Lançarote, Ilha do Fogo

Nossa visita hoje é pela Ilha do Fogo, em castelhano conhecida como Lanzarote ou Lançarote em português, é a ilha mais oriental do arquipélago das Canárias. Lançarote é uma ilha vulcânica, de 845 km² e possui cerca de 150.000 habitantes. Com paisagens onduladas, composta por montanhas e áreas desérticas, seu território natural é estéril e árido.

Ao adentrar-se pela ilha do fogo o mais notável é a área do Parque Nacional de Timanfaya, um vulcão imponente, o qual em Setembro de 1730 entrou em erupção que durou cerca de seis anos. Após a erupção a vida em Lançarote tornou-se muito difícil principalmente no campo da agricultura, mas a população soube como se virar, cultivando até mesmo sob as cinzas do vulcão.

Em um passeio pela ilha é possível ter uma vista panorâmica que nos deixa com a sensação de estar em outro planeta. As cores das paisagens se misturam entre os tons areias e os tons de cinzas vulcânicos, que se destacam pelas casinhas de cores brancas localizadas em vilarejos remotos.

A capital de Lançarote, Arrecife é composta por um bairro de pescadores chamado Charco de San Ginés. No centro da cidade existe uma lagoa de água do mar. O local é protegido por uma fortaleza do século XVIII, o Castelo de São José.

Arrecife durante décadas teve na indústria pesqueira sua maior fonte econômica, a partir de 1975 a pesca entra em decadência e a cidade se converte numa economia voltada para o setor de serviços, como centro comercial e administrativo da ilha.

Destino turístico

Durante os anos 70, Lançarote passou a ser um importante destino turístico. Atualmente tem o terceiro mais importante porto comercial e de cruzeiros de Canárias. Arrecife é uma capital pequena e muito tranquila que parece guardar barquinhos pesqueiros adormecidos com historias de homens que contribuíram no desenvolvimento da ilha.

A ilha é uma reserva da biosfera da UNESCO e 42% de seu território é protegido por algum tipo de proteção ambiental, a Ilha do Fogo é o lar de diversas paisagens de grande valor natural e geológica.

Lanzarote não é só conhecida por sua terra de fogo, também é conhecida pelas obras arquitetônicas do artista Cesar Manrique, nascido em Arrecife no ano de 1919 e desde muito pequeno tinha um dom pelos desenhos, era um admirador de Picasso e Matisse.

Estudou os dois primeiros anos de arquitetura técnica, e depois abandonou o curso mudando-se a Madrid, onde se graduou na Escola Superior de Belas Artes como professor de arte e pintura em 1945. Com o auge do Surrealismo na década dos 50 realizou muitos murais em Lanzarote, participou de exposições em vários países, chegou a viver em Nova York e teve contato com as correntes artísticas Norte Americanas.

Cesar Manrique deixou muitas obras de grande atração pela ilha como:

Jameos del Agua realizado sobre a ideia do artista em 1968, é o tubo de lava subterrânea ao longo de 7 km do vulcão que alcança o mar e vai debaixo d’água por mais 1,5 km no tubo de lava chamado Túnel de La Atlantida.

É possível fazer uma visita pelo túnel através dos Jameos del Agua admirando a Sala de Concertos, que é uma grande cavidade subterrânea utilizada para concertos. O Jameos del Agua é um lugar mágico, onde o artista lançarotenho queria mostrar aos visitantes a harmonia entre a criação artística e a natureza. Os Jameos são pontos, onde o tubo de lava entrou em colapso e se formaram aberturas. Neste centro de arte, cultura e turismo há um museu interessante dedicado a vulcanologia: a “Casa de los Volcanes”.

História

O passado da ilha remonta à época dos antigos aborígines chamados Guanches, entrelaçados genética e culturalmente com os povos bereberés, do norte da África, que eram os habitantes da ilha antes da conquista Espanhola. Os Guanches habitavam covas naturais, tinham preferência em construir casas de pedras nas ladeiras, barrancos ou alcantilados costeiros é possível ver que mesmo nos dias de hoje ainda existe algumas dessas casas escondidas entre alguns alcantilados.

A ilha também foi conhecida pelos fenícios e romanos, e novamente visitada pelos árabes em torno do século XI. Lançarote foi descoberta pelos europeus em 1312 graças às explorações do navegador genovês Lanceloto Malocello. Mas foi em 1402, que os espanhóis ocuparam a ilha de forma permanente, quando veio uma expedição liderada por Juan de Bethencourt e Gadifer de la Salle. Poucos anos depois a ilha de Lançarote foi concedida em feudo do rei de Castela para a família Herrera, que governou a ilha até o final do século XVIII.

Até o ano de 1852 a capital da ilha era a Villa de Teguise, que atualmente é muito conhecida pela feira de artesanato aos domingos, que oferece uma grande variedade de produtos desde vestuários a vinhos artesanais.

Autor

Graziella Marasea Cebollero

Viaja o mundo a trabalho e com isso reúne diversas histórias e fotos que irá compartilhar com a gente.

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