Gramática: sinônimo de dor de cabeça na sala de aula?

Seja qual for o seu estilo de aprendizagem, a verdade é que gramática assusta não só os alunos que aprendem inglês, mas os professores que ensinam a língua. E, enquanto educadora, posso afirmar: não existe aprendizagem adequada em segunda língua sem gramática. Não caia nessa armadilha.

A gramática da língua inglesa é infinitamente menos complexa do que a da língua portuguesa, mas por que será que continuamos enfrentando desinteresse ou dificuldade?

O primeiro antídoto contra esse desgosto gramatical é a nossa própria mentalidade: é preciso mudar como pensamos a gramática. Por anos, fomos ensinados que ela é um tópico chato e difícil. Isso se enraizou na cabeça de muitos estudantes (e de muitos professores também) – é só a gente ver o sucesso de “audiência” das abordagens “aprenda inglês sem gramática”. Para que consigamos mudar a nossa mentalidade, o trabalho do professor é crucial, ou seja, a forma como sempre se ensinou gramática também precisa mudar e a “Oh, really?!”  te ajuda a identificar pontos importantes para avaliar a sua escola e o seu professor:

  • Estratégia de ensino: repare se o seu professor tem traços de desconforto quando ensina gramática. É bem simples, tem professor que não sabe ou não gosta de ensinar gramática. Isso não ajuda o aluno. E sim, neste caso, acredito em responsabilidades compartilhadas entre quem ensina e quem aprende. Interesse do aluno é um ótimo componente, mas estratégia de ensino é essencial, do contrário, vira aquela decoreba que a gente sabe que não funciona;
  • Conteúdo e prática: sobrecarga de teoria não vai te levar a lugar nenhum. A prática através de exercícios em geral (incluindo de conversação) é chave para o domínio das estruturas gramaticais. Quanto mais você pratica, mais confortável se sente e quanto mais dominamos o uso da língua, maior o sentimento de realização e conquista;
  • Exemplos: poucas coisas são tão importantes no ensino de gramática como contextos e exemplos relevantes. Aprender a ordem do verbo e a conjugação correta não faz o menor sentido se não for aplicado em um contexto relevante que te permita entender o sentido do que está se aprendendo. Exemplos são também importantes, do contrário, você fica refém de apenas uma referência e o conhecimento perde chances de ser consolidado. Se o seu professor não os usa, tá na hora de lhe dar um toque;
  • Língua-mãe (comumente chamada de L1): se o seu professor é nativo, procure saber se ele ou ela conhece a estrutura básica da língua portuguesa. Isso facilita o ensino de pontos-chave (como o present perfect, por exemplo), além do entendimento de erros comuns e da sua perspectiva de aprendizagem enquanto estudante de uma segunda língua;
  • Participação do aluno na aula: se o seu professor fala a todo tempo, algo está errado. O aluno aumenta seu interesse (e, portanto sua motivação e rendimento) quando tem oportunidade de participar, seja através de exercícios práticos ou tendo a chance de explicar uma regra, encontrar a diferença entre uma sentença e outra, identificar erros, etc. Vale salientar que, enquanto alunos, não podemos confundir a nossa participação com desinteresse ou insegurança do professor – quando bem monitorada, a participação do aluno traz bons frutos para ambas as partes.

Por fim, mas não menos importante, uma relação de confiança é um must! A qualidade de uma aula é diretamente proporcional à abertura que temos para discutir (com respeito e humildade) as dificuldades que enfrentamos. E isso vale pra todo mundo: aprendizes e mestres, quem sabe e quem aprende!

Now go there, and nail it!

 

 

 

 

 

Autor

Stella Correa

Stella Corrêa é Administradora de Empresas, Mestre em Ciências pela USP, Professora certificada CELTA e entusiasta da educação bilíngue. Sua coluna “Oh, really?!” vai ao ar às quartas-feiras.

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