Somatização: corpo, espelho da alma

“Calma, você não tem nada, isso me parece apenas uma somatização.”

Caracterizada como “nada” ou como algo de pouca importância, a somatização e as doenças psicossomáticas estão sendo vistas, com cada vez mais frequência, por profissionais que atual na área da saúde.

Os sintomas de ambas as condições se manifestam de maneira particular, porém por serem frequentes e trazerem prejuízo significativo à vida de seus portadores, a procura por ajuda médica torna-se algo inevitável. Em contexto hospitalar, tais pacientes enfrentam, na maioria das vezes, um desconforto múltiplo, pois taxadas como uma incógnita difícil de ser desvendada e tratada, as doenças provindas da mente ainda são pouco compreendidas. A dificuldade se da no processo de descoberta da gênese do problema.

Ainda muito voltado ao modelo de atendimento biomédico, onde diversas questões, dentre elas as psicológicas, são pouco consideradas quando o assunto é saúde, alguns postos de atendimento emergenciais se veem frente a um grande desafio ao receber casos tão específicos. Diante disso, quando nada é constatado por exames, ou quando constatado, nota-se que o problema do paciente é de teor psicológico as dúvidas envolvendo o que fazer como fazer e principalmente, o que diagnosticar, se prolifera entre equipe médica, enquanto o paciente continua apresentando sofrimento físico e psíquico.

O “NO DIVÔ desta semana, traz a vocês uma reflexão a cerca de problemas que se iniciam na mente e se alastram pelo corpo. Vamos compreender um pouco mais a respeito da somatização e dos problemas psicossomáticos a fim de promover uma visão mais empática a cerca dessas condições.

Para começar vamos diferenciar a estes dois estados. A somatização refere-se a sintomas físicos, não originados de doenças orgânicas e por isso, não detectáveis por exames clínicos, já a doença psicossomática, retrata danos físicos detectáveis, que se originam na estrutura cognitiva, ou seja, se dão a partir de pensamentos e esquemas disfuncionais que geram grande sofrimento. Em ambas as situações o paciente apresenta múltiplas queixas, sendo algumas delas: constante dor de cabeça, falta de ar, queimação no estômago, dores musculares, coceira, ardência e formigamento na pele. Geralmente tais sintomas demoram de meses a anos para serem descobertos e tratados de forma efetiva, fato que revela o quão sofrido é este tipo de adoecimento. 

O desenvolvimento da somatização e de doenças psicossomáticas se dá por diversos motivos, alguns deles são: o desgaste profissional, excesso de estresse, traumas, situações de violência, ansiedade e depressão. Muitas das vezes tais situações não são vistas com o cuidado necessário, devido a isso é comum um agravamento dos sintomas o que ocasiona em ainda mais prejuízos às funções profissionais, efetivas e sociais de pessoas acometidas por esse mal. Diante disso, um diagnóstico rápido e assertivo contribui para o tratamento efetivo destes pacientes.

É essencial que o diagnóstico de doenças psicossomáticas seja feito por um clínico geral em conjunto com um médico psiquiatra. Esses são os profissionais aptos a fazerem exames físicos e laboratoriais capazes de detectar e/ou excluir possíveis problemas orgânicos que acometam a saúde do paciente.

Diagnosticada a doença psicossomática é necessário que um tratamento adequado seja iniciado para alivio e possível cura dos sintomas. Este tratamento é realizado por um médico psiquiatra juntamente com um psicólogo. O uso de medicamentos pode ser necessário para que o paciente sinta um alivio significativo dos sintomas em um período curto de tempo, porém este elemento é irrelevante sem que um acompanhamento psicoterápico aconteça. A terapia é importantíssima para esse processo, ela direcionará o paciente no caminho para a resolução de seus conflitos internos e o ajudará a visualizar e aderir algumas medidas simples para lidar melhor com os seus problemas físicos e emocionais.

Sabe-se que viver com a doença psicossomática e consequentemente com o julgamento e a falta de empatia de parte da população é algo muito difícil, mas apesar disso, é necessário que tais problemas sejam levados a sério, pois o grau de sofrimento gerado por eles é altíssimo. 

Tratar a dor que acomete o corpo e a alma é imprescindível. Fazer exercícios físicos, buscar autoconhecimento, ter uma alimentação saudável, lembrar que é impossível ter o controle sobre tudo, tirar férias, descansar a mente e levar a vida com mais leveza são medidas positivas que contribuem ao tratamento da somatização. Portanto não negligencie o que você sente. Não deixe que a falta de empatia do outro te faça pensar que tudo não passa de “frescura”, coisa de momento, algo que vai simplesmente passar. Quando você sentir necessidade, busque ajuda. Não hesite em segurar a mão de alguém. Procure acolhimento, trate e liberte-se do que lhe faz mal. 

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