Marselha

Quando pensamos na França a primeira cidade que temos em mente é Paris. Hoje compartilho com vocês um pouquinho sobre a cidade mais antiga da França chamada Marselha, em francês: Marseille e antigamente conhecida como Massalia / Massília; é a segunda mais populosa com 852.395 habitantes.

Localizada na antiga província da Provença e na Costa do Mediterrâneo, é o maior porto comercial do país. Esta apenas a 776Km de Paris e a 200 Km de Nice. É a capital administrativa da região de Provence-Alpes-Cote d’Azur e de Bouches-du-Rhone.

A cidade foi povoada pelos gregos no século VII a.c. e passou para domínio romano em 49 a.c. Fundada no ano de 600 a.c. pelos gregos como um porto comercial sob o nome de Massalia. Durante a Idade Media, após o Império Romano, a cidade foi governada por visigodos, ostrogodos, francos e também saqueada por tropas mulçumanas. Em 1348 a cidade foi um dos focos de penetração na Europa da devastadora epidemia de peste bubônica, conhecida como peste negra; o que resultou na morte de aproximadamente 15.000 de seus 25.000 habitantes daquela época.

No transcorrer do século XVIII Marselha se tornou o mais importante porto militar francês do Mediterrâneo. Em 1720 outra grande peste variada da peste negra tomou conta da cidade, provocando mais de 100.000 mortes na cidade e províncias ao redor.

Durante a Revolução Francesa cerca de 500 voluntários marcharam a Paris para defender seu governo revolucionário; em sua marcha cantavam uma canção La Marseillaise, hoje em dia convertido no Hino Nacional da França. Durante a Segunda Guerra, em 1940, a cidade foi bombardeada por Alemanha e Itália. Ocupada pelos Alemães em 1942 ate 1944, uma grande parte do centro antigo foi dinamitado.

Já a partir dos anos 50 a cidade serviu de porta de entrada na França de mais de 1.000.000 de imigrantes. Em 1962, houve um grande fluxo após a independência da Argélia que incluiu mais de 150.000 “Pieds Noirs”, muitos dos imigrantes permaneceram e deram à cidade bairros vibrantes com características Africana. A vasta maioria de Marselha é originaria das ondas de imigrantes que chegaram ao porto no começo do século XIX até a metade do século XX tal como: Italianos, Espanhóis, Armênios, Gregos, Russos, Judeus, recentemente Árabes, Norte Africanos.

Hoje cerca de 25% da população são de Norte Africanos: Argelinos, Tunezinos, Marroquinos. O árabe é a segunda língua mais falada em Marselha. Nas décadas de 1990 a 2000 as autoridades decidiram revitalizar a economia da cidade, criando o programa Euro-Mediterrâneo, programa abrangente para atrair empresas, acompanhado por uma grande revitalização do centro da cidade próximo ao porto. A cidade está dividida em 111 Quartiers (bairros) que muitas vezes se assemelham a pequenas vilas.

Atualmente a economia de Marselha é dominada pelo novo porto, o mais importante da França, e um dos mais importantes do mar Mediterrâneo. A pesca continua a ser importante, a economia alimentar da cidade e ainda dominada pela captura local, e um mercado de peixe que funciona no Quai dês Belges do antigo porto. A região de Marselha é local de milhares de empresas e 90% são de pequenos negócios. Em 2013 a cidade foi eleita Capital Europeia da Cultura.

A vida em Marselha

Desta vez escolhi Marselha, ou o amor quem me levou longe para estudar francês, lá vivi durante 8 meses. A princípio foi bem difícil me adaptar pois havia estado antes como turista, já para viver a cidade é bem diferente, demorou um pouco o processo de adaptação, mesmo sendo parte da França às vezes dava a sensação de estar num lugar não muito desenvolvido.

Em termos de serviço publico não existe praticidade, ao adentrar mais a cidade se nota que existe um descuido em relação a ela e também não é um dos lugares mais seguros da França para viver. Caminhar a noite sozinha pelas ruas não era nada agradável. Mesmo assim Marselha é um lugar incrível e muito diverso, com vários bairros que tem estilo e identidade própria. O bairro onde morei Le Panier é o bairro mais antigo de toda a cidade e tem uma presença artística muito forte, com uma comunidade bastante unida e acolhedora.

Durante minha estadia em Marselha o que mais me encantava era caminhar sem rumo pelas ruazinhas e apreciar as coisas inesperadas que encontrava pelo caminho, entre velhas casas e antigos edifícios administrativos, ruelas íngremes e casas que os moradores decidem abrir ao público temporariamente para expor ou vender a sua arte, dos ateliês e galerias sem nomes.

Ao passear pelas ruas e observar os grafites, cartazes, adesivos colados pelas paredes fica bem clara a coesão no posicionamento político da comunidade do bairro historicamente formada por imigrantes. O Panier é um bairro muito vivo, com uma comunidade artística pulsante e com um estilo de vida que é baseado na convivência ao ar-livre. Por isso as coisas (intervenções artísticas, jardins urbanos, ateliês) surgem e desaparece com uma rapidez e espontaneidade enorme, o que torna cada passeio diferente.

Passear pelo Panier é reviver o quotidiano dos marseillese, tendo o prazer de explorar as velhas construções, como a Vieille Charite, hospício do século XVII transformado em museu de arqueologia. Outro bairro bem dinâmico de toda Marselha é o Cours Julien, onde predominavam a violência e a venda de droga. Atualmente é um bairro muito divertido e boêmio, o que traz o verdadeiro diferencial ao bairro são os imigrantes. Ao caminhar por lá é possível encontrar artistas de ruas com suas diversificadas performances, também malabaristas amadores praticam suas rotinas e muitas crianças correndo de um lado a outro.

Além disso é possível desfrutar de deliciosos cafés e culinária típica da região. Para aqueles que um dia estiver planejando uma viagem a França, não deixe de incluir Marselha no roteiro, uma cidade vibrante, de muitas historias e de fácil acesso a qualquer outra parte da Europa.

Graziella Marasea Cebollero

Viaja o mundo a trabalho e com isso reúne diversas histórias e fotos que irá compartilhar com a gente.

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