Morango do amor não é vilão na dieta com educação alimentar e consumo consciente
Popular nas redes sociais, doce reacende debate sobre restrição, equilíbrio e o papel da orientação nutricional no cotidiano.
O morango do amor e outros doces que viralizam na internet vêm se tornando protagonistas de um debate cada vez mais frequente entre pais, educadores e profissionais da saúde. Embora esses produtos sejam frequentemente classificados como inimigos da alimentação saudável, nutricionistas alertam que essa abordagem pode ser contraproducente. Criar uma relação negativa com a comida não apenas dificulta a construção de hábitos consistentes como também pode intensificar o desejo por aquilo que é proibido.

Dados do estudo Vigitel, do Ministério da Saúde, mostram que mais de 20% dos brasileiros consomem doces cinco ou mais dias por semana. A frequência é maior entre as mulheres, que representam 22,1% dos casos, contra 17,6% entre os homens. Outro levantamento, do Instituto Nexus, aponta que 59% da população declara gostar de chocolate, sendo que 10% se consideram chocólatras e consomem o doce pelo menos quatro vezes por semana.
Para a professora Rebeca Beraldo, da Estácio, o foco da orientação nutricional deve estar na moderação, e não na proibição. Ela explica que educar significa informar sobre os riscos, apresentar alternativas com menos açúcar e estimular o senso crítico desde a infância. Segundo ela, doces como o morango do amor devem ser encarados como escolhas pontuais dentro de uma alimentação variada e equilibrada.

A Organização Mundial da Saúde reforça que dietas muito restritivas tendem a fracassar no longo prazo, provocando recaídas e episódios de exagero ao se retomar o consumo de alimentos proibidos. A proposta atual da educação alimentar prioriza escolhas conscientes, sem regras rígidas, favorecendo uma relação mais saudável e sustentável com a comida.

