Combate ao desperdício e hábitos alimentares sustentáveis
No Brasil, 55 milhões de toneladas de alimentos são desperdiçadas por ano.
O combate ao desperdício precisa da mudança de hábitos em toda a sociedade. Dados recentes mostram que o Brasil desperdiça cerca de 55 milhões de toneladas de alimentos por ano, o equivalente a 30% de toda a produção nacional, com prejuízo estimado em R$ 61,3 bilhões. Grande parte desse desperdício ocorre antes mesmo de os alimentos chegarem às casas, nas etapas de produção, transporte e armazenamento. No entanto, o consumo doméstico também tem papel fundamental nesse cenário.
O Brasil ainda enfrenta grandes desafios na garantia da segurança alimentar. Segundo dados da Rede PENSSAN (2023), mais de 20 milhões de brasileiros convivem com a fome, e cerca de 70 milhões vivem em algum grau de insegurança alimentar. Essa realidade reforça a importância de reduzir o desperdício e otimizar o uso dos recursos disponíveis.
Para a nutricionista Marcella Tamiozzo, especialista em nutrição clínica e professora do curso de Nutrição da Estácio, a educação alimentar é uma das principais ferramentas para mudar essa realidade.
“Apesar de os números serem tão críticos, a boa notícia é que todos nós podemos fazer a diferença com atitudes simples no dia a dia. Quando aprendemos a planejar, cozinhar e consumir de forma consciente, contribuímos para um sistema alimentar mais justo e equilibrado”, ressalta Marcella.

Dicas práticas para reduzir o desperdício de alimentos
A nutricionista destaca algumas dicas importantes para combater o desperdício na produção, na compra e no consumo de alimentos no dia a dia:
Planeje suas compras – Antes de ir ao mercado, verifique o que já tem em casa e faça uma lista do que realmente precisa. Exemplo: compre frutas e verduras em pequenas quantidades, suficientes para a semana, evitando que estraguem antes do consumo.
Aproveite integralmente os alimentos – Partes normalmente descartadas podem ser nutritivas e saborosas. Exemplo: use talos e folhas em refogados e cascas de frutas em bolos, geleias ou sucos.
Reaproveite sobras de refeições – Transformar o que sobrou é uma forma prática de economizar e evitar o descarte. Exemplo: o arroz do dia anterior pode virar bolinhos, e os legumes cozidos podem se tornar omeletes ou sopas.
Armazene corretamente – A forma de guardar os alimentos interfere diretamente na durabilidade. Exemplo: congele porções individuais de feijão ou carnes prontas e use-as aos poucos.
Observe os prazos de validade – Organize os alimentos pelo sistema “primeiro que entra, primeiro que sai”. Exemplo: coloque os produtos mais antigos à frente das prateleiras para garantir que sejam consumidos antes.
Sirva-se com consciência – Evite colocar mais comida no prato do que realmente vai consumir. Exemplo: em restaurantes por quilo, sirva pequenas porções e repita se ainda tiver fome.

Faça o rodízio dos alimentos na geladeira – Revise frequentemente o que está guardado e reorganize as prateleiras. Exemplo: mantenha os alimentos mais antigos à frente e consuma-os primeiro, evitando o esquecimento e o vencimento.
Doe antes de vencer – Se perceber que não vai consumir um alimento a tempo, doe para quem precisa. Exemplo: produtos não perecíveis podem ser destinados a bancos de alimentos, igrejas ou instituições beneficentes.
Use a criatividade na cozinha – Reinventar receitas é uma maneira prazerosa e sustentável de aproveitar tudo o que se tem em casa. Exemplo: frutas maduras podem virar vitaminas, panquecas ou geleias; legumes murchos são ótimos para caldos e tortas.
“Essas ações simples, quando incorporadas à rotina, reduzem significativamente o desperdício, promovem economia doméstica e contribuem para um planeta mais sustentável. Mais do que uma questão ambiental, combater o desperdício é um ato de consciência e solidariedade. Cada alimento aproveitado representa um passo a menos rumo à fome e um passo a mais em direção a um futuro mais equilibrado e justo para todos”, reforça Marcella Tamiozzo.

