Espetáculo “Belmira” reflete sobre o medo e a resistência de educadores diante da violência escolar
A francana Carla Zanini volta à cidade como autora e diretora do monólogo com Angela Ribeiro, em apresentação única no dia 30 de agosto, no Sesc Franca.
A violência nas escolas tem impactado a educação no Brasil, tornando a presença de professores em sala de aula um ato de resistência. Esse é o ponto de partida de Belmira, espetáculo solo escrito e dirigido pela francana Carla Zanini, estrelado por Angela Ribeiro e produzido pelo também francano Fernando Gimenes. A apresentação acontece no dia 30 de agosto, às 19h30, no Sesc Franca.
A obra surgiu a partir da inquietação da autora e diretora sobre o ambiente escolar em um contexto de aumento de atentados no país.
“Tenho refletido sobre a resistência de artistas e professores, que seguem firmes diante do descaso e do sucateamento da cultura e da educação. Essa força interior nos impulsiona a continuar, mesmo diante da precariedade, do burnout, da instabilidade e do medo”, afirma Zanini.
A trama acompanha Marta, professora paraense que sobreviveu a um atentado escolar. Em cena, ela compartilha com o público suas reflexões sobre educação e a relação com a enigmática professora Belmira. As lembranças surgem ao som de ritmos do Pará, numa tentativa de elaborar o trauma vivido.
A personagem e a narrativa têm como referência a trajetória de Dona Onete, cantora paraense que, antes de ganhar projeção como “rainha do carimbó chamegado”, atuou por décadas na educação, como professora, gestora cultural e militante sindical.
“A cultura paraense e a forma de ensinar e contar histórias que Dona Onete levava para suas salas de aula ecoam na peça”, explica a diretora.

(Foto: Brendo Trolesi)
Para Angela Ribeiro, natural de Belém (PA), o trabalho é também um retorno às origens.
“Estar em sala de aula hoje é um ato de resistência que exige coragem, e coragem é a bravura de quem tem um coração forte. Ensinar envolve afeto e jeito, mais do que força”, ressalta.
A peça aposta numa encenação intimista, com elementos visuais e sonoros integrados à interação entre atriz e público. A trilha é de Mini Lamers, a iluminação de Gabriele Souza, o cenário de Rager Luan, o figurino de Gui Funari e Andy Lopes e a produção é assinada pelo Plataforma – Estúdio de Produção Cultural.
Os ingressos custam R$ 50 (inteira), R$ 25 (meia-entrada) e R$ 15 (credencial plena). E podem ser adquiridos pelo aplicativo Credencial Sesc SP, no site www.centralrelacionamento.sescsp.org.br e presencial no Sesc Franca. A classificação é de 18 anos.

