O câncer voltou e ainda quero preservar a mama, seria possível?

Apesar dessas raras publicações científicas, a mastectomia ainda é considerada o principal tratamento após uma recidiva local do câncer de mama.

No final dos anos 80, dois pesquisadores Prof. Veronesi e Prof. Fisher revolucionaram o tratamento do câncer de mama, provando que seria possível preservar a mama das pacientes desde que o tumor fosse removido, com margens de segurança, e o tratamento radioterápico fosse realizado. Nascia o tratamento conservador, hoje, considerado o padrão ouro no tratamento cirúrgico do câncer de mama.

Apesar da segurança deste tratamento conservador ser equivalente a retirada da mama ou mastectomia um percentual pequeno de mulheres tratadas pode apresentar recidiva ou seja o re-aparecimento do tumor. Detalhe isto também pode acontecer mesmo em pacientes mastectomizadas. Contudo, sempre que uma mulher que tinha sido submetida a conservação da mama e radioterapia apresentava sinais de volta da doença, ela não tinha escolha e era submetida a mastectomia. Nem preciso dizer o peso e desconforto causado por este tipo de situação, não é mesmo?!?

Foto: Divulgação

Recentemente alguns trabalhos científicos que investigavam a possibilidade de se indicar um novo tratamento conservador para pacientes selecionadas com recidiva da doença na mama tratada, mostraram resultados promissores.

Há alguns anos discuti sobre este tema com Dr. Gentilini, naquela época no Instituto Europeu de Oncologia. Ele defendia o requadrante para casos selecionados, porém sem irradiação. Fico feliz que a medicina continue sendo uma ciência de verdades transitórias.

Apesar dessas raras publicações científicas, a mastectomia ainda é considerada o principal tratamento após uma recidiva local do câncer de mama em pacientes previamente submetidas a cirurgia conservadora e irradiação da mama. Não faz sentido preservar a mama sem bons resultados. Portanto, a evolução das técnicas de cirurgia da mama, incluindo o arsenal da cirurgia oncoplástica, e a criação de dispositivos como o Biozorb, um marcador 3D para melhorar os resultados estéticos e facilitar o planejamento da radiação, eles podem aumentar ainda mais as taxas de cirurgia de conservação da mama e ajudar cirurgiões e pacientes discutir outras opções terapêuticas para preservar a autoestima e as chances de qualidade de vida. A evolução do planejamento e da tecnologia também auxiliam que as radioterapias sejam efetivas e menos tóxicas contribuindo para isto.

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Há uma perspectiva para fornecer uma nova linha de tratamento conservador para pacientes desesperadas que receberam más notícias novamente. A possibilidade de preservação das mamas é notável, mesmo que para um grupo selecionado de pacientes. Mais estudos são necessários e, talvez em um futuro próximo, essa indicação possa ser ampliada. Ganha a mastologia, ganham as mulheres!

Gustavo Zucca

Mastologista, pós-doutorado pela Unesp, especialista em oncoplastia e cirurgia reconstrutora da mama pelo Instituto Europeu de Oncologia – Milão.

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