O ser e o hoje

Bem como as transformações sociais acontecem nos aspectos sociais de ser homem e mulher, a sexualidade também transforma e ganha novos espaços, características e formas. O que antes era esperado e até considerado verdade, hoje sofre alteração, ou não faz mais parte do “comum”. Assim como o tempo mudou, formas de pensar, agir e de ser também sofreram mutações. O que seria esperado hoje de nós?

Logo ao ingressar na vida adulta, cobra-se a formação. Após a formação, com seus vinte e poucos é bom ter-se um emprego, e depois da contratação buscar um salário alto visando sempre o ter. Agora já por volta do vinte e tantos já é bom procurar ter um parceiro visando relacionamento sério né?!

Depois de algum tempo junto o casar torna-se o objetivo, com a obtenção da casa própria, é claro. Agora você já está na casa dos trinta, conseguiu um emprego bom e que te faz feliz, já deu entrada na casa então está esperando o que pra se casar? Se não for ter festa de casamento, ao menos uma viagem boa de lua não é mesmo?!

Você ainda não tem filhos?! É bom correr atrás antes que você fique velho demais, se é que já não está tarde. Quando você se dá conta, chegam os tão temidos “ENTA” e é necessário pensar no estudos dos filhos, na saída deles de casa e na preparação pra tão sonhada aposentadoria, e aí você acaba de se dar conta de que você não viveu. Você buscou tudo o que cobraram de você e o que foi esperado, mas e você?

Seria fácil se conseguíssemos tudo isso dentro destes prazos, ou não né?! Quem foi que disse que você precisa ser independente, formado, ter um relacionamento e até mesmo ter filhos?! Somos únicos, singulares e temos necessidades diferentes, e isso não nos torna melhores ou piores, nós torna apenas nós mesmos buscando o que nos faz feliz e que possa nos propiciar prazer.

Nossas atenções voltam-se sempre para o ter, mas e o que somos? O que fazemos para nossa satisfação pessoal e obtenção de prazer? O que para um pode fazer sentido e ser significado de vida, para o outro pode ser totalmente inviável e irrelevante. E é isto que o mundo, e cada um de nós, precisa entender e respeitar.

Em nenhum momento casamento foi sinônimo de prazer, e para tê-lo não é necessário uma união estável e muitas vezes nem mesmo um (a) parceiro (a). Filhos não são obrigação de um casal. Monogamia é uma escolha e não uma imposição. Cada um busca e faz acontecer o que faz sentido pra si, e a busca pelo compartilhamento, ou não de sua vivência com um outro, também faz parte da escolha pessoal.

Compreende-se hoje que casamento não é a busca de um outro perfeito, mas sim de companheirismo, cumplicidade e divisão de responsabilidades. Ambos são responsáveis pelo sucesso e manutenção da relação. Descobrir-se, respeitar-se e moldar-se, tanto pessoal quanto sexualmente.

O amor não se baseia em atividade sexual, ela é importante mas não determinante. O toque, o carinho e o sexo são construtos, visa-se tanto o seu quanto o do outro, é do dar e receber prazer, que não limita-se ao sexo e ao coito, que conta, das mais variadas formas e momentos e manter a relação e a sexualidade é dever do casal ou da pessoa sozinha.

O sucesso da vida sexual diz respeito e limita-se apenas a si próprio, bem como os desejos e ambições. Quanto mais sabe-se de si, respeita-se, supera-se, maior o nível de autoconhecimento e possibilidade de aceitação e resiliência para enfrentar as adversidades que possam vir a ter no caminho.

Autor

Yasmin Paciulo Capato

Yasmin Paciulo Capato é Psicóloga (CRP: 06 / 136448) clínica e atende as especialidade de Psicoterapia, Orientação Vocacional e Psicodiagnóstico na Clínica Vitalli.

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