Entre a saudade e a fé: a história de uma mãe marcada pelo amor dos filhos

Deise Garcia dos Reis, ao longo da vida, acumulou momentos marcantes como mãe. Desde a descoberta de cada gravidez, vivida com intensa alegria, até os períodos mais delicados de saúde.

Neste Dia das Mães, histórias reais revelam a profundidade do amor materno em suas mais diversas formas. Em Batatais, a trajetória de Deise Garcia dos Reis, de 41 anos, emociona pela força, pela fé e pela capacidade de seguir em frente mesmo após enfrentar a perda da filha Ana Carolina, vítima de um câncer agressivo aos 19 anos.

Moradora de Batatais, Deise é aposentada e mãe de 4 filhos: Luiz Guilherme de 23 anos, Ana Carolina que faleceu aos 19, Ana Rafaela de 13 e João Guilherme de 9 anos. Para ela, a maternidade vai muito além de gerar uma vida. “É amar e descobrir que seu coração bate fora do peito. É cuidar de outra vida como se fosse a sua. Meus filhos representam tudo para mim, são a minha outra metade”, define.

Ela descreve sua família como “normal”, mas marcada por desafios enfrentados desde cedo. Segundo ela, as dificuldades vividas ao longo do tempo tiveram um efeito transformador e fortaleceram ainda mais os laços entre todos os membros da família.

Foto: Arquivo Pessoal

Ao longo da vida, acumulou momentos marcantes como mãe. Desde a descoberta de cada gravidez, vivida com intensa alegria, até os períodos mais delicados de saúde. Em 2022, enfrentou uma doença autoimune que provocou o descolamento total das duas retinas. Durante esse período, encontrou apoio nos filhos, vendo com clareza o amor que construiu. “Eles cuidavam de mim, e eu percebi que podia contar com eles”, relembra.

Entre as experiências mais profundas de sua vida está a história da filha Ana Carolina, que enfrentou, com uma coragem admirável, um câncer agressivo ainda aos 18 anos, enquanto concluía o Ensino Médio e já trabalhava como Jovem Aprendiz. Mesmo diante das limitações causadas pela doença, Ana demonstrava força e determinação que impressionavam a todos.

“Ela não se deixava abater. Mesmo em uma cadeira de rodas, cozinhava, cuidava da casa, das irmãs, fazia nossas unhas, sobrancelhas…”, recorda, emocionada.

Foto: Arquivo Pessoal

Hoje, ao recordar esse período, a mãe mistura saudade e gratidão. Ela afirma que viver isso foi muito triste, mas também uma experiência repleta de lembranças boas, pois, mesmo na dor, Ana ensinou que não se pode deixar de sonhar, tornando-se um exemplo de resiliência.

A fé se tornou um dos principais pilares para continuar seguindo em frente. Deise acredita que a filha descansa na eternidade, ao lado de Deus, e diz encontrar nisso forças para continuar. “Isso me faz querer seguir o caminho certo, fazer o bem e manter a esperança de reencontrá-la um dia”, reflete,

Ana permanece viva nas lembranças e nos pequenos gestos do cotidiano: nas fotos, nos áudios guardados pela família, nos artesanatos que produzia, nas receitas que preparava e até nas músicas que gostava de ouvir. Deise conta que o maior legado que a filha deixou foi a força de vontade, pois foi uma jovem que lutou até o fim, não desanimou e tinha muita fé de que seria curada.

Ela afirma ainda que a adolescente também transformou sua maneira de enxergar a vida. “Eu tinha depressão e hoje não deixo mais ela me dominar. Minha filha lutou muito. Foi uma guerreira. Prometi a Deus, em minhas orações nas madrugadas no hospital, que jamais questionaria essa enfermidade e que nunca deixaria minha posição de serva”, conclui.

Foto: Arquivo Pessoal

As experiências vividas ao longo dos anos trouxeram aprendizados profundos para sua vida. Ela assegura que as dificuldades reforçaram a importância de lutar até o último momento e de valorizar a presença junto aos filhos. Destaca ainda que encontra força na união familiar e no apoio construído entre todos ao longo da sua história.

Hoje, sua maior alegria é saber que construiu uma relação baseada em amor, respeito e parceria, podendo sempre contar com eles. Os momentos simples são os mais especiais: assistir a um filme juntos, dividir uma pipoca, celebrar pequenas conquistas ou simplesmente estar em família.

Deise Garcia dos Reis com seus filhos
Foto: Arquivo Pessoal

Ao refletir sobre a própria trajetória, ela resume a maternidade como um sentimento de entrega incondicional, marcado pelo cuidado, pelo respeito e pelo amor sem limites.

Neste Dia das Mães, ela deixa uma mensagem sincera às outras mães: “Vivam cada momento como se fosse único. A gente não sabe quanto tempo terá ao lado dos nossos filhos. Aproveitem cada segundo para que não existam arrependimentos.”

Lucimara Souza

Formada em Letras, Pedagogia e especialista em Comunicação: linguagens midiáticas, atualmente professora. Aprecia a escrita permeada pela criatividade, humor e certa dose de sarcasmo.

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