Alunos de Ribeirão Preto mostram que cuidar do planeta começa na infância

Projetos de horta com minhocas e brinquedos feitos de resíduos foram destaque em encontro regional que antecede a COP30.

Minhocas na terra e brinquedos reciclados no pátio: dois projetos de estudantes do Colégio Marista Ribeirão Preto mostraram como a sustentabilidade pode nascer cedo e de formas diferentes. Um minhocário que virou horta e uma brinquedoteca feita de resíduos foram apresentados neste mês na Conferência Regional do Observatório Marista do Clima, encontro que antecede a COP30.

Na Educação Infantil, a turma Infantil 5B criou o projeto “A Terra que Plantamos e as Minhocas: as ajudantes escondidas”. Inspiradas pelo livro “Será que a Terra sente?”, de Marc Majewski, as crianças descobriram como esses pequenos animais são essenciais para deixar a terra fértil. O grupo montou um minhocário, revitalizou a horta, antes inutilizada, com apoio da bióloga Maira Venâncio, e passou a cultivar alface, tomate, cebolinha e salsinha. Para acompanhar a evolução, os estudantes criaram até um Diário da Horta, registrando o crescimento das plantas semana a semana.

Segundo a professora Paula Scarpa, responsável por este projeto, o trabalho trouxe um espírito de conexão entre os pequenos e a natureza. “Cuidar da terra é cuidar da vida. Pequenos gestos hoje transformam o futuro.”

Foto: Divulgação Marista RP

Além das colheitas compartilhadas, um dos principais resultados foi despertar nas crianças atitudes de paciência, cuidado e responsabilidade, fortalecendo desde cedo a consciência socioambiental. A horta seguirá como espaço pedagógico permanente e deve ser ampliada com novas turmas e práticas como compostagem.

Entre risadas e observações curiosas, o aluno Benício Martins Pedersoli, de 5 anos, descobriu a verdadeira importância das minhocas.

“Aprendemos que o húmus, que é o “cocôzinho” dela, deixa a terra mais forte. Ela também faz buraquinhos por onde a água entra e molha a horta. Assim, nossos alimentos ficam saudáveis porque não têm agrotóxicos. Na escola, as pessoas estão até escolhendo o que querem comer”, revela o pequeno.

Já no 1º ano do Fundamental, a missão foi reaproveitar resíduos. O projeto “Lixoteca: cuidar do mundo se divertindo”, orientado pela professora Patrícia Haygert, reuniu alunos e famílias em oficinas criativas para transformar embalagens e objetos descartados em brinquedos. A coleção ganhou de tudo: vai-e-vem, telefone sem fio, foguetes de garrafa PET, dominó gigante, bilboquês, jogos de coordenação e até um separador de cores. Hoje, todos esses brinquedos fazem parte de uma brinquedoteca sustentável no pátio da escola.

Mais do que brincar, a turma aprendeu os 5Rs da sustentabilidade (Recusar, Repensar, Reduzir, Reutilizar e Reciclar) e levou novos hábitos para casa: famílias passaram a reutilizar embalagens nos lanches e os alunos se tornaram agentes multiplicadores dentro e fora da escola.

Foto: Divulgação Marista RP

A experiência também despertou reflexões nas crianças, assim como resumiram Cora Zanferdini Galera, de 6 anos, e Maria Luiza Amorim Ferraz, de 6 anos. “É um projeto que a gente cuida do planeta fazendo brinquedos com recicláveis. E o mais divertido é construir de forma sustentável e ainda brincar.”

Para Marina Stucchi, coordenadora do Ensino Fundamental Anos Iniciais, o reconhecimento mostra como as crianças podem ser protagonistas em questões ambientais.

“Enquanto líderes globais discutem políticas internacionais, nossos estudantes assumem o protagonismo por aqui, mostrando que a transformação também acontece em nível comunitário. Enquanto lá, eles se preparam para debater biodiversidade e economia circular na COP30, em Belém, as crianças de Ribeirão já colocam a mão na terra e transformam resíduos descartáveis em brinquedo, mostrando que a educação pode ser motor de mudança climática desde cedo. Esse movimento reforça não só o senso de urgência diante da emergência climática, mas também o compromisso ético e espiritual de cuidar da Casa Comum, tema da Campanha da Fraternidade 2025. É uma verdadeira conversão ecológica: não se trata apenas de mudar hábitos, mas de mudar a forma de se relacionar com o mundo”, afirma.

Com a apresentação, os projetos seguem para um e-book produzido em parceria com a Reconectta, que vai reunir experiências socioambientais de escolas de todo o Brasil.

Da Redação

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