A necessidade de ambientes hospitalares com COVID-FREE

Neste ambiente, pacientes, profissionais e acompanhantes passariam por teste para a certeza de não estarem infectados ou já imunizados.

Estamos passando por um tempo de mudanças, diferente da nossa rotina de alguns meses atrás por conta da infecção do novo coronavírus. Com a pandemia mundial, Sociedades Médicas, principalmente as internacionais, pediram que os tratamentos de câncer inicial fossem retardados para que os pacientes não sejam vítimas de infecção. Porém, minha experiência com pacientes com diagnóstico de câncer de mama faz com que reflita sobre a questão. Estas pessoas trazem um grande peso sobre os ombros e querem ser tratadas e, claro, curadas, o quanto antes.

O câncer de mama, de uma maneira geral, tem uma evolução lenta, mas não há como saber como será cada caso. Os estadiamentos da doença são feitos pelo exame físico e os de imagem e, a partir da avaliação, é dada uma nota de zero a quatro. De zero a dois, o câncer é considerado inicial, sendo recomendada primeiramente a cirurgia; de 2b até o três, é considerado como localmente avançado, e o tratamento é iniciado por quimioterapia para depois ser realizada a cirurgia.  A nota quatro sugere que a doença já foi para outras regiões do corpo.

Foto: Divulgação

Aqui no Brasil, a Sociedade Brasileira de Mastologia, principalmente a Regional de São Paulo, e a Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica sugeriram um termo novo chamado de Covid-Free que significa um ambiente sem Covid-19 para serem efetivadas as cirurgias. Seria um ambiente hospitalar em que não se atendam pacientes clínicos evitando a presença de pessoas com suposto diagnóstico ou suspeita de estarem com o vírus. Neste ambiente, pacientes, profissionais e acompanhantes passariam por teste para a certeza de não estarem infectados ou já imunizados. Sem a possibilidade de contaminação, toda a equipe teria máscaras especiais, protetores, e cuidados especiais na hora da intubação.

O ambiente Covid-Free é uma alternativa às normativas internacionais para que o paciente não tenha que conviver com o câncer, doença cheia de estigma e que traz angústia.

Nada pior para a paciente que a espera para o começo do tratamento, além do que a doença pode evoluir implicando na sobrevida. Existem tumores pequenos que têm uma evolução rápida, assim como tumores grandes com evolução lenta. Como é difícil predizer como a doença vai evoluir, justifica-se a condição de um ambiente ideal buscando a paz mental e tratamento seguro para a paciente.

Gustavo Zucca

Mastologista, pós-doutorado pela Unesp, especialista em oncoplastia e cirurgia reconstrutora da mama pelo Instituto Europeu de Oncologia – Milão.

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