Fatores psicológicos e ambientais também influenciam no desenvolvimento de LER/Dort

Especialista explica o que é preciso estar atendo em relação ao problema, que ainda afasta muitos profissionais do trabalho.

Se você sente sensação de fadiga muscular e cansaço constante; seguida pela presença de dor nos membros superiores e nos dedos, que varia de intensidade, mas atrapalha na execução de atividades diárias; dificuldade para movimentá-los; formigamento; alteração da temperatura e da sensibilidade e redução na amplitude de movimento, fique atento, pode ser Lesão por Esforço Repetitivo (LER) e de Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (Dort). Cerca de 39 mil trabalhadores foram afastados do trabalho em 2019 por causa da LER/Dort, de acordo com dados da Secretaria Especial de Previdência e Trabalho.

A condição tem aumentado muito no Brasil nos últimos anos e merece atenção. Segundo o estudo Saúde Brasil 2018, produzido pelo Ministério da Saúde, o total de registros cresceu 184% entre 2016 e 2017, saltando de 3.212 casos para 9.122. Mulheres de 40 a 49 são as mais atingidas. O fisioterapeuta Thiago Vilela Lemos, explica que é preciso estar atento, pois os sintomas não começam necessariamente com dores.

“Iniciam com sensação de fadiga, cansaço, porque o ambiente de trabalho também influencia. A dor pode aparecer apenas quando o problema já está mais avançado”, destaca.

Foto: Divulgação

Ele reforça que é importante observar esses sinais, e se permanecerem por duas a três semanas é preciso buscar ajuda de um profissional.

“Muitas pessoas só procuram ajuda quando não dá mais para trabalhar, o que é errado”, completa o especialista.

Segundo ele, os problemas mais comuns são nos membros superiores, como punho, cotovelo e ombro, além da coluna. De acordo com o especialista, não é apenas o trabalho físico que leva a Dort, é multifatorial. O aspecto psicossocial também contribui para causar e agravar a doença.

“Quando o trabalho é estressante ou se tem muita pressão, pode ser um fator de risco e deve ser observado”, pontua. Para prevenir o problema ele dá as dicas: “praticar atividade física, cuidar da saúde mental e ter um bom relacionamento no ambiente de trabalho”, completa.

O fisioterapeuta Thiago Vilela Lemos, explica que é preciso estar atento, pois os sintomas não começam necessariamente com dores

Entendendo a doença

A LER representa um grupo de afecções do sistema musculoesquelético (tendão, nervo, músculo, ligamento, osso, articulação, entre outras estruturas), decorrentes de sobrecargas mecânicas, que apresentam manifestações clínicas distintas e variam em intensidade, porém o termo foi substituído por Dort, por ser mais abrangente.

“Nem toda LER poderia ter relação com trabalho, poderia ser de outras causas, como esportiva. Além disso, a lesão não é aparente. E com a Dort é preciso comprovar que está relacionada ao trabalho”, explica.

A doença é mais comum em profissionais que realizam trabalhos manuais, como costureiras, torneiros mecânicos, carpinteiros; profissões onde há requisição dos membros superiores ou que fazem trabalhos finos com as mãos, mas também afeta trabalhadores da indústria, comércio, alimentação, serviços, entre outros.

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Ao contrário do que se pode pensar, de acordo com Thiago, o home office veio para contribuir com uma possível redução de casos e não aumento.

“O home office não é um agravador dessas lesões, pois em casa as pessoas ficam mais confortáveis e em um ambiente que gostam, mas é preciso analisar a adaptação do espaço para o trabalho” alerta ele.

O tratamento da LER/Dort, segundo o profissional, é feito, na maioria das vezes, com fisioterapia, adequações no ambiente de trabalho e terapias.

Da Redação

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