Índia: Mysore

Com as energias recarregadas, depois de uma breve pausa em Palolem, no Estado de Goa, seguimos a caminho de Mysore. A cidade já foi também o centro mais importante de arte e cultura da Índia, devido aos reis que apreciavam o mundo das artes.

Mysore ou, na sua forma portuguesa, Maiçor é uma cidade do estado de Carnataca (seu nome significa a morada de Mahisha um demônio da mitologia Hindu), na Índia. Localiza-se no sul do país. Tem cerca de 833 mil habitantes. Foi capital do estado até 1931, até ser substituída por Bangalore, como permanece até hoje.

Para chegar neste destino utilizamos um ônibus, um pouco maior que um micro-ônibus, não muito confortável. Foram 15 horas de viagem sentadas (imagina os assentos de um ônibus público) assim foi o nosso trajeto com muitas curvas, estradas de terra, chuva, engarrafamentos até que, por fim, chegamos!

Nos hospedamos num hostel e compartilhamos quarto misto, já que a cidade estava lotada devido a um festival. A semana em comemoração de Dussehra, também conhecido como Vijayadashami, uma das celebrações hinduísta mais importantes que se celebram na Índia, Nepal, Sri Lanka, Bangladesh, e em partes do Paquistão. Dussehra deriva-se do sânscrito Dasha-Hara, que significa: a vitória de Rama sobre o rei demônio de dez cabeças Ravana.

Também se celebra a vitória da Deusa Durga, que lutou contra o mal durante 19 dias (uma celebração que mistura um pouco de carnaval com procissão). A cidade fervilhava, com pessoas de diversas partes da Índia, e nós embarcamos naquela energia toda.

O hostel fica localizado fora da loucura da cidade. Ali haviam muitos mochileiros de todas as partes do mundo. Um lugar aconchegante onde conhecemos um inglês, uma inglesa e um finlandês, que logo no dia seguinte se juntaram para circular pelas ruas de Mysore.

Foi uma tarde divertida. Começamos a caminhada pelo Devararja Market, um lugar cheio de cores, aromas e sabores. O mercado é dividido por ruelas e, em cada uma delas, era possível encontrar incensos, óleos, especiarias, flores e oferendas aos deuses, frutas, legumes e brinquedos de madeiras. Os vendedores gritam para promover suas mercadorias, pessoas passam carregando cestos na cabeça, como se aquele local tivesse parado no tempo com o comércio sendo feito daquela maneira.

Andando pelas ruas assistíamos as atividades como danças, boxe esportivo e pessoas colorindo as ruas. É uma alegria que toma conta de todos e, para não perderem o hábito, nos pediam selfies, selfies e mais selfies… fico imaginando alguém realmente famoso na Índia como deve ser cansativo! (risos).

Fizemos a visita ao Palácio de Mysore, que uma vez foi residência dos reis Wodeyar. O palácio foi construído no século XIV, mas em 1638 foi destruído durante uma greve. Reformado e ampliada após esse episódio, durou até o final do século XVIII, quando no ano 1793 foi demolido e, somente dez anos depois, foi construído um novo palácio. Parece que a sorte nunca esteve ao lado desse local, que em 1897 foi tomado por um incêndio, durante o casamento da Princesa Jayalakshmanni.

Foi então quando a rainha da época autorizou o arquiteto britânico Henry Irwin a projetar um novo palácio, desde que combinasse diversos estilos arquitetônicos. Os elementos mais destacados são a cúpula, as colunas ornamentais acompanhadas de grandes portas, um edifício esplendoroso com  belíssimas pinturas, esculturas, mosaicos e pisos de mármore branco. No interior há um cofre com muitos tesouros, também tronos de ouros, jóias, pedras preciosas, antigos vestuários, pinturas e esculturas.

Esperamos o anoitecer, em frente ao palácio, junto à multidão que aguardava para ver o local todo iluminado. Somente em ocasiões especiais, como durante o festival ou em domingos festivos que todas as luzes são ligadas, então era um momento único. São mais de 50 mil luzes que envolvem o palácio, deixando-o com um ar místico, esplendoroso, fazendo-nos sentir como num livro de contos das “Mil e Uma Noites”.

Foram quatro dias em Mysore, não nos cansamos de ver o palácio ou percorrer o mercado e estar enfiadas ali, tirando fotos de tudo. As mulheres eram super simpáticas e sorridentes, elas nos encantaram!

Numa de nossas andanças, comprei um colar de jasmim, que geralmente serve como oferenda e também adorno para o cabelo. Uma senhorinha, vendedora de flores, vendo que eu não estava conseguindo fazer penteado corretamente, me puxou pelo braço para ajudar. Como ela não falava inglês, fez um sinal para sentar-me e logo começou a arrumar o arranjo de flores no cabelo, fazendo do mesmo como elas utilizam.

Era incrível como todos participam do evento, enfeitando a si mesmos, as portas dos comércios, a frente dos carros, as mulheres com vestidos coloridos e, por onde caminhávamos, cores e flores por todos os cantos da cidade. Contagiadas, então, fomos em busca de vestidos coloridos.

No nosso último dia por Mysore, era o grande dia tão esperado por todos. Saímos cedo e muitas pessoas já estavam guardando lugar pelas calçadas para assistir a procissão. Era uma bagunca organizada, uma barulheira sem fim, uma multidão de gente. Como diz o ditado, quem está na chuva é para se molhar, fomos para o meio da rua sentir e ver a alegria de perto no coração e no rosto das pessoas, todos mergulhados na magia da celebração Dussehra.

Infelizmente não pudemos assistir o desfile todo, tínhamos encontrado um lugar para sentar numa área reservada para turistas, mas o desfile era tão grande que foram quase quatro horas de espera. Muitos carros alegóricos, acompanhados de danças típicas de cada região, homenageando os deuses, os agricultores e diversas outras profissões. Era uma abundância de adornos, criatividade, cores e tudo isso acompanhado aos sons dos tambores. Foi emocionante ter visto de perto os preparativos e o carinho que aquelas pessoas dedicam para o festival.

Autor

Graziella Marasea Cebollero

Viaja o mundo a trabalho e com isso reúne diversas histórias e fotos que irá compartilhar com a gente.

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