Um estilo e diferentes características

Já conversamos sobre escolas cervejeiras, estilos básicos e seus pontos fortes de destaque por motivos culturais e territoriais. Agora, vamos detalhar mais esse assunto destacando um estilo específico e MUITO especial: Barleywine.

Começando pela forma de escrever, se falarmos de sua original escola Inglesa, escrevemos junto: Barleywine; indo para territórios americanos: Barley Wine.  

Sensorialmente, o que muda?

Originalmente, o estilo inglês requer paciência tanto para produzir quanto para degustar. É uma cerveja que pode ser de guarda, para envelhecimento, possui maturação lenta, complexa em maltes, apresentando certa doçura, corpo alto, alcóolica e lupulada. Entretanto, esse amargor mediano equilibra com os ésteres provenientes dos maltes. Claro, que na Inglaterra, isso tudo gira em torno do equilíbrio, como manda a cultura. É aceitável notas de oxidação com similaridade com notas vinosas, provenientes do tempo de guarda e maturação lenta.  É aceitável, também, que ela possua notas de diacetil (amanteigado).  Quando falamos em teor alcóolico, pode variar entre 6,7% a 12%. Produzida, normalmente, apenas uma vez por ano, descansando e maturando em barris de madeira, ou em garrafas por meses até poder ser comercializada. Após a compra, ela pode ser guardada em local fresco, seco e escuro por anos e anos. O vencimento é apenas por legalidade fiscal, pois, como alguns vinhos, quanto mais velha, melhor. 

Os americanos adaptaram este estilo robusto e tão amado de cerveja para sua própria cultura local. Com um pouco menos de paciência para o processo de envelhecimento, a grande maioria das Barley Wines americanas, ao contrário das inglesas, são para beber fresca. A presença do lúpulo é muito mais marcante e são ainda mais alcóolicas. Rótulo obrigatório para degustação: Sierra Nevada Bigfoot. Lançada nos EUA todo mês de fevereiro, possui características de lúpulos americanos frescos e amargor bastante presente. Já os maltes tem notas mais frutadas, porém ofuscados pelo lúpulo, e final agridoce, para beber fresca.  

Se por um lado a rainha e os mestres cervejeiros ingleses devem querer morrer aos poucos ao ver sua receita recriada tão diferente, a Anchor, primeira cervejaria americana a reproduzir esse estilo, preservou as características inglesas, porém, como todo perfil americano “lúpulo na veia” de ser, obviamente, tem características de lúpulos cítricos e resinosos, que rapidamente impõem a doçura do malte; com mais lúpulos e menos maltes do que as tradicionais inglesas. Como a indicação do próprio rótulo diz, é para ser bebida devagar, pois possui 14% de teor alcóolico. 

Rótulos brasileiros que indico: Tupiniquim Nosferatus e Backer Cabral

Acho válido fazer degustação com cada estilo, bebendo de sua escola de origem e outra, recriada, pois é uma forma de descobrir se você realmente gosta ou não. Uma forma também de estudar estilos de uma maneira bastante eficaz. 

Saúde, bons estudos e boas degustações. 

Karina Hauch

Publicitária e beer sommelière. Apaixonada por cerveja, fábricas e mundo cervejeiro. Adora conhecer novos rótulos e experiências gastronômicas. Sonha viajar o mundo em busca de cervejarias e acumular experiências em horas-copo.

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