Jovem supera Acalasia e conta sua história de vida
Jovem cravinhense, Letícia Brancalion, que contou sua história nas redes sociais sobre doença rara, conseguiu fazer a cirurgia no sábado (02/07). E agora está em recuperação.
Uma doença rara e pouco conhecida denominada de Acalasia surgiu nas últimas semanas nas redes sociais, depois que a jovem cravinhense Letícia Eduardo Brancalion, 23 anos, fez um pedido de ajuda para que pudesse arrecadar um valor, com o objetivo de fazer a cirurgia que iria lhe auxiliar a ter mais qualidade de vida.
“Quem me deu essa ideia foi à secretária do Dr. Antônio Carlos Coelho Conrado. Ela me acalmou muito quando entrei em contato com ela e me deu a ideia de relatar minha história na internet e contar com a ajuda das pessoas. Ela me garantiu que eu iria me surpreender ao fazer isso e ela estava certa”, afirma a auxiliar de contabilidade, Letícia Brancalion.
Em menos de 72 horas, a cravinhense já tinha conseguido o valor de R$ 20 mil necessário para sua viagem até João Pessoa (PB), e a realização da cirurgia junto a equipe do Dr. Antônio Conrado, um dos maiores especialistas da doença no Brasil.

Foto: Arquivo Pessoal
“Eu não consigo mensurar em palavras a minha gratidão a todos. Gostaria de agradecer imensamente as pessoas que ajudaram e contribuíram da forma que puderam. Saiba que você fez a diferença pra isso acontecer e eu serei eternamente grata! Eu não imaginava que ainda havia tantas pessoas boas no mundo e pode ter certeza que a minha vida mudou depois do dia 13 de junho [dia que ela expôs sobre a doença nas redes sociais] e eu nunca vou me esquecer disso”, se emociona Letícia.
A acalasia é uma um distúrbio da motilidade esofágica caracterizado pela ausência de contrações musculares coordenadas e pela falta de relaxamento que interfere no funcionamento da cárdia, dificultando a passagem de alimentos para o estômago. Os principais sintomas da doença são dificuldade para engolir sólidos e líquidos, dor no peito, refluxo gástrico, tosse noturna, infecções das vias aéreas e problemas respiratórios.
A auxiliar de contabilidade descobriu que tinha a doença aos 18 anos por conta de uma pneumonia aspirada causada pela Acalasia. Ela começou a ter sintomas aos 17 anos e durante um ano fez vários exames, tratamentos com remédios e nada adiantava.
“Foi só piorando com o tempo, nenhum médico descobria de onde vinha tanta dor e tanta dificuldade pra comer. Fui emagrecendo cada vez mais, até que num dia eu acordei com muita dor nas costas e dificuldade ao respirar. Fui ao hospital e depois de muitos exames finalmente descobriram a Acalasia. Já estava num estágio difícil de reverter por conta deste um ano que fiquei sem saber o que tinha”, conta Letícia Brancalion.

Foto: Arquivo Pessoal
Uma doença desconhecida tanto para a jovem como seus familiares e amigos que ficaram preocupados quanto a gravidade da mesma. Não havia uma referência ou alguém que conheciam para perguntar sobre a Acalasia, então começaram a pesquisar na internet e falar para as pessoas mais próximas, até que uma das amigas da mãe de Letícia revelou que o filho dela também tinha o mesmo problema.
“Minha família ficou bastante assustada no começo, afinal nunca tínhamos ouvido falar dessa doença, não conhecíamos ninguém que tinha. Começamos a pesquisar sobre o assunto, até que uma amiga de infância da minha mãe entrou em contato com nós, dizendo que o filho dela tinha o mesmo que eu. Ela nos orientou sobre várias coisas, e ficamos mais ‘tranquilos’ em saber que alguém próximo passava pela mesma situação. Sempre tive o apoio da minha família, nunca soltaram a minha mão. Meus amigos também sempre foram muito compreensivos e me deram todo o apoio e acolhimento quando ficaram sabendo”, diz a jovem.
Entre as limitações que a doença pode ocasionar está no simples beber um copo de água ou ingerir uma comida de forma mais rápida.
“Tenho limitações desde quando descobri de fato a Acalasia na minha vida. Por exemplo, não consigo beber um simples copo de água de uma vez, tenho que tomar de gole em gole bem devagar pra não sofrer tanto. Não consigo comer um pouco mais rápido, caso esteja atrasada pra alguma coisa, e muitos outros fatores que são tão simples no nosso cotidiano e eu não faço há anos”, revela Letícia.

Foto: Arquivo Pessoal
Procurando sobre informações, a cravinhense conheceu o grupo “Desentalados”, que foi criado por pacientes que foram operados pelo Dr. Conrado, então ela começou a acompanhar todas as informações sobre a doença e os procedimentos de Miotomia peroral endoscópica (POEM), que é uma técnica nova e menos invasiva para tratamento de pacientes com acalasia.
“Comecei a acompanhar todos os procedimentos do POEM que o Dr. Conrado realizava, e que fazia com que os pacientes tivessem uma qualidade de vida muito melhor. Então tomei coragem de fazer o texto e mandar para grupos de familiares e amigos, e quando vi a minha cidade toda estava sabendo sobre a doença e comovidos com a minha história”, afirma Letícia Brancalion.
E com o lema “Somos Todos Letícia” lançado nas redes sociais, foi possível com que a jovem cravinhense fizesse o seu procedimento no sábado (02/07), no Hospital Clinepa, em João Pessoa (PB), sob o comando do Dr. Conrado e sua equipe, e sua recuperação está sendo excelente.

Foto: Arquivo Pessoal
“Acredito que Deus tem um propósito muito grande em minha vida e quando tudo isso passar eu vou entender o motivo desse movimento. Tenho certeza que não foi à toa que tudo isso aconteceu dessa forma. Gostaria de alertar a todos que passam por alguma dificuldade com a saúde, não deixa o tempo passar, vá atrás de outras informações, busque ajuda em todos os lugares que você puder”, diz Letícia Brancalion.
O tratamento pós-cirúrgico é vida normal, sendo que de tempo em tempo, a jovem terá que fazer endoscopia para ver se continua tudo bem.

