Lipedema: como diagnosticar e tratar doença inflamatória que muitos ainda desconhecem
Cirurgião plástico explica que tratamento exige preparo do paciente e diagnóstico traz alívio emocional.
Muito além de uma questão estética, o lipedema é uma doença inflamatória crônica que provoca acúmulo anormal de gordura, principalmente nas pernas e nos braços, além de dor, inchaço, sensação de peso e cansaço. A condição, que atinge predominantemente mulheres, ainda é confundida com obesidade ou gordura localizada, o que pode atrasar o diagnóstico e o tratamento adequado.
Segundo o cirurgião plástico Antônio Marcos Coelho, o tratamento do lipedema começa antes da cirurgia.
“É uma doença inflamatória. A cirurgia faz parte do tratamento, mas o primeiro passo é controlar a inflamação e preparar a paciente”, explica.
A predisposição ao lipedema é genética e costuma estar presente em diferentes pessoas da mesma família. No entanto, fatores como alterações hormonais, incluindo o uso de anticoncepcionais, e um estilo de vida inflamatório, caracterizado por sedentarismo e alimentação inadequada, podem favorecer o desenvolvimento e a progressão da doença.
Quando a paciente apresenta excesso de peso, a cirurgia não é indicada imediatamente. Antes, é necessário reduzir a inflamação do organismo por meio de perda de peso, mudanças alimentares e prática de atividade física. Apenas após essa preparação clínica o procedimento cirúrgico é realizado.

O diagnóstico também depende da avaliação clínica. Não existe um exame específico capaz de confirmar o lipedema. O histórico familiar, o padrão de distribuição da gordura e os sintomas são os principais elementos considerados pelo médico. O acúmulo costuma ocorrer entre o quadril e os joelhos, podendo atingir também panturrilhas, calcanhares e braços.
Um dos sinais característicos é que a gordura é dolorosa ao toque, diferentemente da gordura comum. Outro sintoma frequente é o aparecimento de manchas roxas na pele sem histórico de trauma.

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Cirurgia exige técnica específica
Quando indicada, a cirurgia para lipedema é diferente de uma lipoaspiração convencional. Nas pernas, a presença de vasos linfáticos exige uma técnica mais delicada para evitar complicações, como o linfedema.
“O procedimento precisa preservar o sistema linfático. Utilizamos cânulas finas e técnicas específicas para reduzir esse risco”, explica Antônio Marcos.
A cirurgia dura, em média, quatro horas e, na maioria dos casos, é associada ao tratamento da flacidez. Para isso, podem ser utilizadas técnicas de regeneração muscular guiadas por ultrassom, que contribuem tanto para a segurança do procedimento quanto para a qualidade do resultado.
“O uso do ultrassom durante a cirurgia permite maior precisão na abordagem dos tecidos e ajuda a tornar o procedimento mais seguro”, afirma o cirurgião.
Os casos muito leves podem ser controlados apenas com atividade física e alimentação adequada, mas a maior parte das pacientes acaba necessitando de tratamento cirúrgico em algum momento.
Impacto vai além dos sintomas físicos
Além da dor e do desconforto, o lipedema costuma provocar consequências emocionais importantes. Muitas mulheres convivem durante anos com o aumento desproporcional das pernas ou dos braços, mesmo mantendo dieta e rotina de exercícios, sem compreender que há uma doença por trás dessa condição.
“Receber o diagnóstico costuma representar um alívio para muitas pacientes. Elas entendem que não se trata de falta de esforço ou de disciplina, mas de uma doença que precisa ser tratada”, conclui Antônio Marcos.

