BBB 17 – Beijos, Barracos e Bundas

Hoje tirei a sexta para falar um pouquinho sobre o tal famoso espaço físico, copiado pelo Brasil há 17 anos, projetado especialmente para abrigar temporariamente homens e mulheres que deixam de “ser” para “aparecer”.

Para fazer parte deste espaço, tem uma peneira antes, em que selecionam, em sua maioria, bonitos, burros, brincalhões, bombados, boazudas, briguentos, barraqueiros, beijoqueiros, e, claro, brasileiros.

Vinte e quatro horas sendo filmados, inclusive em suas intimidades, e sendo obrigados a despirem sua alma para se exibirem em rede de televisão.

Participantes do BBB 17

O horário é nobre e, antes de dormir, por pior que seja aquele conjunto de representações, muita gente dá aquela espiada e pelo menos o nome de um concorrente sabe. Ah, sabe! Além do mais, é inevitável não assistir àquilo por tabela; jornais, revistas e páginas de internet estampam o tema em suas manchetes, e o povo não tem como escapar, ainda que não se envolva.

Ali, são homens e mulheres de culturas e personalidades diferentes. Tentam, a todo custo faturar uma bolada milionária e com isso atingirem a almejada fama. Em sua maioria, sempre com a exibição do corpo ou da pior versão de um ser humano, nunca da inteligência.

À frente, conduzindo-os, está um articulador, que ri alto, muitas vezes, do papel a que muitos ali se prestam.

Os que dão “sorte” de entrar lá precisam ganhar a simpatia do telespectador, que é quem os julga e os expulsa com dia e hora marcados. Se quiser sobreviver, não pode ser muito sensato – esse é famoso “não fede, nem cheira” – nem muito antipático ou dissimulado. O povo pega birra e elimina mesmo.

No final, o grande contemplado, ainda que sob uma sutil manipulação da mantenedora do espaço, é aquele que mais agradou. Ora o bonzinho, ora o briguento; ora o mais legalzinho, ora o que mais se exibe ou “causa” mais.

Cena do BBB 17

Jogo de estratégias? Até hoje não sei, acho que não. Muitos ali não têm esta arte de dirigir situações tão complexas.

Ultimamente, andei observando certos comportamentos. Não sou obcecada por aquilo, tampouco conivente com tais condutas, no entanto, não sou hipócrita para dizer que nunca assisto. Ofereço uns minutos de minha atenção e paciência para ficar analisando a maneira como os “irmãos” se expressam. Permaneço ali, também, imaginando como deve ser depois que saem dali, e assistem aos vídeos da época em que estavam enclausurados por livre e espontânea vontade (de ganhar um prêmio). Como deve ser decepcionante assistir àquele que se julgava amigo, falando mal pelas costas em outra câmera!

Ninguém é amigo de ninguém naquele lugar. Todos são concorrentes, possuem um exclusivo objetivo: ganharem sozinhos o prêmio maior. Aquela choradeira quando um ou outro sai depois do júri popular… Quantas lágrimas revestidas de falsidade!

Os casaizinhos formados unicamente para se fortalecerem no jogo são igualmente ridículos. Que amor o quê?! Para se viver um amor, é preciso um envolvimento, uma convivência, uma razão, não uma ou duas semanas de “confinamento” ou “afinidade”, como dizem.

Agora me respondam: como um médico de 37 anos, cirurgião plástico, pode querer alguma coisa séria com uma garota de 20, que não sabe a tabuada do 10 e nunca ouviu falar que faculdade pública não tem mensalidade?

Não entendo!

O programa é, sim, de baixo nível, em que culturalmente não se ganha absolutamente nada. Mas o problema é da emissora? Claro que não! O problema é a massa que assiste.

Tive o cuidado de procurar esses fóruns em que pessoas opinam sobre assuntos variados. Li vários deles sobre os tais realities. São críticas e mais críticas, no entanto, percebam a incongruência: se tem tanta gente que critica, se é tão ruim, por que é que o programa ainda está no ar?

Cabe a cada um julgar o que considera bom ou não, ou ainda escolher absorver aquilo ou não.

Quem está lá, quer ganhar o prêmio, além de virar artista, capa de revista, posar nu, e ter a chance que, quase certamente, não teria com a profissão.

Sempre acaba aparecendo um pouco a mais…

A emissora fatura milhões com as ligações que as pessoas fazem principalmente em dia de eliminação. Por que teria interesse em deixar de produzir o tal BBB? Quem critica é a minoria…

A maioria ganha alguma coisa? Não! Apenas se diverte com os beijos, os barracos e as bundas de lá.

Lucimara Souza

Formada em Letras, Pedagogia e especialista em Comunicação: linguagens midiáticas, atualmente professora. Aprecia a escrita permeada pela criatividade, humor e certa dose de sarcasmo.

Um comentário em “BBB 17 – Beijos, Barracos e Bundas

  • 10 de março de 2017 em 16:14
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    Falou tudo e mais um pouco!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Amei!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Assino embaixo!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

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