Epilepsia e a dieta cetogênica

A epilepsia é um distúrbio neurológico crônico caracterizado por crises epilépticas repetidas, que são marcadas por manifestações motoras, sensitivas, sensoriais, psíquicas ou neurovegetativas. 

Além do tratamento médico, muitos estudos apontam os benefícios de mudanças alimentares para esses pacientes. Foi observado, desde o início do século passado, que pacientes epilépticos apresentavam melhor controle de suas crises quando ficavam em jejum ou na presença de acidose metabólica induzida pelo jejum. Devido a este fator, foi elaborada uma dieta que simulasse as alterações bioquímicas associadas aos períodos de jejum, conhecida como dieta cetogênica. 

A recomendação da dieta cetogênica é principalmente para crianças com elevado número de crises epilépticas de difícil controle, que não respondem às medicações usuais. Pode, ainda, ser indicada para pacientes que apresentam intolerância aos efeitos adversos crônicos das drogas antiepilépticas. Associando-se a dieta cetogênica ao tratamento da epilepsia, observou-se controle parcial ou total das crises em parte dos pacientes, enquanto outros não respondem ao tratamento. 

Essa dieta é uma abordagem terapêutica muito restritiva e deve ser calculada com os dados como peso, estatura e idade. O objetivo da dieta cetogênica é criar, no portador do distúrbio, um estado de cetose. Quando o organismo recebe pouco carboidrato e muita gordura é comum que as células do cérebro se nutram de corpos cetônicos. O efeito sedativo dos corpos cetônicos, a concentração destes no plasma, o grau de acidose, a desidratação parcial, a mudança na concentração lipídica e a adaptação metabólica energética do cérebro decorrentes desta cetose seriam os principais fatores envolvidos e responsáveis pelo controle das crises. O atendimento nutricional é fundamental no processo terapêutico e a atuação do nutricionista não se limita à prescrição e orientação dietética, mas é um elemento de apoio e incentivo na sua adoção e seguimento.

O acompanhamento por uma equipe interdisciplinar é fundamental e é obrigatório a orientação aos pais ou responsáveis. A integração entre a equipe, paciente e sua família é essencial para o sucesso do tratamento. 

Renata Dessordi

Renata Dessordi é nutricionista formada pela Universidade de Ribeirão Preto, especialista em Nutrição Clínica e Esportiva. Mestra em Alimentos e Nutrição pela Unesp. Doutoranda em Alimentos e Nutrição pela USP/Unesp. Auriculoterapeuta Francesa.

Um comentário em “Epilepsia e a dieta cetogênica

  • 15 de março de 2019 em 08:41
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    Descobrir minha doença agora , e realmente não sei o que comer mim ajudar a ter uma alimentação regularizada

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