Câncer de colo de útero: 90% dos casos da neoplasia estão relacionados à incidência de HPV entre mulheres

Vacinação contra o vírus sexualmente transmissível é medida preventiva essencial no combate à doença.

Considerado um tumor prevenível e curável quando diagnosticado em sua fase inicial, o câncer de colo de útero é o terceiro tipo de neoplasia mais prevalente nas mulheres – ficando atrás do câncer de mama e colorretal – e a quarta causa de morte na população feminina.

De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), a ocorrência no Brasil é de 16 mil novos casos por ano até 2022. Já em Ribeirão Preto, somente em 2021, aproximadamente 140 mulheres foram diagnosticadas com o câncer de colo de útero. Os dados da Secretaria da Saúde da cidade também confirmam mais 313 exames alterados aguardando investigação complementar.

Segundo o oncologista Diocésio Andrade, diretor técnico da Oncoclínicas Ribeirão Preto e membro fundador do EVA – Grupo Brasileiro de Tumores Ginecológicos, a preocupação acerca dos crescentes índices da doença aumenta quando analisado a principal condição predisponente para desenvolvimento da neoplasia: o contágio pelo papilomavírus humano, conhecido como HPV.

Oncologista Diocésio Andrade, diretor técnico da Oncoclínicas Ribeirão Preto e membro fundador do EVA – Grupo Brasileiro de Tumores Ginecológicos
Foto: Divulgação

“Esse tipo de infecção genital é muito frequente, o que pode ocasionar alterações celulares no corpo da mulher, evoluindo para um tumor maligno. O processo de oncogênese do HPV consiste em algumas etapas principais: infecção pelo HPV de alto risco oncogênico, acesso do vírus ao epitélio metaplásico na zona de transformação do colo uterino e persistência da infecção com integração do genoma viral ao DNA da célula hospedeira. A partir daí, o vírus passa a expressar suas proteínas relacionadas ao câncer, promovendo a imortalização celular. Como consequência, a depender da condição de cada indivíduo, ocorrerá o aparecimento das lesões precursoras ou mesmo o câncer”, explica o médico.

O profissional ainda ressalta que a prevenção primária com a vacinação de meninos e meninas entre 9 e 14 anos seria um dos principais aliados no combate ao câncer de colo do útero a longo prazo. Além disso, a prevenção secundária inibindo a transmissibilidade através do ato sexual também ajudaria a diminuir o surgimento de novos casos.

“Além do uso de preservativos durante a relação sexual e a realização periódica do exame Papanicolau, a solução mais eficaz para a prevenção da doença é a vacinação contra o HPV, que protege contra a infecção do HPV”, diz Diocésio Andrade.

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Ainda de acordo com o oncologista, existem outros aspectos que estão relacionados ao aumento do risco de desenvolver a doença, como, por exemplo, genética e questões comportamentais, como consumo de álcool, cigarros e sobrepeso que são também considerados fatores de risco.

 

Doença silenciosa

Considerando que o tumor de colo do útero é uma doença com sintomas silenciosos, muitas vezes as mulheres acabam não descobrindo a condição na fase inicial.

“Quando diagnosticado precocemente, é possível que haja uma redução de até 80% de mortalidade por este tipo de câncer. Os primeiros sinais aparecem por meio de sangramento vaginal, seguido de corrimento e dor na pelve”, explica o médico da Oncoclínicas Ribeirão Preto.

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Já quando a doença se encontra em um estágio mais avançado, a mulher pode apresentar um quadro de anemia devido à perda de sangue, além de dores nas pernas, nas costas, problemas urinários ou intestinais e até perda de peso sem intenção.

“Os sangramentos podem ocorrer durante a relação sexual, fora do período menstrual e em mulheres que já estão no período da menopausa”, reforça Dr. Diocésio Andrade.

Da Redação

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