Amizade que pode durar para sempre

A psicologia mostra como a constituição de grupos amigos acontece na vida universitária. No final do curso não haverá a competição do mercado de trabalho, mas sim parceiros e colegas de profissão

O ambiente universitário é sempre novo para quem começa. Jovens vindos de várias cidades e até mesmo de outras regiões do País convivem diariamente nas salas de aulas e áreas de lazer das instituições de ensino superior trocando informações, misturando cultura e hábitos e convivendo com colegas e muitos novos conhecidos.

O estudante de Publicidade e Propaganda, da Unaerp (Universidade de Ribeirão Preto), Evandro Henrique de Oliveira, começou na instituição em 2017 e diz que a cada dia que passa na Universidade está sendo um novo aprendizado e nova experiência.

“Minhas expectativas foram superadas. Antes achava que o curso era algo pequeno, mas me enganei [risos], pois é muito amplo. Hoje posso falar que estou me apaixonando cada dia mais pelo meu curso”, revela Evandro Oliveira.

Apesar do pouco tempo na vida universitária, Evandro conta que se dá muito bem com todos os colegas de sala, pois se julga comunicativo e evita fofocas. Porém, ele presencia pequenos conflitos dentro da sala. Como futuro publicitário, ele acredita que ter paciência e evitar conflitos é fundamental para a profissão.

“Nós, os comunicadores, não trabalhamos sozinhos. É fundamental manter a calma num momento de tensão para não perder a cabeça. É o que tento fazer para ficar em paz comigo mesmo e com meu próximo”, diz o estudante.

Em contrapartida, a estudante de Engenharia Civil, Bruna Redondo, que está na nona etapa do curso, explica que com o passar dos anos a amizade com seus colegas melhorou e muito.

“Após quatro anos de convívio diário conhecemos melhor os amigos e aprendemos a lidar com eles em diversas situações, desde trabalhos até dar conselhos”, comenta Bruna Redondo.

Ela ainda conta que as amizades feitas no primeiro ano continuam as mesmas, mas ocorre às vezes de se perder o contato de alguns, pois há mistura de turmas, e consequentemente a vinda de novos colegas, que vão também pertencer ao seu ciclo de amizades.

Palavra da especialista

A psicóloga e professora Fernanda Saviani Zeoti diz que essas mudanças são um processo natural de inserção e interação grupal entre as pessoas.

“No início, precisamos nos inserir e nos sentirmos aceitos. Assim, nossas amizades geralmente são com aquelas pessoas que nos acolheram ou se juntaram a nós nessa primeira etapa grupal”, afirma a psicóloga.

Fernanda acredita que o fato de chegar ao final do curso não implica no desenvolvimento de “rivalidade” entre os alunos por estarem prestes a se tornar concorrentes no mercado de trabalho.

A psicóloga Fernanda Zeoti afirma que a constituição grupal transforma, e isso faz parte do processo da vida
A psicóloga Fernanda Zeoti afirma que a constituição grupal transforma, e isso faz parte do processo da vida

“Eu não diria que o fato de se enxergarem de forma diferente se dá ao fato de terem em mente a concorrência”, explica.  Para a psicóloga, nesse momento, isso é o que menos conta. No final, os alunos se enxergam diferentes porque aprenderam a gostar mais ou menos uns dos outros, porque nem todo mundo foi tão significativo como alguns.

“Assim, depois do término da faculdade, haverá alguns amigos que levarei comigo e terei contato sempre, outros que, infelizmente, perderei o contato. Ainda existirão aqueles que me esquecerei porque não foram tão importantes para minha vida e, por fim, os que até pensarei que é bom não conviverem mais comigo”, exemplifica a psicóloga.

A psicóloga garante que esse é um fenômeno que acontece em qualquer grupo, portanto na faculdade não será diferente. Para ela, as amizades acabam porque isso é um processo natural da vida e aqueles que pensamos serem os futuros concorrentes, na realidade serão colegas e parceiros de profissão.

Autor

Gustavo Simões

Estudante de Jornalismo

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