Sobre os seios naturais da Marquezine

Nunca se viu tanta mulher invejosa como no último carnaval. Bruna Marquezine nunca foi tão atacada quanto seus seios naturais postos quase à mostra na folia de 2018. A atriz foi alvo de uma pressão estética desnecessária. Pressão esta que atinge muitas mulheres e derruba sua autoestima.

Aos 22 anos e com um corpo completamente normal e natural pra esta idade, foi classificada de “peitos murchos e caídos” por ter seios pequenos e livres de intervenções cirúrgicas.

A sociedade “moderna” – e vazia de valores – impôs que o bonito é um corpo perfeito, ainda que seja esculpido por um bisturi e vários ml de silicone.

A jovem foi atacada nas redes sociais por homens e mulheres. Eles com certeza não se recordam ou nunca viram um peito natural. Elas obviamente gostariam de ter o corpo e a beleza da moça e, tomadas por uma latejante dor se cotovelo, vibraram ao encontrarem naquele corpo um detalhe “fora” dos padrões “atuais” de beleza.

É controverso isso. Os seios naturais agora chocam. Os seios naturais são diferentes. O que é normal é assombroso e digno de pena. É difícil digerir que, pra ter estabilidade emocional e pra se sentir bem, o ser humano necessita de parecer o outro. É inaceitável que pessoas pensem que artistas não podem ser gente como a gente e tenham personalidade.

A geração do parecer adora criticar o corpo alheio. Só não sei em que lugar conquistaram esse direito. Com 22 anos, ou até menos, algumas mulheres, hoje, para estarem seguras, dão os rins para fazerem uma cirurgia plástica e se sentirem bonitas para os outros e, assim, ganharem autoconfiança.

Bruna não seria tão criticada se tivesse exibido duas bexigas imensas sob seu desnudo pescoço. Ou melhor, seria, sim. Alguém acharia uma gordurinha escapando do lado do sutiã, faria uma montagem e postaria nas redes sociais para polemizar. É sempre assim.

Mulher, principalmente, fala do corpo, dos cabelos, da bunda, dos seios, das unhas da outra. Sempre acha um defeito na outra, ainda que esta outra seja a Miss Universo. Homem fala porque pensa como animal irracional e nunca seria digno de um mulherão daquele… Nem em sonho.

Esses críticos chamados de humanos são tão “mente aberta” que nem o cérebro permanece ali. Constituem uma cambada de gente infeliz e insatisfeita que tem sua frustração amenizada quando encontra no outro algum detalhe para criticar.

A pobreza de espírito do ser humano é que choca. Uma gente imbecil que decretou que bonito é ter peito e bunda de borracha, coxas quase explodindo de bomba, rosto esticado, sobrancelhas desenhadas de canetinha preta (que fica marrom quando desbotada) e cabelos lisos.

Que lamentável, não?

Enquanto a sociedadezinha está preocupada com padrões e com tamanho do peito da Bruna, ela continua linda, plena e rica. O dia em que ela achar que precisa fazer uma intervenção cirúrgica, não precisará vender carro pra pagar, diferente dos pobres mortais que a detonaram, que terão que dividir os míseros ml em 24 suaves prestações e ainda continuarem carregando o peso de uma mente doente e vazia. Afinal, com plástica dá para, na melhor das hipóteses, melhorar o corpo, não a alma.

Autor

Lucimara Souza

Formada em Letras, Pedagogia e especialista em Comunicação: linguagens midiáticas, atualmente professora. Aprecia a escrita permeada pela criatividade, humor e certa dose de sarcasmo.

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