Península de Gibraltar

Nossa viagem hoje é por uma pequena península que faz parte do território britânico, mas está localizada no extremo sul da Península Ibérica. Um lugar militarmente estratégico, logo na entrada do mar Mediterrâneo. Conhecida como Gibraltar e batizada pelos povos fenícios de Calpe, e popularmente chamada em inglês de “Gib” ou “The Rock” (o Rochedo).

O "Rochedo" - Gibralta
O “Rochedo” – Gibraltar

Foram três dias de navegação partindo da Inglaterra até chegar a esse pequeno “Rochedo”. Um território limitado, com uma superfície de apenas 6,5 km² que faz fronteira com Espanha. O estreito de Gibraltar separa a África do continente Europeu.

História

O nome Gibraltar originou-se do árabe jabal al-Tariq (ﺨﺒﻝﻄﺭﻕ) que significa “montanha do Tárique”. É uma homenagem ao general muçulmano Tárique que no ano de 711 d.C. aí desembarcou, iniciando a conquista do reino visigótico.

Gibraltar tem seus primeiros sinais de ocupação humana datados entre 32 mil anos inclusive com a presença dos extintos homens neandertais. Ao longo da História, muitos povos habitaram o local: cartagineses, romanos, vândalos, muçulmanos e espanhóis. Em 1462, os espanhóis de religião católica, expulsaram os muçulmanos num episódio de reconquista territorial.

No ano de 1704 uma força anglo-neerlandesa liderada por Sir George Rooke apoderou-se de Gibraltar e o território foi cedido à Grã-Bretanha pela Espanha no Tratado de Utrecht em 1713, como parte do pagamento da Guerra da Sucessão Espanhola.

Nesse tratado, Espanha cedeu à Inglaterra a total propriedade da cidade e castelo de Gibraltar, bem como o porto, fortificações e fortes para sempre, sem qualquer exceção ou impedimento. Esse tratado estipula que nenhum comércio por terra entre Gibraltar e Espanha deve ocorrer, somente em caso de emergência. Uma outra condição especial nesse tratado é que nenhuma permissão deveria ser dada sob qualquer pretexto, tanto a judeus quanto a mouros, para morarem ou terem residência na dita cidade de Gibraltar.

A moderna mesquita de Ibrahim-al-Ibrahim, inaugurada em 1997, presente do rei Fahd da Arábia Saudita para os cidadãos de Gibraltar

Essa restrição foi totalmente ignorada e por muitos anos, tanto judeus quanto árabes moraram pacificamente em Gibraltar, onde e possível caminhar pelo bairro judeu e também deparar-se com uma mesquita. Caso um dia a coroa britânica quiser abandonar Gibraltar, deve oferece-la primeiro à Espanha, o que dificilmente irá ocorrer.

Devido ao seu histórico atrito com a Espanha, houve uma mudança na lei britânica de emigração e nacionalidade, onde os seus cidadãos recuperam seus direitos plenos como cidadãos britânicos. Os gibraltarianos estiveram encerrados, nesse pequeno território nos tempos de Franco, dificultando a vida dos seus 30 mil habitantes. A passagem de pessoas e bens voltou a ser possível no ano de 1985.

Independência

Gibraltar é um dos territórios britânicos ultramarinos: são territórios sob jurisdição e soberania do Reino Unido, mas que não fazem parte do Reino Unido pois têm seu próprio sistema de governo e leis locais.

Gibraltar é uma exceção  pois segue fazendo parte do Império Britânico e não recebeu a independência, num dos últimos referendos 99% dos Gibraltarianos votaram para permanecerem como território britânico e compartilham a monarca britânica (Elizabeth II do Reino Unido) como chefe de estado.

Influência Inglesa

Um dos símbolos de Gibraltar, são as cabines telefônicas vermelhas ao estilo das de Londres, com um escudo que diz “Telephone”, as caixas dos correios dizem:” Royal Mail” e logo pelas ruas os anúncios são em inglês e há muitos Pubs  (bares) e restaurantes que servem o famoso “British Fish and Chips” (batatas-fritas com um file de peixe). Caminhar por Gibraltar é como estar na Inglaterra, mas num clima Mediterrâneo.

Economia

Esse “Rochedo” não possui recursos agrícolas nem minerais, os seus habitantes, na maior parte, ganham a vida graças ao porto, às docas e às bases da NATO (OTAN). As principais atividades econômicas são as reparações navais, o abastecimento aos navios, as indústrias alimentares e de bebidas, o turismo, o comércio e os serviços de reexportação.

Embora a presença naval britânica em Gibraltar tenha diminuído muito desde o seu auge, antes da Segunda Guerra Mundial, o estreito de Gibraltar é uma das mais frequentadas vias marítimas do Mundo, com a passagem de um navio a cada seis minutos, geralmente quando os navios cruzam o Oceano Atlântico, a primeira parada antes de partirem é Gibraltar. Ali os navios de cruzeiros e cargueiros são abastecidos antes de zarparem, e ao retornarem das travessias de longos dias, é quase sempre uma parada obrigatória para abastecerem e seguirem navegando.

As escalas nesse porto são de pouquíssimas horas a ponto de abastecerem e zarparem, é um porto bem caro para uma escala de um dia, assim que para aqueles que chegam por via marítima a estadia dura de 4 a 5 horas. Tempo suficiente para abastecerem os navios e os turista fazerem um passeio com vistas panorâmicas desse estreito.

Há 30 anos Gibraltar poderia ser descrito como um lugar bem tranquilo, com uma população transitória de militares e economia voltada para o serviço militar. Com o passar dos anos isso vem mudando, sua economia está em desenvolvimento tanto para o setor financeiro e informática. Nos dois últimos anos aconteceram grandes mudanças, como a abertura de um Yatch Hotel de Luxo e a Universidade que até então não existia. Muitos Gibraltarianos tinham que mudar-se para o Reino Unido para cursar uma graduação.

Turismo

Com o recente desenvolvimento do turismo, Gibraltar tem muito o que oferecer, seja  nas heranças culturais ou nas belas paisagens que esse “Rochedo” oferece, como o Alameda Garden (Jardim Botânico), criado em 1816 pelo General George Don. A intenção do jardim era de se ter uma área recreacional para os militares aproveitarem o tempo quando não estavam trabalhando, assim poderiam desfrutar de um local totalmente protegida contra o sol.

A Upper Rock (O alto do Rochedo) é a casa dos legendários macacos Apes, que acredita-se que foram  trazidos por barcos militares do continente Africano. São 250 Apes que habitam o Rochedo, muito bem tratados pela população, cada possui um nome e são bastantes conhecidos entre a população. St. Michael Caves (Grutas de São Michel) é outra atração natural. A história da gruta corresponde ao período Neolítico mas até o ano de 1974, quando terminaram de explorar na sua totalidade descobriram os restos de crânios do período Neandertal. Atualmente a gruta funciona como uma sala de concertos, com uma acústica incrível.

Logo à frente as montanhas do continente Africano

No extremo sul de Gibraltar está o Europa Point, é a parte mais próxima da África. De lá podemos ver e contemplar as montanhas do continente Africano. É possível ver uma fila de barcos de pescadores, navios de cruzeiros, cargueiros, navios tanques, todos esperando para atravessar o estreito.

É possível avistar as filas de navios transitando pelo estreito

Aqui termino nossa viagem num lugar onde o Mediterrâneo encontra o Atlântico, num local estratégico.

Autor

Graziella Marasea Cebollero

Viaja o mundo a trabalho e com isso reúne diversas histórias e fotos que irá compartilhar com a gente.

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