, o primeiro passo é buscar o diagnóstico médico. A depender de cada caso, a forma de tratar a doença pode ser por uso de medicamentos, por procedimento cirúrgico ou apenas por mudança de hábitos.

No caso da pseudoginecomastia, o principal tratamento é a reeducação alimentar do paciente, pois está relacionado ao excesso de gordura nas mamas. As indicações nesta situação são perda de peso, prática de exercícios físicos e adesão a dietas balanceadas.

Quando a mudança de hábitos não elimina este excedente de gordura, é possível recorrer à lipoaspiração. A lipoaspiração pode ser local, quando existe apenas gordura na mama; local e com cicatriz na parte inferior da aréola, quando há volume de gordura e de tecido mamário; e local, com cicatriz no sulco mamário e aréola, quando existem gordura, tecido mamário e grande excesso de pele.

Em diagnósticos da doença causada pelo desequilíbrio hormonal, o tratamento irá variar de acordo com o volume das mamas e pode ser necessária a combinação de métodos. Um recurso é o uso de medicamentos bloqueadores dos receptores de estrogênio nas mamas, como tamoxifeno ou nolvadex.

Se o uso dos medicamentos não oferecer o resultado esperado, recomenda-se o procedimento cirúrgico. A mamoplastia redutora é a cirurgia mais indicada para este caso. Porém, é importante destacar que para adolescentes este procedimento é recomendado apenas quando não houve a regressão da doença após dezoito meses.

A mamoplastia consiste na remoção cirúrgica do excesso do tecido glandular e da pele através de incisão nos seios. Este procedimento pode ser combinado com a lipoaspiração, caso haja a necessidade de remoção de gordura.

A ginecomastia tem cura. O diagnóstico deve ser realizado por um médico especialista.

Gustavo Zucca

Mastologista, pós-doutorado pela Unesp, especialista em oncoplastia e cirurgia reconstrutora da mama pelo Instituto Europeu de Oncologia – Milão.

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