Preenchimento estético com PMMA e materiais permanentes
Cirurgiã desenvolve técnica inovadora para remoção cirúrgica do produto após complicações.

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Procedimentos estéticos têm se tornado cada vez mais comuns entre mulheres e homens que utilizam dos avanços da medicina para trazer melhorias no corpo e rosto. Entre muitas formas, o uso de preenchedores como PMMA (polimetilmetacrilato), silicone e poliamida são bastante conhecidos por serem materiais preenchedores permanentes, utilizado para modificações na face.
Apesar de autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), em 2025 o Conselho Federal de Medicina (CFM) recomendou à autarquia que o uso do polimetilmetacrilato (PMMA) como substância de preenchimento fosse banido e solicitou a imediata suspensão da produção e da comercialização de preenchedores à base do produto no Brasil. O produto tem a autorização do seu uso mantida, mas com recomendação para fins corretivos de pequenas deformidades ou casos de indicação médica.
Para a cirurgiã bucomaxilofacial do Grupo São Lucas Priscilla Bovo (CROSP: 59.224), o produto pode, com o passar do tempo, causar problemas como infecção, edema intermitente, inchaço grande, insuficiência renal e levar ao óbito.
“Com o envelhecimento, você tem uma remodelação óssea, aumento do conteúdo de pele. Esse produto acompanha a migração da pele, então rosto vai caindo e o produto acompanha. É muito comum o paciente colocar na região malar esse produto e anos depois ao invés de estar na região malar, estar no meio da bochecha. Existem casos de óbito, por exemplo, quando você insere o produto em um vaso sanguíneo ou acontece uma infecção generalizada. A pessoa que envelhece com o PMMA envelhece com deformidade de forma muito mais rápida do que quem não possui o produto”, explica.
O perfil de maior predominância nos casos é de pacientes do sexo feminino em média de 43 anos, com histórico de aplicação ocorrido há 20 anos.
Em conjunto com a equipe NeuroPrime, a especialista desenvolveu uma técnica inédita e inovadora para a retirada desse produto na região da face, realizada com a estrutura do Hospital São Lucas e do Hospital Ribeirania. Após o mapeamento do material com um ultrassom indicando a migração e em qual camada do rosto se encontra o produto, a retirada do PMMA acontece com a monitorização intraoperatória do nervo facial, evitando que o procedimento afete algum nervo motor da região.
Com mais de 100 pacientes operados e recuperados, o procedimento já foi realizado em regiões como de pálpebra superior, inferior, região temporal, glabela, masseter, malar, queixo, pescoço e lábios, com recuperação que varia de 3 a 15 dias conforme avaliação da gravidade do caso.

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O procedimento se torna inovador em todo país, uma vez que muitas universidades e centros de pesquisa que recebem esses pacientes de PMMA orientam a convivência com a deformidade, tratando somente a intercorrência de infecções e edemas.
“Muitos aconselham não mexer para não piorar os resultados. Nós trouxemos essa solução de você remover o excesso ou tudo aquilo que for possível porque a ideia é remover sem causar deformidades ou lesão ao nervo facial, estabelecendo limites. Percebemos que mesmo pacientes em que fazemos a remoção respeitando os limites, os níveis de cálcio, que são os principais causadores da insuficiência renal, melhoram. A face do paciente já fica mais harmônica, a textura melhora e prevenimos o envelhecimento precoce devido a migração do material”, conclui.

