Ribeirão Preto registra 1.170 acidentes com escorpiões nos primeiros sete meses de 2026

Número é 13,9% maior que o registrado no mesmo período de 2025; especialistas orientam sobre prevenção e cuidados após a picada.

Ribeirão Preto registrou 1.170 acidentes com escorpiões entre janeiro e julho de 2026, segundo dados da Secretaria Municipal da Saúde. O número representa uma alta de 13,9% em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram contabilizadas 1.027 ocorrências. O avanço mantém o tema em atenção no município. Em todo o ano de 2025, Ribeirão Preto registrou 1.998 acidentes, contra 1.502 em 2024.

Uma das espécies que mais preocupa as autoridades de saúde é o escorpião-amarelo (Tityus serrulatus), que apresenta fácil adaptação ao ambiente urbano e maior potencial de gravidade do envenenamento. Dentro das residências, ralos, frestas, caixas de gordura, calçados, roupas e objetos acumulados podem servir de abrigo para o animal e aumentar as chances de contato com os moradores.

Segundo Camila Alvim, docente do curso de Biomedicina da Estácio, o escorpião-amarelo não costuma apresentar comportamento agressivo, mas pode reagir ao se sentir ameaçado. “Ele procura abrigo em ralos, frestas, caixas de gordura e objetos acumulados, o que acaba aumentando as chances de contato com as pessoas dentro de casa”, explica.

Foto: Divulgação

Prevenção começa dentro de casa

Para reduzir os riscos, alguns cuidados simples devem fazer parte da rotina. Entre eles estão proteger os ralos, vedar frestas e vãos, evitar o acúmulo de entulhos, folhas secas e materiais de construção e manter quintais e jardins limpos. Roupas, toalhas e calçados também devem ser verificados antes do uso.

Outro cuidado importante é evitar a proliferação de baratas, uma das principais fontes de alimento dos escorpiões. O acondicionamento correto do lixo e a limpeza dos ambientes ajudam a tornar as residências menos favoráveis à presença desses animais.

Os cuidados merecem atenção especial nos períodos de aumento da temperatura e da umidade, condições associadas à maior atividade dos escorpiões.

Silvia Nunes Szente Fonseca, médica pediatra e infectologista e docente do IDOMED
Foto: Divulgação

Crianças exigem atenção especial

Após uma picada, a rapidez na busca por atendimento médico é fundamental, principalmente no caso das crianças. A médica pediatra, infectologista e professora do IDOMED, Dra. Sílvia Nunes Szente Fonseca, reforça que os menores apresentam maior risco de evolução para quadros graves.

Em Ribeirão Preto, crianças de até 10 anos, 11 meses e 29 dias vítimas de picada de escorpião devem ser levadas imediatamente ao Hospital das Clínicas – Unidade de Emergência (HC-UE), ponto estratégico de soroterapia antiveneno do município, independentemente da gravidade inicial do quadro.

Para pessoas a partir de 11 anos, a orientação é procurar rapidamente uma UPA ou outro serviço de emergência. Os pacientes que apresentarem quadro moderado ou grave são encaminhados ao HC-UE para avaliação e, quando indicado, administração do soro antiescorpiônico.

“Vômitos persistentes, falta de ar, sensação de fechamento da garganta, suor excessivo, palpitações, tontura e visão turva são sinais de maior gravidade e exigem atendimento imediato na Unidade de Emergência. Para adultos e crianças acima de 10 anos sem esses sintomas, a avaliação pode ser realizada em uma UPA”, orienta Sílvia.

Após a picada, não se deve cortar ou espremer o local, tentar retirar o veneno, fazer torniquetes ou aplicar substâncias caseiras. A recomendação é lavar a região com água e sabão e buscar atendimento médico o mais rápido possível.

“A prevenção precisa fazer parte da rotina. Manter os ambientes limpos, eliminar locais que possam servir de abrigo e ficar atento aos pontos de entrada dos escorpiões são medidas importantes para reduzir o risco de acidentes e proteger principalmente as crianças”, conclui Sílvia.

Da Redação

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