MOMO: O retorno

O NO DIVÃ dessa semana tratara de um assunto que foi noticia em diversos veículos de comunicação durante os últimos dias. O desafio MOMO voltou a aterrorizar pais e crianças, desta vez através de vídeos espalhados por diversas plataformas digitais na internet, sendo algumas delas o Facebook e o WhatsApp.

Sabe-se que essa é a segunda vez que a criatura MOMO surge gerando terror e preocupação na população mundial. Em sua primeira aparição ela surgiu através do Whatsapp como um contato que ligava e mandava mensagens para pessoas aleatórias afirmando saber informações de cunho pessoal destas e solicitando que, para a sua própria segurança e segurança de seus familiares, tais pessoas cumprissem desafios desastrosos que incluíam a depreciação de si mesmo, mutilação e até o suicídio.

Passado-se o tempo, tal história foi, aparentemente deixada de lado, até que, nos últimos dias, uma renomada revista brasileira trouxe, em uma de suas principais noticias a volta da boneca MOMO, desta vez atacando o publico infantil através de vídeos espalhados pela internet. 

Este fato chamou a atenção de pais e responsáveis que, ao conversarem com seus filhos perceberam que realmente, a volta da MOMO era verídica e pior, as crianças estavas extremamente assustadas com o que ouviam e viam desta boneca.

Mas afinal, o que é a MOMO, como ela foi parar dentro de vídeos infantis e o que ela propõe aos espectadores em suas aparições?


A boneca MOMO é uma criação baseada na “escultura única da mulher pássaro” exposta na VANILLA GALLERY situada no Japão. Maldosamente, pessoas utilizaram dos traços estranhos e amedrontadores desta escultura para dar “vida” a um monstro que busca incessantemente por pessoas, em sua maioria em estado de vulnerabilidade, para vitimar através do medo.

Atualmente é por meio de vídeos infantis que ela surge. Em um primeiro momento a boneca se apresenta aos espectadores do vídeo e solicita que os mesmos, em sua maioria crianças, se dirijam até a cozinha de suas casas e peguem objetos afiados e cortantes. Depois disso o vídeo infantil volta a rodar de forma que a criança possa ter tempo de obedecer à ordem dada sem que seus responsáveis notem que á algo errado no vídeo que elas assistem. Depois de um tempo a boneca MOMO resurge “ensinando” as crianças diversas maneiras de ferir e matar a si mesmo e a outras pessoas, com os objetos solicitados. Além disso, a boneca ameaça tais crianças dizendo que o desafio proposto deve ser cumprido, caso contrário coisas ruins acontecerão a ela e a seus familiares.

Ainda não se sabe ao certo quem são as pessoas que criaram este conteúdo doentio e medonho, apesar disso, o mesmo vem sendo, cada vez mais, veiculado e compartilhado nas redes sociais, fazendo com que as chances de que cada vez mais pessoas tenham acesso a este conteúdo cresça. 

Mas o que deve ser feito com relação a tudo isso? De quem é a culpa? As plataformas digitais estão sendo negligentes? As crianças estão demasiadamente acopladas ao mundo digital? Os responsáveis destas crianças estão em falta com o cuidado voltado a elas?

Diversas respostas foram dadas para tais perguntas. Dedos foram apontados às plataformas que disponibilizaram tais conteúdos e ainda mais dedos foram apontados a pais que liberam a seus filhos o uso objetos tecnológicos.

Apesar do imenso “bate boca” envolvendo a reaparição da MOMO, soluções a fim de sanar este problema foram pouco discutidas.

A partir dai, pontuaremos algumas medidas importantes a serem tomadas diante deste acontecimento. Infelizmente as plataformas digitais, redes sociais e afins ainda não são meios extremamente seguros, seja á crianças ou para o resto da população. Hora ou outra, conteúdos que colocam em risco a integridade física e mental da população surgem e “explodem” na rede de forma avassaladora, portanto é preciso cautela e cuidado durante o uso de tais ferramentas.

É importante que pais e responsáveis de crianças e adolescentes estejam atentos ao que seus filhos têm acesso em meio ao mundo digital. Para isso uma relação aberta e uma conversa sincera a respeito da tecnologia e das redes sociais é algo que faz a diferença e contribui positivamente para o cuidado e para a relação responsável – criança.

É necessário que um acordo de responsabilidade seja feito deixando claro que o acesso tecnológico será permitido a partir do momento em que os responsáveis estejam cientes do que vem sendo visto e postado por seus filhos. Políticas de privacidade também precisam ser discutidas e utilizadas, estabelecendo assim quem pode ou não ter acesso às informações existentes nos perfis tidos em rede por estas crianças. E não menos importante, uma atenção redobrada deve ser dada aos comportamentos esboçados por esta população. Mudanças comportamentais, sejam elas drásticas ou sutis, precisam ser vistas e cuidadas de maneira rápida para que, em casos como o da MOMO, todo o auxilio necessário seja dado a essa criança afim de evitar danos profundos e superficiais.

Estar por perto, estabelecer limites e se interar do que o seu filho tem acesso não significa invasão de privacidade, desde que uma conversa franca entre vocês aconteça. Estar atento a tais coisas significa cuidado e o cuidar agrega e faz grande diferença no crescimento e desenvolvimento dessa geração.

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