Câncer de bexiga: mitos e verdades sobre a doença

Mais comum nos homens, câncer de bexiga é silencioso e pode se desenvolver sem mostrar sinais.

Sendo um dos mais comuns do trato urinário, o câncer de bexiga deve atingir 10.640 novos casos no triênio 2020-2022 – sendo mais de 7.500 em homens e cerca de 3 mil em mulheres, segundo o INCA (Instituto Nacional do Câncer). E o alerta maior é que, grande parte dos casos só são descobertos quando a doença já está avançada.

“O câncer de bexiga é um tipo silencioso e pode se desenvolver sem apresentar sinais ou sintomas. Assim como outros tipos, exige uma atenção ainda maior ao aparecimento de sintomas, pois pode significar um estágio mais avançado. Se descoberto precocemente tem boas chances de cura e essa probabilidade dependerá do estadiamento, tipo de câncer, da idade e saúde geral do paciente”, explica o oncologista do InORP Oncoclínicas, Carlos Fruet.

O oncologista do InORP Oncoclínicas, Carlos Fruet

Este tipo de neoplasia pode ser dividido de acordo com as células de origem e que sofreram alterações. São elas: carcinoma de células de transição – do tecido interno da bexiga, que compreende mais de 90% dos casos; carcinoma de células escamosas – afeta células delgadas e planas e podem surgir após infecções e irritações prolongadas; e adenocarcinoma – das células glandulares (de secreção) e se formam também após longo tempo de inflamação e irritação.

Quando limitado ao tecido interno da bexiga, o câncer é chamado de superficial. Ele se torna invasivo quando, ao se iniciar nas células de transição, se espalha para a parede muscular podendo chegar até os órgãos próximos, gânglios linfáticos até à outros órgãos.

Abaixo, o oncologista responde as principais dúvidas sobre este tipo de câncer:

Sou jovem e não terei câncer de bexiga, pois só atinge homens mais velhos!

MITO: Uma grande parte dos casos de câncer de bexiga acontece entre os homens caucasianos (pele branca) após 40 anos, porém, não é exclusivo desta faixa etária podendo acometer todas as idades e também mulheres. Fatores como genética, exposição à radioterapia, tabagismo, medicamentos e o trabalho com substâncias como borracha, couro, tintas, agrotóxico, entre outras, também podem predispor ao aparecimento deste tipo da doença.

 

Fumar também pode causar câncer na bexiga.

VERDADE: Um dos principais fatores que pode influenciar no aparecimento do câncer de bexiga é o tabagismo. Segundo o INCA, o tabagismo pode aumentar em até três vezes o risco para esta neoplasia e está associado entre 50 e 70% dos casos. As substâncias químicas do cigarro entram na corrente sanguínea e são filtradas pelos rins. Quando a urina se forma na bexiga estes componentes podem ainda estar por lá e danificam as células da região. Além disso, o tabagismo passivo – que consiste na inalação da fumaça indiretamente pela convivência com fumantes – também pode apresentar riscos.

 

A única forma de prevenção é parar de fumar?

MITO: Além de evitar o tabagismo – inclusive passivo -, também devemos adotar práticas saudáveis como dieta balanceada, praticar exercícios físicos regularmente e usar equipamento de proteção ao se expor de forma prolongada aos materiais que podem ser considerados de risco pra doença.

Os sintomas são parecidos com uma infecção urinária.

VERDADE: Dor e queimação durante a micção, a necessidade de urinar frequentemente ou a falta dela, presença de sangue na urina. Estes podem ser alguns dos sintomas de uma infecção urinária e também do início de um câncer de bexiga. O ideal é buscar ajuda médica, assim que perceber algum sintoma fora do comum para que, seja investigado e o diagnóstico seja feito precocemente. Em estado avançado o câncer de bexiga pode-se apresentar com dor lombar, perda de apetite e peso, fraqueza, inchaço nos pés e dores ósseas.

 

Após tratamento é certo que terei incontinência urinária?

MITO: As sequelas do tratamento irão variar de acordo com o tipo realizado. Para doenças iniciais, normalmente não há necessidade de retirar a bexiga, portanto quase não há sequelas maiores. Nos casos de doenças mais avançadas, o principal tratamento é a retirada do órgão que pode prejudicar bastante a qualidade de vida dos pacientes, embora hoje com a melhoria das técnicas, as sequelas sejam menores. Este é mais um motivo para não demorar na busca por ajuda médica quando houver alguma suspeita e sintomas.

Da Redação

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